Pular para o conteúdo principal

Björk anuncia shows beneficentes na Islândia. Apresentações serão transmitidas online

Foto: Santiago Felipe

Em 2020, Björk iria passar pela Europa com a turnê Orchestral, que tinha estreia marcada para julho. Com a situação do Coronavírus, as apresentações foram remarcadas para junho de 2021. No entanto, agora teremos a chance de vê-la no palco ainda este ano por uma causa super importante. Hoje (27/06), ela anunciou três shows na Islândia. O país está reabrindo após um longo período de confinamento por causa da pandemia. Por isso, está permitida a presença da plateia. O projeto conta com a colaboração de Iceland Airwaves, RÚV, Harpa, Promote Iceland e Icelandair.

Para cada noite de espetáculo beneficente, serão setlists diferentes, com coros, cordas, metais e flautas; a partir dos arranjos criados pela artista. Ao lado dela, estarão vários de seus leais colaboradores. Os lucros serão revertidos ao Kvennaathvarfið, abrigo islandês que acolhe mulheres vítimas de violência doméstica, a intenção é também arrecadar fundos para outras instituições como essa ao redor do mundo. 

Será realizada uma transmissão ao vivo dos shows (cerca de 45min) no app Dice, as primeiras gravações profissionais liberadas de espetáculos de Björk desde a do filme da Biophilia Tour, registrado em 2013 e lançado no ano seguinte. O valor de cada stream é 15 libras. Você pode adquiri-los clicando AQUI

Leia a tradução do comunicado completo: 

"Caros amigos islandeses, eu gostaria de convidá-los para alguns shows em que honraremos aquelas pessoas que foram mais atingidas pelo coronavírus, o movimento Black Lives Matter e os músicos islandeses com quem trabalhei ao longo dos anos. 

Gravei praticamente todos os meus álbuns com artistas locais: O Homogenic com um octeto de cordas islandês, Medúlla com o coral misto Schola Cantorum, Volta com dez garotas que encontrei por toda ilha e que fazem parte do Wonderbrass, tocando instrumentos; Biophilia com o coral da igreja Langholt, Graduale NobiliVulnicura com um conjunto de cordas de quinze peças e Utopia com doze flautistas que mais tarde formaram o septeto Viibra. Além disso, o show Cornucopia contou com a presença do Hamrahlíð's Choir, conduzido pela maestrina þorgerður ingólfsdóttir

Foto: Ernir Eyjolfsson

Me apresentei com as canções desses discos em todo o planeta, com a ajuda desses músicos. Juntos, são mais de cem pessoas! Quero celebrar todos esses grandes artistas que temos aqui na Islândia, quero comemorar o fato de estarmos saindo da quarentena de forma saudável e unidos. Por isso, realizarei concertos especiais no Harpa Concert Hall, durante três fins de semana no mês de agosto. A minha entrada na luta feminista é para me gabar que quase todos esses arranjos são de minha autoria. Infelizmente, isso é algo que quase sempre é ignorado quando as mulheres são arranjadoras. 

Os shows serão pela parte da tarde, às 17h, e também serão transmitidos ao vivo online. Haverá uma opção disponível para doar para o Abrigo de Mulheres da Islândia, que oferece apoio para mulheres de todas as origens na região. Aos que comparecerem pessoalmente, após a apresentação, iremos comercializar comida para arrecadar dinheiro para essa instituição. Os concertos serão acústicos, sem batidas e instrumentos eletrônicos. Estarei acompanhada da Orquestra Sinfônica da Islândia e alguns convidados. 

Fotos: Divulgação

Sinto que estamos passando por um momento extraordinário, horrível, mas que também é uma oportunidade de mudarmos verdadeiramente. Esse vírus nos ensinou que o que temos é o suficiente, que precisamos ajudar uns aos outros o quanto pudermos. O Black Lives Mater nos lembrou fortemente de examinar nossa própria conduta quanto ao racismo, o respeito, a compreensão e maior assistência aos refugiados que vêm para cá. É necessário que todos nós finalmente confrontemos o racismo, que aprendamos que as vidas das pessoas são mais importantes que o lucro, olhando para dentro de nós, para enxergarmos todos os nossos preconceitos e privilégios ocultos. 

- Estou ansiosa para ver vocês. Vamos aprender juntos a sermos mais humildes. Transformar. Com grande amor, Björk". 

Fotos: Divulgação

Os espetáculos serão realizados no Harpa Concert Hall, em Reykjavík, no salão Eldborg (com 1.600 lugares). 

- Domingo, 9 de agosto de 2020: com o coral Hamrahlíð, direção da maestrina þorgerður ingólfsdóttir e Bergur Issonórisson no órgão. 
- Sábado, 15 de agosto de 2020: Cordas da Orquestra Sinfônica da Islândia; direção de Bjarni Frímann Bjarnason
- Domingo, 23 de agosto de 2020: Bronze da Orquestra Sinfônica da Islândia, flautas de Viibra, Katie Buckley Jónas Sen na harpa. 

Postagens mais visitadas deste blog

Com shows beneficentes na Islândia, Björk oferecerá apoio aos artistas locais

Björk marcou três shows do espetáculo Orchestral na Islândia, que serão realizados no Harpa Concert Hall, com transmissão ao vivo online(Saiba mais clicando AQUI). Em nova entrevista ao Fréttablaðið, a artista falou da motivação por trás da série de espetáculos em meio a pandemia, planos para o futuro em sua carreira e pela primeira vez, sobre ser avó! Confira a tradução completa
Os próximos concertos acústicos da cantora, são uma espécie de celebração aos 27 anos de colaboração dela com artistas locais, com foco nos arranjos de sua autoria, passeando por canções de toda a discografia. Cada uma das apresentações contará com setlists diferentes. No total, foram escolhidas 44 faixas. Segundo a cantora, a ideia desse projeto surgiu com o livro de partituras que ela lançou em junho de 2017, em parceria com Jónas Sen. A publicação é destinada não só àqueles com experiência profissional, mas também qualquer pessoa que tenha o mínimo de conhecimento musical, com a dispo…

Björk e Milton Nascimento - A Travessia para um grande encontro

Poucas horas antes do show no Metropolitan, no Rio de Janeiro, em 20 de agosto de 1998 (saiba mais AQUI), Björk conversou com a imprensa brasileira, e esteve junto de Milton Nascimento. Ela foi uma das atrações principais do festival Close-Up Planet:


Ao jornal Extra, ela contou que é fã não só de Elis, mas também do Sepultura. Falando de Milton Nascimento, revelou: "Cheguei no sábado (acompanhada de uma amiga de infância) e fiquei bêbada com algumas pessoas ouvindo as músicas dele". Segundo a publicação, a cantora teria cogitado a ideia de ir a apresentação "Tambores de Minas" da lenda brasileira, no Canecão. Ela admitiu que do line-up do festival, só conhecia mesmo as atrações internacionais: "Tenho que dizer que sou ignorante em relação à música brasileira, e isso me envergonha". Também deixou claro que, como de costume, não incluiria nada do Sugarcubes no setlist: "São meus amigos, crescemos juntos. Não posso tocar uma música da banda sem eles&qu…

Relembre as vindas de Björk ao Brasil

As apresentações mais recentes de Björk no Brasil, aconteceram em 2007. Relembre todas as passagens da islandesa por nosso país, nesta matéria detalhada e cheia de curiosidades!

Antes de vir nos visitar em turnê, a cantora foi capa de algumas revistas brasileiras sobre música, incluindo a extinta Bizz, edição de Dezembro de 1989. A divulgação do trabalho dela por aqui, começou antes mesmo do grande sucesso e reconhecimento em carreira solo, ainda com o Sugarcubes.
1996 - Post Tour:
SETLIST:  Army of Me One Day The Modern Things Venus as a Boy You've Been Flirting Again Isobel Possibly Maybe I Go Humble Big Time Sensuality Hyperballad Human Behaviour The Anchor Song I Miss You Crying Violently Happy It's Oh So Quiet.
Em outubro de 1996, Björk finalmente desembarcou no Brasil, com shows marcados em São Paulo (12/10/96) e no Rio de Janeiro (13/10/96), como parte do Free Jazz Festival.





Em entrevista à Folha de São Paulo, Björk se disse ansiosa pelas apresentações:
"Vai ser mui…

Em carta aberta no Facebook, Björk fala sobre assédio sexual

Björk publicou em seu Facebook, na tarde deste domingo, um texto em que revela que foi vítima de assédio sexual por um diretor dinamarquês. Confira a tradução do post na íntegra:


"Me sinto inspirada por ver mulheres pelo mundo se pronunciando sobre esses casos (de abuso sexual) na internet. Isso me fez sentir vontade de contar minha experiência com um diretor dinamarquês. 
Porque eu venho de um país onde a diferença entre os sexos é pequena, apesar de ainda existir, e no momento em que tenho certa força no mundo da música com uma independência, que foi duramente conquistada, sempre esteve extremamente claro para mim que quando eu entrasse na carreira de atriz, meu papel e humilhação como uma menor sexualmente assediada seria uma norma para um diretor cuja a equipe de dezenas de pessoas permitiu e o encorajou a fazer isso. 
Eu estava ciente de que é algo universal, em que um diretor pode tocar e assediar suas atrizes à vontade e a indústria do cinema permite isso. Quando eu o co…