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Relembre as vindas de Björk ao Brasil

Foto: Divulgação (2007)

As apresentações mais recentes de Björk no Brasil, aconteceram em 2007. Relembre todas as passagens da islandesa por nosso país, nesta matéria detalhada e cheia de curiosidades!

Foto: Reprodução (1987)

Antes de vir nos visitar em turnê, a cantora foi capa de algumas revistas brasileiras sobre música, incluindo a extinta Bizz, edição de Dezembro de 1989. A divulgação do trabalho dela por aqui, começou antes mesmo do grande sucesso e reconhecimento em carreira solo, ainda com o Sugarcubes.

1996 - Post Tour:

Arquivo: João Paulo Corrêa

SETLIST: 
Army of Me
One Day
The Modern Things
Venus as a Boy
You've Been Flirting Again
Isobel
Possibly Maybe
I Go Humble
Big Time Sensuality
Hyperballad
Human Behaviour
The Anchor Song
I Miss You
Crying
Violently Happy
It's Oh So Quiet.

Em outubro de 1996, Björk finalmente desembarcou no Brasil, com shows marcados em São Paulo (12/10/96) e no Rio de Janeiro (13/10/96), como parte do Free Jazz Festival.


Capricho (27/12/1996). Arquivo: André Eduardo

Arquivo: João Elias de Brito

O Globo 13/10/1996 (Arquivo: Jean Azevêdo)

Fotos: Ton Hooster

Em entrevista à Folha de São Paulo, Björk se disse ansiosa pelas apresentações:

"Vai ser muito legal tocar em lugares como a Antártica, o BRASIL, e a Nova Zelândia".

Ela ainda disse que planejava vir ao nosso país desde os tempos do Sugarcubes: "Do ponto de vista financeiro, isso era muito difícil e eu não gosto de viver na fantasia", justificou sua ausência. Fã da música brasileira, citou os nomes de Milton Nascimento e Tom Jobim, mas sua favorita é Elis Regina.

Em outro trecho da entrevista à Folha, Björk falou sobre a conexão que tem com a artista:

"É difícil explicar. Existem várias outras cantoras, como Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Edith Piaf, mas há alguma coisa em Elis com a qual eu me identifico. Então escrevi uma canção, "Isobel", sobre ela. Na verdade, é mais uma fantasia, porque sei pouco a respeito dela". Quando perguntada se já viu algum vídeo com imagens de Elis, Björk respondeu: "Somente um. É um concerto gravado no Brasil, em um circo, com uma grande orquestra. Apesar de não conhecê-la, trabalhei com (Eumir) Deodato e ele me contou várias histórias sobre ela. Acho que tem algo a ver com a energia com a qual ela canta. Ela também tem uma claridade no tom da voz, que é cheia de espírito. O que eu gosto em Elis é que ela cobre todo um espectro de emoções. Em um momento, ela está muito feliz, parece estar no céu. Em outro, pode estar muito triste e se transforma em uma suicida".



Além de um bate-papo com o programa Lado B da MTV Brasil (vídeo acima), Björk também concedeu uma entrevista exclusiva à cantora Marina Lima publicada na Folha:

Você gosta de morar em Londres? De alguma forma, aquela ilha se parece com a sua? Você pensa em se mudar para os EUA?

Para ser sincera, eu prefiro Nova York a Londres. Mas eu acho que é uma loucura tentar criar uma criança lá. Eu me afeiçoei muito a Londres e às pessoas do lugar. Eu fiquei 27 anos fazendo minha música na Islândia e as pessoas não me levavam a sério. Em Londres, em um ano, eles entenderam o meu trabalho, a minha mensagem. Apesar de ter toda aquela coisa de eles me tratarem como um ser exótico e diferente, eles respeitam minha música. Mas eu só saí do meu país porque tinha que fazer meu trabalho. Quando eu termino, eu penso, tudo bem, mas onde está o mar, onde estão as montanhas?

Aqui no Brasil, alguns artistas têm uma espécie de fobia de instrumentos computadorizados, como teclados, por exemplo. Eles acham que esses instrumentos esfriam ou pasteurizam a música, tirando uma pureza ou um calor que, segundo eles, só os instrumentos acústicos podem dar. O que você acha disso?

Eu acho que o computador é um instrumento, assim como uma guitarra ou um violino. A música não vai perder sua alma porque você vai usar um computador ou seja lá o que for. Mas, se você ficar preguiçoso por causa do computador, então ele será um problema.

Como é o cenário musical no seu país? Existem outras pessoas fazendo um som com uma concepção parecida com a sua?

A cena musical na Islândia não existe. Quer dizer, há aquela música pop, mas é pura imitação da música americana. Não existe música islandesa ou nada remotamente parecido com o que possa ser uma música islandesa. Desde o século 13 nós fomos colonizados e nossa independência foi obtida muito tarde. Enquanto éramos colônia, a taxação de impostos era muito alta, e não sobrava dinheiro para fazer nada. A única manifestação artística que existe com força na Islândia é a literatura. As pessoas não tinham dinheiro para música ou pintura, elas apenas conversavam e escreviam. Na Islândia, se você, quando é jovem, quer ser rebelde e mudar o mundo, você não monta uma banda de rock, simplesmente escreve um poema.

"Possibly Maybe", "Army of Me" e "Bedtime Story" (escrita para Madonna) são músicas com ideias absolutamente originais. Como lhe ocorrem esses assuntos? São coisas que lhe vêm naturalmente, no seu dia a dia, ou são assuntos premeditados, concebidos para obrigar as pessoas a pensar?

Minha música não é uma coisa planejada sob nenhum aspecto. As coisas vão acontecendo no meu dia a dia, na minha vida, e eu vou transformando essas coisas em música, mas sem perceber, de repente.

Como você escolhe seus parceiros musicais?

Não há uma regra. Pegue os seus amigos, por exemplo. Como você os conheceu? Aposto que cada um foi de um jeito, em uma situação totalmente diferente. É como os meus parceiros.

Quais artistas ou bandas você admira?

Quando eu ouvi Milton Nascimento pela primeira vez, com a música "Travessia", fiquei totalmente viciada, como se estivesse me drogando.

Arquivo: João Elias de Brito

O fã sortudo João Elias de Brito conseguiu conhecer e até entregar um desenho para a cantora em um momento após a coletiva de imprensa da turnê em São Paulo. Leia o relato completo clicando aqui.

Arquivo: João Elias de Brito






Show da Post Tour em São Paulo (Fotos: Jorge Rosenberg)

Felizmente, o segundo show da "Post Tour", que aconteceu no Rio de Janeiro foi registrado.
A filmagem em gravação profissional capturada de um único ângulo estratégico do palco foi disponibilizada por um fã na Internet há alguns anos. 

Uma matéria da Folha de São Paulo comentou sobre o futuro dessa filmagem dizendo:  "A apresentação da cantora Bjõrk virará especial do canal pago Multishow, para ser exibido no exterior". Na verdade, o que aconteceu foi que o material coletado no festival inteiro acabou virando uma série documental produzida pela TV ZERO e exibida no Multishow e no Canal+ (França). Foram diversos episódios sobre o Free Jazz Festival sob a direção de Roberto Berliner. Infelizmente, apenas um trecho de 3 segundos (!) da apresentação de Björk foi incluído no especial (como é possível ver aos 42 segundos deste vídeo). Nos últimos anos, buscamos por informações em fóruns de discussão sobre a islandesa na internet e até tentamos encontrar o contato das pessoas da equipe do festival Free Jazz de 1996, mas não obtivemos sucesso em resgatar o vídeo do show em melhor qualidade. Não temos certeza se haviam telões laterais no show daquela noite ou se outras câmeras estavam espalhadas pelo local da apresentação, mas acreditamos que sim. Talvez tenha surgido a ideia de filmar para um possível lançamento oficial, já que até então aquela era a última data da turnê, o que mudou quando mais tarde um show grátis foi marcado para fãs em Fevereiro de 1997, em Londres, que saiu em VHS/DVD 1 ano depois.  O vídeo foi divulgado pelos fãs Sylvain do Canadá e Simonet de Amsterdã, possivelmente em antigos blogs de fãs da islandesa através do projeto 'Bjorkhub' (bjorkhub.no-ip.info // bjorklossless.goudwater.nl), onde reuniam os bootlegs que conseguiam, pois os álbuns e VHS/DVDs de shows ao vivo de Björk demoraram muitos anos para serem finalmente lançados. Através do falecido 'BjörkFTP' (https://bjorkftp.wordpress.com), muitos destes arquivos voltaram à internet. O mais interessante deste do 'Free Jazz' é que o áudio foi capturado da mesa de som, ou seja... foi sincronizado com o vídeo... A fonte não tem certeza se veio da Fita Master, do que podemos concluir que eles tinham apenas uma cópia em VHS, só não sabemos como conseguiram. Hoje muitos outros arquivos estão hospedados em: gudmundsdottirbjork.blogspot.com. Essa versão disponível foi revisada pelo fã 'danlynch' em 27/11/2005, e publicada novamente para download em 2011. 

Características do arquivo:
VHS (Master?) > lossless DVD audio (Linear PCM, 48000 Hz Stereo,
1536 kbps) > vobedit (demux) > Soundforge (resample 44.1, set fades) >
CDWave (tracking) > Flac Frontend (level 7, align sector boundaries) > flac

Aquela noite foi realmente mágica, pois foi uma das últimas vezes em que Björk cantou a maioria das músicas incluídas no setlist, como Big Time Sensuality, Crying e It's Oh So Quiet, que ficou de fora do DVD oficial da turnê.


E como podemos falar de Björk no Brasil sem lembrar da famosa regravação de Travessia, sucesso de Milton Nascimento, que a artista canta em português!?



A música deveria ter sido incluída na compilação "Red Hot+Rio", o que não aconteceu.

"Ela deu uma dimensão diferente à música, é uma de suas favoritas. Quando me procurou, foi para arranjá-la para ela, já que fui eu quem produzi a versão dele. Confesso que nunca havia ouvido falar de Björk. Fui correndo até uma loja de discos e comprei todos os que ela fez com o Sugarcubes. Achei sua voz genial, diferente. Sua obra é muito experimental. Eu queria humanizá-la, tornando-a mais coesa. Fiz remixes com ritmos de marchinhas, que ela adorou. A gente sabe quando a Bjõrk fica satisfeita porque ela começa a dar pulinhos de felicidade. Quando ela não gosta, ela vai embora" - Eumir Deodato em entrevista à Folha, outubro de '96.

Foto: Divulgação (1996)

1998 - Homogenic Tour:

Arquivo: João Paulo Corrêa

SETLIST: 
Vísur Vatnsenda-Rósu (Instrumental)
Hunter
Come To Me
Venus As a Boy
Immature
All Neon Like
You've Been Flirting Again (Icelandic)
Isobel
Possibly Maybe 
I Go Humble
Human Behaviour
Bachelorette
5 Years
Hyperballad
Violently Happy
Pluto
Jóga
Play Dead

Falando em Milton Nascimento, Björk o encontrou nos bastidores do show da Homogenic Tour no Rio de Janeiro, em 20 de agosto de 1998. A apresentação aconteceu no Festival Close-Up Planet.

Fotos: Marcia Foletto (1998)

Poucas horas antes do show no Metropolitan, a cantora passou o dia no parque de diversões Terra Encantada, que ficava bem ao lado da casa de espetáculos, na Barra da Tijuca. Ela conversou com a imprensa, em uma coletiva perto da piscina do hotel:

Arquivo: Jean Azevêdo (1998)

Ao Extra, contou que é fã não só de Elis, mas também do Sepultura. Falando de Milton Nascimento, revelou: "Cheguei no sábado (acompanhada de uma amiga de infância) e fiquei bêbada com algumas pessoas ouvindo as músicas dele". Segundo a publicação, a cantora teria cogitado a ideia de ir a apresentação "Tambores de Minas" da lenda brasileira, no Canecão. Ela admitiu que do line-up do festival, só conhecia mesmo as atrações internacionais: "Tenho que dizer que sou ignorante em relação à música brasileira, e isso me envergonha". Também deixou claro que, como de costume, não incluiria nada do Sugarcubes no setlist: "São meus amigos, crescemos juntos. Não posso tocar uma música da banda sem eles".

Sobre a pressão da fama, confidenciou: "Toda profissão tem seu lado engraçado. Na minha, isso significa ser famosa. Às vezes, não é algo do qual gosto". Para O Globo, Björk explicou a proposta de seu show da "Homogenic Tour": "Procuro unir diferentes formas, não estou preocupada com um estilo só. Penso que isso é o que está matando a música. Na minha adolescência, tinha gente que ouvia, comia e vestia jazz; enquanto outros faziam isso com o punk. Já meus pais eram hippies, e só consumiam isso. Passei dez anos na escola de música fazendo todos aqueles exercícios, e me cansei da rigidez. Por isso, minha música não se prende a um único estilo. O antiestilo é a grande forma de estilo", explicou. Ela gosta de trabalhar com quem tem afinidade: "Mais do que técnica, temos que nos entender no palco".

O jornalista da reportagem disse que durante a folga, a islandesa foi à praia no Posto 9 e a um bar na Zona Sul. Além disso, conheceu e adorou o bairro de Santa Teresa. Ao lado de sua banda, incluindo Mark Bell, visitou o Corcovado. Esses tipos de atividades do cotidiano de uma pessoa anônima, são algumas das coisas que a mantém sã: "Tudo depende de como sou tratada. Se me olham como um ser humano comum, o que eu sou, tudo bem. Quando começam a me tratar como uma instituição ambulante, prefiro voltar para o convívio dos amigos". Sobre Eumir Deodato, disse: "Ele me mostrou muita coisa de música brasileira, mas ainda quero conhecer mais. Os nomes que posso citar, Milton, Elis e Tom Jobim, talvez não sejam mais ouvidos pelos jovens aqui". Para a viagem ao Brasil, Björk trouxe seu professor de canto: "Sempre cantei por instinto, por natureza. Mas há três anos, perdi minha voz por usá-la de forma errada. Ron Anderson me ensinou alguns truques e exercícios, mas ainda há muito a aprender, por isso ele me acompanha nas turnês".

A conexão com Milton Nascimento: O Globo acompanhou o encontro dos dois. O repórter disse que, apesar de ambos serem tímidos, o papo sobre música fez com que o gelo fosse quebrado e, assim, pareceram se entender como velhos amigos. Eles trocaram CDs com cópias de seus recentes álbuns. Björk conheceu o trabalho do brasileiro ouvindo "Travessia" na voz de Elis, e posteriormente na dele. Em 1994, já havia assistido a um dos shows do cantor e compositor, em Londres: "Gostei demais e acabei chorando. Isso sempre acontece quando ouço algo que me emociona", disse a artista. "Mas não faço show para ninguém chorar, eu quero é trazer alegria com a minha música", comentou Milton. "Só que eu sou a chorona clássica. É um choro positivo, de uma emoção boa", retrucou a islandesa.

Fotos: Márcia Foletto (1998)

Milton lamentou não ter assistido ao show da "Post Tour" no Free Jazz Festival, pois estava em turnê na Europa. Björk respondeu: "Ainda bem, eu estava tão doente naquela época. Me apresentei ardendo em febre e não gostei, tanto que cancelei os outros shows que faria no resto da América do Sul. Mas acabei indo para uma ilha (na região de Angra dos Reis) com meu filho, foi um paraíso. Anos mais tarde, em outra entrevista, ela disse: "Eu me lembro do sabor do pão de coco que tinha lá. Os lagartos da ilha eram do tamanho de gatos. Eu tive uma fase musical bem brasileira, entre 94 e 95. Tentava entender como um país do segundo mundo, além da Islândia, lidava com a tradição da orquestração alemã e francesa de cordas".

Na entrevista para O Globo, ela contou a Milton que esse contato com uma rotina simples, é uma das inspirações para sua música: "Para mim, as canções funcionam como uma salvação. Coisas que não consigo dizer na vida real estão presentes nas minhas faixas. Os seres humanos são muito confusos, prefiro isso para me comunicar". Apesar de compor bastante, não costuma trabalha sobre pressão e, naquele momento, ainda achava muito cedo para pensar em lançar um próximo disco.

Sobre o assunto, Milton disse a Björk: "Já atendi a muitos pedidos de última hora. Foi o caso da trilha sonora que fiz para "A Terceira Margem do Rio". Nelson (Pereira dos Santos) me pediu, me deu três dias, e consegui fazer tudo em cinco". Aproveitando o tema, a islandesa satisfez uma grande curiosidade: "Sempre quis saber como você escreveu 'Travessia'". Ele respondeu: "Eu estava em São Paulo e assim que fiz a composição, percebi que esta era uma música que não poderia ser letrada por mim nem pelo meu parceiro habitual na época, o Márcio Borges. Mandei uma fita para Fernando Brant, em Belo Horizonte, e ele, que nunca tinha escrito uma letra de música, achou que eu estava louco. Um ano depois, nos encontramos e vi que ele estava com um papel na mão. Acabou me passando a letra e foi se esconder. Mas ela estava perfeita, não tive que mexer numa vírgula sequer. A partir daí, Fernando se tornou um dos meus principais parceiros".

Do nascimento de "Travessia", o assunto passou para Eumir Deodato. Graças ao trabalho com o arranjador, Björk conheceu mais da música de Milton: "Eumir me contou que tinha uma formação clássica europeia, e que muito do impacto do trabalho de vocês dois é decorrente da batalha entre essa formação com a sua, que é mais sanguínea, de músico das ruas". Milton, modesto e tímido, concordou, mas a história não é bem assim:

Ele pode não ter passado pelos conservatórios de música, mas não era um ingênuo. Na época do encontro com Deodato, em 1967, já tinha uma sólida bagagem cultural. Além de tocar nos bares da vida, adorava e conhecia a bossa nova de Antonio Carlos Jobim e o jazz de Miles Davis; e arriscou sua primeira composição, em parceria com Márcio Borges, depois de sair deslumbrado de uma sessão de "Jules et Jim - Uma mulher para dois", do cineasta François Truffant. Ao conhecer esta nova versão, relatada pelo repórter, e confirmada por Milton, Björk respondeu: "Bom, isso foi o que Eumir me contou. É típico dele". Brincando, Milton comentou: "Eumir é daqueles que andam com o nariz empinado. Ele é muito talentoso, e também muito convencido", disse rindo. Brincadeiras à parte, Björk continuou: "Eumir foi a um show meu em Nova York. Depois, enviei sete arranjos que fiz nos teclados e ele transcreveu para as cordas. Foi muito generoso e me ensinou bastante, eu não sabia nada sobre cordas". 

Fotos: Site Rock em Geral (1998)

Foto: Horácio Brandão (Midiorama) 

Ingresso do Close Up Planet 1998 (Arquivo: Jean Azevêdo)

Björk deixou o palco após uma hora e meia, se despedindo com o velho "oprigado" já batido dos artistas estrangeiros que pisam por aqui, mas que ainda serviu de motivo para o delírio e aplausos do público. Nos camarotes circulavam famosos como Baby do Brasil, Fernanda Abreu, Marisa Monte, Paulo Ricardo e Milton Nascimento. 

Fotos: Site Rock em Geral (1998)

Fotos: Jean Azevêdo (1998)

Agradecemos ao fã Jean Azevêdo por nos ter enviado os recortes de jornais da época, e as fotos sobre esta visita de Björk ao Rio de Janeiro. Em mensagem para nossa equipe, ele contou mais sobre a experiência de assistir a "Homogenic Tour". Naquela época, a segurança em shows era pesada quanto ao registro das apresentações por membros da plateia: "Eu estava nesse show e tirei só umas três fotos, pois o segurança me ameaçou dizendo que tomaria minha câmera. Consegui fazer esses registros, mas apesar de estar na grade ficaram meio escuros". Assim como João Elias de BritoJean é também outro admirador brasileiro que já chegou a presentear a artista:

"O meu pai trabalhava no Metropolitan, e me levou até os bastidores para tentar conhecer a Björk, mas claro, fui barrado e não pude entrar no camarim. Eu tinha levado um pequeno cordão e queria dá-lo para ela, mas como não pude, entreguei na mão de uma assessora, que me disse que lhe daria. Anos depois, vendo as fotos da turnê (de shows após o do Rio), percebi que ela usava exatamente esse cordão. Sei que parece muita viagem minha, mas lembro bem do pingente de golfinho. E vindo da Björk, não acho que seja algo impossível".

O presente aparece, inclusive, no DVD oficial Live in Cambridge, gravado quatro meses depois: 


PROCURA-SE: Você estava lá? Sabemos do quanto era incomum a presença de câmeras durante os shows daquela época, mas caso você tenha algum registro (fotos, recortes de jornais, fitas com reportagens na TV e entrevistas), por favor nos envie! O material dessa apresentação histórica, infelizmente, é bem escasso na internet.

Fãs mais antigos, relatam que reportagens e até entrevistas com a cantora foram exibidas na MTV Brasil na época. Graças ao canal no YouTube TVBUG, finalmente agora podemos assistir ao vídeo da entrevista que ela concedeu ao Fantástico (Rede Globo) no Japão, antes de desembarcar no Brasil naquele ano:


Foto: Divulgação

CURIOSIDADE: Um show da "Homogenic Tour" estava marcado para acontecer em São Paulo, em 22/08/98, mas foi cancelado devido ao desmoronamento do palco do festival! O rompimento de um parafuso de 2 cm de diâmetro acabou com o sonho de 20 mil pessoas que não puderam conferir de perto as atrações do 'Close-Up Planet' por lá:

"A culpa foi de um parafuso! Uma simples peça de dois centímetros mal colocada que fez com que um peso muito excessivo ficasse concentrado numa única treliça no teto do palco, que veio a ceder. Visualmente, era perceptível como a parte superior tinha quebrado ao meio - não havia a possibilidade do show acontecer. "Na hora ninguém espera esse tipo de coisa, mas aí você respira fundo, chama guindastes, os responsáveis e tudo mais. Na hora nós e a Mills (montadora do palco) vimos que não daria para o evento acontecer no dia seguinte", lembra Célio Fernandes, da produtora Joker Entertainment, produtora do festival da marca de pasta de dentes. "Olha, do ponto de vista profissional não há mais o que se falar: foi uma fatalidade. Tanto é que foi provado que não houve negligência, nem da marca, nem da produtora, nem de ninguém", explica.



A tarde de 22 de agosto de 1998 era cinzenta em São Paulo. O tempo encoberto casava bem com a sujeira de concreto da sempre movimentada estação Tietê. Mas a monocromia urbana era quebrada por aquela gente colorida que desembarcava por ali desde bem cedo, na concentração do Sambódromo do Anhembi, com seus cabelos espetados, todos bem-humorados. A ansiedade virou angústia quando por volta das 15h, horário combinado, os portões não se abriram. Até que um bafafá se disseminou como queda de dominós pela fila, já impaciente e um pouco bêbada: não haveria mais show. Quando o boato virou verdade pelas bocas dos seguranças do outro lado da grade, não teve outra. Gritaria, revolta, gente chorando, até que uma latinha voou e acertou o segurança, no que uma garota exaltada, gritou: "Seus filhos da puta! Vocês sabem quanto tempo eu trabalhei para vir até aqui?!?!?!?".

Esta foi a cena narrada pelo repórter do site rraurl, que teve ainda que correr de paralelepípedos arremessados por revoltados, e caiu de cara no chão após trombar com um vendedor ambulante, ambos assustados com o pique da Tropa de Choque da PM empurrando geral para a Marginal Tietê. Testemunhos não faltam. "Assim que cheguei no Sambódromo fiquei sabendo do cancelamento. O público ainda não havia entrado e nem tinha sido avisado. Me disseram que só estavam esperando a chegada de reforço policial para anunciar" lembra Fernando Pacheco, que ia trabalhar no evento".

Arquivo: Jean Azevêdo


2004 - Björk no Carnaval de Salvador:

Arquivo: João Paulo Corrêa

Mesmo sem estar em turnê, Björk deu um show no Carnaval de Salvador em 22 de Fevereiro de 2004. Ela que já havia passado por nosso país em 1996 e 1998 para algumas apresentações, retornou durante o período mais conhecido pelos gringos para a gravação de seu álbum Medúlla (no Estúdio Ilha Dos Sapos, de Carlinhos Brown), além de acompanhar a intervenção artística feita por seu companheiro na época.

A faixa em questão é Mouth's Cradle, com a participação dos grupos de percussionistas Ilê Aiyê e Cortejo Afro. Infelizmente, o take escolhido para o corte final acabou sendo outro devido à proposta do disco, formado majoritariamente apenas por vocais. Mas a versão está presente como B-Side do single de Who is It?. Björk os ouviu pela primeira vez durante os ensaios do projeto de seu então namorado, que os convidou para tocar ao lado de um carro alegórico da produção. A gravação da canção da islandesa pesou na consciência dela também por parecer uma atitude muito óbvia de uma turista: "Eu não queria parecer colonialista. Meu cérebro diz não, mas meu coração diz sim para essa música", contou ao jornalista da revista The New Yorker, que a acompanhou durante a viagem e nos presenteou com ótimos relatos e depoimentos da cantora em nosso país.

Em entrevista no Programa do Jô, em 2009, Rodrigo Pitta (compositor, cantor, dramaturgo e diretor criativo) contou que Björk ficou viciada em caipirinha e banhos de descarrego nessa visita a Salvador, tendo visitado, inclusive, alguns terreiros com sua filha. Ele acompanhou a cantora nas gravações com o Cortejo Afro. 

Confira registros da cantora em estúdio no Brasil e na folia do Carnaval:


Muito assediada pelos fotógrafos, cinegrafistas e jornalistas brasileiros, Björk quase não falou com ninguém da imprensa durante o Carnaval de Salvador, o que lhe rendeu adjetivos como "antipática" e "estrela".

"Robert Altman (um famoso cineasta) deveria fazer um filme sobre os paparazzi. Sobre esse pequeno mundo de pessoas que se escondem no mato durante cinco dias, comendo e dormindo mal, como caçadores a espera da presa, Lady Diana ou quem quer que seja. Eles (os paparazzi) se odeiam e odeiam a presa. O foco é somente o momento de matar. Daria um filme muito interessante, não?". E finalizou: "Na verdade, a maioria das pessoas aqui não sabe quem eu sou. Só sabem que eu sou famosa por algum motivo".

A artista se hospedou numa casa na praia de Arembepe, antigo reduto hippie baiano, durante algumas semanas e, mal acostumada à umidade e ao calor, ficou resfriada, segundo a revista. Enquanto, boatos na imprensa brasileira diziam até que ela passou mal com a culinária baiana.

"Eu estava no Brasil neste verão para passar o Carnaval. As pessoas passam o ano inteiro fazendo seus trajes, então em março eles ficam com essa depressão pós-carnaval. Nós da Islândia ficamos assim depois do Natal! Enfim, quando acaba, todos ficam lá com seus figurinos rasgados, deitados na cama. Eu realmente recomendo o carnaval. Eu fui a uma cidade chamada Salvador. Não é tão comercial, como o lado "drag queen" e "Ricky Martin" do Rio de Janeiro. Em Salvador você vê mulheres negras de 70 anos com roupas feitas de papel alumínio, e elas estão muito conectadas com a bateria. Eu adoraria ir novamente, mas é muito quente para pessoas islandesas". (i-D Magazine, 2014)

Fotos: Divulgação (2004)

HUMILDADE: Na casa em que se hospedou em Salvador, Björk fez questão que as pessoas que cuidavam do serviço de limpeza, da cozinha e do jardim se juntassem a mesa com ela, a equipe que participou da gravação do álbum e seus convidados. Sem estrelismos... diferente do que vinha sendo noticiado. A caminho para a festa do Carnaval, ela se divertiu com seus amigos e cantou Like A Prayer da Madonna que tocava no rádio da van que os levou até o local. A cantora queria caminhar entre as pessoas até o seu camarote, mas a ideia foi vetada pelos seguranças após perceberem a enorme quantidade de pessoas que festejavam na rua. Ela ficou encantada.

BJÖRK ATRÁS DO TRIO E O ENCONTRO COM CAETANO VELOSO: Entre milhares de foliões, Björk exibiu muita animação correndo atrás do 'Trio Elétrico' usado na gravação de um longa metragem do seu então parceiro. A obra de arte foi puxada por um trator. O resto do público parecia não entender nada. 

Segundo reportagem do 'Estadão', ela encontrou com Caetano Veloso no Largo do Farol da Barra. Os dois conversaram por algum tempo e o brasileiro se mostrava entusiasmado com o que via.

DANÇANDO NA CLARIDADE NO MEIO DO POVO: Toda sorridente, a islandesa tirou fotos, esbanjou simpatia e teve sua mão beijada por foliões que passavam ao seu lado. No camarote, ela viu a saída do bloco e depois ouviu a tradicional Axé Music de outros trios elétricos e dançou ao som da música Maimbê Dandá de Daniela Mercury. Três horas depois, apareceu no chão no final do percurso para prestigiar o trabalho de toda a equipe.

De vestido de manga comprida cor salmão, Björk estava com cinco amigos e sempre com dois seguranças na sua cola. Segurando seu chapeuzinho com bolinhas vermelhas, dançou, mostrou a língua e aplaudiu sem parar o trio elétrico que passava.

"Eu só quero seguir o trio e não sei o que fazer", disse Björk para uma amiga. Na sequência, a trupe saiu andando no meio da multidão, e depois parou para ver os outros blocos.

Embora tenha começado a noite bebendo champanhe, a cantora terminou dançando entre os populares e dando goles na caipirinha de uma de suas amigas. (FONTE: UOL).

Fotos: Divulgação (2004)

2007 - Volta Tour:

SETLIST: 
Brennið Þið Vitar
Earth Intruders
Hunter
Pagan Poetry
Immature
Hope
Unravel
Pleasure Is All Mine
Jóga
Mother Heroic
The Anchor Song
Desired Constellation
Army Of Me
Innocence
Bachelorette
Five Years
Vökuró
I Miss You (LFO-Freak)
Wanderlust
Cover Me
Hyperballad
Pluto
Oceania
Declare Independence

Após 9 anos sem dar as caras no Brasil com um show, Björk trouxe sua Volta Tour para apresentações em São Paulo, Curitiba e no Rio de Janeiro como parte do Tim Music Festival

A lista de exigências de Björk: Alguns dos 36 integrantes de sua equipe são extremamente alérgicos a determinados alimentos, por isso, a cantora chamou a atenção para a necessidade de se evitar alimentos derivados de leite, açúcar refinado, vinagre, shoyu, cogumelos, lagosta e camarões. Para garantir sua boa alimentação, a islandesa fez questão de trazer sua cozinheira particular para cuidar pessoalmente de suas refeições. No menu, massas, sopa vegetariana e salada. Também foram solicitadas, para cada apresentação da banda, 378 latas e garrafas de bebidas (água, sucos, chás, vinhos e uísque). Por último, segundo a Caras, ela quis que o motorista da banda fosse abstêmio, mas com "idade legal" para poder comprar bebidas alcoólicas em lugares públicos".

Ingresso do Tim Festival 2007 (Arquivo: Jean Azevêdo)

OS SHOWS:

Foto: Reprodução (2007)

Foto: Reprodução (2007)

Pulseira do Tim Festival (Arquivo: Jean Azevêdo)

Björk se apresentou no Rio de Janeiro em 26 de Outubro de 2007, na Marina da Glória para um público de 4.000 pessoas. Ela pediu desculpas pelo português fraco, disse que era muito bom estar de volta ao país e apresentou os músicos que a acompanham. Gritando Viva La Revolución, incendiou a plateia, num bombástico final para uma inspirada apresentação.

Foto: Divulgação (2007)

Fotos: Jean Azevêdo

Em um passeio de bicicleta no Leblon, a artista mandou uma lembrancinha para um fotógrafo que a perturbava durante sua pequena folga antes do próximo show:

Welcome to Leblon

Ainda deu tempo de participar da estreia de O Passado, no Rio de Janeiro. Ela chegou ao Cine Odeon ao lado do elenco, posou para fotos, não quis dar entrevistas e depois foi assistir ao filme do diretor Hector Babenco. O convite partiu da também diretora Monique Gardenberg, que conhecia a cantora de suas outras passagens pelo país, em 1996 e 1998 com os shows de Post e Homogenic. Após a sessão, jantou em um restaurante ao lado de convidados, incluindo Bárbara Paz. Em outubro de 2020, durante live especial da exposição Björk Digital na Twitch, a atriz e diretora disse: "Uma delicadeza. Introspectiva, fala baixo e muito pouco. A gente fica ainda mais interessado em saber quem é esse ser humano. Super reservada, achei lindo". 

Foto: Divulgação (2007)

Já em São Paulo, levou mais de 20 mil pessoas ao Anhembi, em 28/10/07. A islandesa não se apresentava na cidade há mais de 11 anos! Entre os famosos na plateia: Daniela Mercury, Wagner Moura, Débora Falabella, Alessandra Negrini, Lázaro Ramos, Taís Araújo, Mariana Ximenes ("Já tinha visto o show dela em Nova York. Eu adoro o repertório e a performance") e Paulo Ricardo ("Eu vi a Post Tour, em 1996, e foi um dos maiores shows da minha vida. Então trouxe minha filha aqui hoje para assistir ao espetáculo"). Já Luana Piovani perdeu o show no Rio de Janeiro por causa do trânsito: "Eu queria muito ver a apresentação dela, mas não deu por causa do enorme engarrafamento". Camila Pitanga, Vanessa Giácomo e Fernanda Torres não passaram pelo mesmo transtorno.

Fotos: Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba; outubro de 2007 (Divulgação)

O novo encontro: Milton Nascimento tietou Björk no Tim Festival 2007. Ele encontrou a cantora no camarim e pediu para tirar fotos ao seu lado: “Foi um presente que eu me dei no meu aniversário", disse o artista que completava 64 anos naquele dia.

Fotos: Divulgação (2007)

Por volta das 21h de 31 de Outubro de 2007, em seu último show daquela turnê no Brasil, Björk colocava Curitiba para dançar na Pedreira Paulo Leminski. Só podemos torcer para que ela volte logo logo 

Com um espetáculo lindo de se ver e ouvir (o som estava impecável), a cantora encantou o público no último dia da edição de 2007 do Tim Festival, que contou com cerca de oito mil pessoas! A famosa chuva de papel picado aconteceu não só no final em Declare Independence, mas também no início do show. Em Hunter, outra surpresa para os fãs: a artista soltou de suas mãos serpentinas que imitavam teias de aranha, que junto a banda emocionaram bastante a plateia. 

Uma lembrança da chuva de papel picado (Arquivo: Jean Azevêdo)

Segundo a produção do evento, eles tiveram que providenciar, naquela tarde, uma bandeira do Brasil, para decorar o palco. Após a apresentação de pouco mais de uma hora, a islandesa deu uma festa nos bastidores para 60 convidados.

Show em Curitiba (Foto: Divulgação)

Assista ao show quase completo da "Volta Tour" no Brasil em uma edição feita por nossa equipe. O vídeo reúne as apresentações no Rio de Janeiro, em São Paulo e Curitiba! Confira também um vídeo da montagem do palco.

2012 - Biophilia Tour:

Em 25 de abril de 2012, recebíamos a triste notícia de que Björk não poderia trazer sua Biophilia Tour para o show que aconteceria 16 dias depois, no Festival Sonár, em São Paulo. Segundo posts nos perfis oficiais da islandesa nas redes sociais, o motivo foi o nódulo em suas cordas vocais.


Quer saber mais sobre a carreira de Björk? Assista aos episódios legendados da nossa websérie, clicando AQUI


Foto: Divulgação (2007)

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- Jornalista responsável por matéria publicada na Raygun Magazine, setembro de 1997. 
Clique AQUI e confira diversas entrevistas legendadas de Björk.