Pular para o conteúdo principal

Isobel

Foto: Andrea Giacobbe

"Existe uma continuidade épica entre Human BehaviourIsobel e Bachelorette. Não tenho certeza se isso foi uma espécie de piada ou algo sério - provavelmente um pouco dos dois. Basicamente, se trata de uma personagem que eu inventei chamada Isobel, que nasceu de uma faísca em uma floresta sul-americana, não de mãe e pai. Em Human Behaviour, ela é uma garotinha. Em Isobel, ela se muda para a cidade grande e age a partir de sua intuição, percebendo que não é boa para aquele ambiente. Então decide enviar muitas mariposas, que entram pelas janelas das casas das pessoas, como se fossem mensageiras da intuição, para guiar todos que não conseguem ter essa compreensão, para que não continuem a tomar decisões com o cérebro, e essa criatura sendo a porta-voz da intuição não os permite usar palavras. Em Bachelorette ela assume o controle e árvores crescem por toda a cidade, mas então ela percebe que seria melhor estar onde tudo começou: na floresta, sozinha. Tenho um lado meu muito dramático, outro muito romântico e outro bastante hardcore. Eu achei que essas músicas deveriam ser como um romance épico do século 19". 

Segundo Björk, Isobel nasceu em uma floresta. Depois que todas as pedras daquele lugar se transformaram em arranha-céus, e ela já sendo uma mulher adulta, se apaixonou pelas pessoas erradas, algumas espertas demais, e sentiu muita dor: “Daí ela escapou e se *ISOLOU* de tudo. É por isso que ela se chama ISObel e não Isabel", explicou em diversas entrevistas. Os respectivos videoclipes dessas canções, todos dirigidos por Michel Gondry, representam essas histórias. No de Isobel, a personagem tece um mundo único, mas também primitivo, que em seguida se torna como uma teia emaranhada. As formigas que aparecem são como pessoas andando pela cidade. A água é a principal característica deste mundo dela. As diferentes realidades de Isobel se confundem, chamando cada uma para um conflito em questão. 

"Parte dessa música é autobiográfica e outra parte uma narrativa. Na maioria dos meus álbuns, sempre houve uma música baseada em mitos, em literatura. E eu geralmente peço ao meu amigo poeta Sjón para me ajudar com a letra porque quero torná-las algo épico. Para mim, Oceania e Wanderlust também fazem parte dessa continuidade". Fã da música brasileira, Björk já afirmou em entrevistas que escreveuIsobel enquanto ouvia Elis Regina, a quem mais tarde dedicou a canção: "É difícil explicar. Existem várias outras cantoras que gosto, mas há alguma coisa em Elis com a qual eu me identifico. Então escrevi uma canção, Isobel, sobre ela. Na verdade, é mais uma fantasia, porque sei pouco a respeito dela". Quando perguntada se já viu algum vídeo com imagens de Elis, ela respondeu: "Somente um. É um concerto gravado no Brasil, em um circo, com uma grande orquestra. Acho que tem algo com a energia com a qual ela cantava. O que eu gosto em Elis é que ela cobre todo um espectro de emoções. Em um momento, ela está muito feliz, parece estar no céu. Em outro, pode estar muito triste e se transforma em uma suicida". 

O vídeo de Isobel (também dirigido por Michel Gondry) foi filmado durante dois dias numa floresta no norte do País de Gales, em maio de 1995. De acordo com François Nemetä, que trabalhou na produção, Björk não poderia ter sido mais amável durante a criação desta obra cinematográfica: "Estava chovendo. O local ficou lamacento e escorregadio. Björk é uma pessoa tão legal! Como via que todo mundo estava trabalhando duro para seu vídeo, ficava conosco mesmo quando não era preciso, apenas tocando várias músicas para gente. As acomodações para ela foram planejadas para que ela ficasse em um hotel antigo muito bonito, mas ela trouxe sua barraca de acampamento, colocou no jardim do hotel e preferiu dormir lá! Quando o vídeo ficou pronto, nós fizemos uma exibição para toda a equipe em um cinema em Londres. Isso significa que uma cópia em 35 mm foi desenvolvida, diferente do que fazem com 99,9% dos videoclipes". 

Fontes: Rolling Stone Magazine, Stereogum, Record Collector, Paper Magazine, Folha de São Paulo, Les Inrockuptibles e Director-File. 

Postagens mais visitadas deste blog

Björk não está interessada em lançar um documentário

A série de podcasts "Sonic Symbolism" foi editada a partir de 20 horas de conversas de Björk com a escritora Oddný Eir e o musicólogo Ásmundur Jónsson. O projeto traz a própria islandesa narrando a história por trás de sua música. "Não fiz isso para obter algum encerramento terapêutico. A razão pela qual decidi fazer foi que eu estava recebendo muitos pedidos para autobiografias e documentários. Recusei todos! Não quero me gabar, mas estou em uma posição em que, se eu não fizer isso, outra pessoa fará!". A cantora explicou que os documentários feitos sobre artistas mulheres são "realmente injustos, às vezes", que muitas vezes são "apenas uma lista de seus namorados e ficam dizendo: "Ah, eles tiveram uma vida feliz" se tiverem tido um casamento. Mas se não tiver sido o caso, então a vida delas foi um fracasso. Com os homens, eles não fazem nada disso". A intenção de Björk com os episódios é "dar importância ao meu trabalho" e ...

Björk responde pergunta enviada por Mitski

Em 2017, Björk respondeu perguntas de alguns artistas para DAZED , incluindo uma enviada por Mitski : M: Quanta confiança você deposita no seu público e o quanto eles importam para você quando está se apresentando ao vivo? Às vezes, quando performo e é óbvio que a plateia está lá apenas para festejar, sinto que existe um muro entre mim e eles, e acabo tendo crises existenciais sobre isso. Eu sei que muito disso tem a ver com o ego, mas quando você pegou um avião para ir até lá e não tem dormido bem há dias, e então faz um show onde nada parece se conectar, é fácil imaginar o que e para quem exatamente você está se apresentando. B: Hmm... Eu acho que é por isso que sempre pedi para tocar cedo! Muitas das minhas músicas são lentas, então mesmo quando estou sendo a headliner de um festival, pergunto se posso me apresentar ao anoitecer. Eu verifico com antecedência a que horas o sol vai se pôr e tento começar meu set ao anoitecer, daí começa a ficar escuro no meio do caminho, então peg...

Hildur Rúna Hauksdóttir, a mãe de Björk

"Como eu estava sempre atrasada para a escola, comecei a enganar a minha família. Minha mãe e meu padrasto tinham o cabelo comprido e eles eram um pouco hippies. Aos dez anos de idade, eu acordava primeiro do que eles, antes do despertador tocar. Eu gostava de ir na cozinha e colocar o relógio 15 minutos mais cedo, e então eu iria acordá-los... E depois acordá-los novamente cinco minutos depois... E de novo. Demorava, algo como, quatro “rodadas”. E então eu acordava meu irmãozinho, todo mundo ia escovar os dentes, e eu gostava de ter certeza de que eu era a última a sair e, em seguida, corrigir o relógio. Fiz isso durante anos. Por muito tempo, eu era a única criança da minha casa, e havia mais sete pessoas vivendo comigo lá. Todos tinham cabelos longos e ouviam constantemente Jimi Hendrix . O ambiente era pintado de roxo com desenhos de borboletas nas paredes, então eu tenho uma certa alergia a essa cor agora (risos). Vivíamos sonhando, e to...

A história do vestido de cisne da Björk

20 anos! Em 25 de março de 2001 , Björk esteve no Shrine Auditorium , em Los Angeles, para a 73º edição do Oscar . Na ocasião, ela concorria ao prêmio de "Melhor Canção Original" por I've Seen It All , do filme Dancer in the Dark , lançado no ano anterior.  No tapete vermelho e durante a performance incrível da faixa, a islandesa apareceu com seu famoso "vestido de cisne". Questionada sobre o autor da peça, uma criação do  fashion   designer macedônio  Marjan Pejoski , disse: "Meu amigo fez para mim".    Mais tarde, ela repetiu o look na capa de Vespertine . Variações também foram usadas muitas vezes na turnê do disco, bem como em uma apresentação no Top of the Pops .  "Estou acostumada a ser mal interpretada. Não é importante para mim ser entendida. Acho que é bastante arrogante esperar que as pessoas nos compreendam. Talvez, tenha um lado meu que meus amigos saibam que outros desconhecidos não veem, na verdade sou uma pessoa bastante sensata.  ...

Björk e a paixão pelo canto de Elis Regina: "Ela cobre todo um espectro de emoções"

"É difícil explicar. Existem várias outras cantoras, como Ella Fitzgerald , Billie Holiday , Edith Piaf , mas há alguma coisa em Elis Regina com a qual eu me identifico. Então escrevi uma canção, Isobel , sobre ela. Na verdade, é mais uma fantasia, porque sei pouco a respeito dela".  Quando perguntada se já viu algum vídeo com imagens de Elis, Björk respondeu:  "Somente um. É um concerto gravado no Brasil, em um circo, com uma grande orquestra. Apesar de não conhecê-la, trabalhei com ( Eumir ) Deodato e ele me contou várias histórias sobre ela. Acho que tem algo a ver com a energia com a qual ela canta. Ela também tem uma claridade no tom da voz, que é cheia de espírito.  O que eu gosto em Elis é que ela cobre todo um espectro de emoções. Em um momento, ela está muito feliz, parece estar no céu. Em outro, pode estar muito triste e se transforma em uma suicida".  A entrevista foi publicada na Folha de São Paulo , em setembro de 1996. Na ocasião, Björk divulgava o ...