"Eu estava tão nervosa. Lembro que um amigo dela me disse: "Não se preocupe, ela faz isso o tempo todo!". Eu fiquei maravilhada com sua coragem e seu senso de abandono. No estúdio, eu não conseguia acompanhá-la, me sentia como um cãozinho perseguindo um cavalo. Era como estar ao lado de um vulcão". O relato está presente na edição de 16 de fevereiro da 'Uncut Magazine', que trouxe nossa islandesa na capa. Em meio a uma nova entrevista, a revista relembrou este e um depoimento de 1993, dado em um estúdio em Londres. Na ocasião, Björk lamentou como alguns de seus velhos amigos deixaram de ser destemidos: "As pessoas costumam ser realmente selvagens quando adolescentes, e depois pensam que se tornam seres convencionais, mas você tem que se reinventar todos os dias, você tem que reinventar todos os dias aquilo que é dito selvagem".
"Quando minha mãe se divorciou do meu pai, eu tinha um ano de idade. Nos mudamos para fora de Reykjavík, para um subúrbio onde viviam artistas, pessoas que não se encaixavam nas regras e pessoas com pouco dinheiro. Morávamos em uma casinha. Se chovia muito, tínhamos que levantar à noite para esvaziar o balde cheio d'água, mas quando crianças parecia emocionante, era uma época muito feliz. A natureza do relacionamento entre pais e filhos é interessante: a percepção muda com o tempo. Agora que estou mais velha, entendo que ela rompeu com o patriarcado e se mudou para lá porque, embora fôssemos pobres, éramos livres. Ela havia encontrado um trabalho muito "físico" na frente de casa, onde aprendeu a ser carpinteira. Construiu nossas camas, fez a ligação da energia, costurou nossas roupas e cozinhou. No meu tempo de criança na Islândia comíamos mal, muito salgado, com muitos molhos e conservas, o que é normal para uma população que vive há mil anos no frio. Em vez disso, ...
