Pular para o conteúdo principal

Leitura Recomendada: Jantando na casa de Björk

 
Em agosto de 2012, Björk convidou Oliver Sacks e seu parceiro Bill Hayes para jantar em sua casa, em Reykjavik. O relato a seguir está incluso no livro que o companheiro do escritor e neurologista, que morreu vítima de câncer em 2015, irá lançar sobre seu relacionamento com o autor de "Musicophilia", livro que inspirou parcialmente a cantora no álbum "Biophilia": 

"Ela já o conhecia há alguns anos, quando foi convidada para participar de um documentário da BBC sobre música, mas nunca tinham passado um tempo juntos até se tornarem amigos. Na verdade, pouco sabíamos de seu trabalho até a viagem. Eu comprei uma coleção de seus videoclipes em DVD e organizamos um curso intensivo sobre sua carreira. Ele sentado na beira da cama, a poucos centímetros da tela da TV, assistiu imóvel, fascinado, principalmente, pelas imagens, durante aqueles 90 minutos, profundamente impressionado com seu talento e criatividade.

Já na estrada que nos conduzia ao estacionamento da casa dela na Islândia, eu a vi da janela da cozinha. Parecia estar no meio de um trabalho, concentrada. A residência tinha alguns simples arbustos como cerca. No jardim da frente havia uma mesa e algumas cadeiras para crianças. O cenário era como um encontro para o chá. Fomos até à porta da frente. Lembro-me até da maneira como ele fez para saudá-la. Fomos levados até a sala, e ela nos apresentou a dois amigos: James, o inglês, e Marguerite, o islandês, que tinham o mesmo cabelo vermelho brilhante. Ela estava com o cabelo penteado para cima e preso com um grampo com asas azuis, usava uma túnica simples, composta de diversas cores e desenhos diferentes, talvez tivesse sido obra sua, uma calça branca e sapatos de salto alto. Seu rosto estava lindo e sem maquiagem.

Eu entrei na cozinha, onde ela preparava tudo. O papel de parede era uma colagem de fotos de tranças bem ornamentadas em diferentes mulheres. Foi tudo muito relaxante e despretensioso, uma ótima anfitriã, que nos fez sentir confortáveis, nos alimentando como se fosse nossa mãe. Sobre a mesa, em pratos pequenos, quase imediatamente trouxe uma panela fumegante com truta grelhada, salada e batatas cozidas. Conversamos por algum tempo sentados naquelas cadeiras esculpidas em troncos de árvores. A toalha de mesa tinha sido bordada com desenhos de conchas. Do lado de fora da janela, notei o Farol. Björk disse que em sua cozinha havia um diário com registros sobre o aumento e a queda da corrente da água, de modo que ela sabia quanto tempo ele ficaria longe da maré. Também nos contou que tinha feito uma pesquisa sobre se poderia comprá-lo, mas a coisa não foi pra frente e ela entendeu que um farol deve pertencer a todos.

Depois que comemos, ela nos levou até sua mesa, passando por uma pequena porta na escada em espiral. E claro que não era um lugar comum, mas sim feito de pedras basalto! Sem mencionar o impressionante corrimão feito de ossos de baleia. Ela nos mostrou a lâmpada que estava pendurada acima de nós e 'jogou' a luz na escada, e depois subimos até um quarto e lá nos mostrou dois instrumentos musicais: uma celesta e algo que parecia um cravo. Ambos modificados de alguma forma, com a ajuda de instruções de um programa para computador. Oliver ficou eufórico perguntando como ela tinha feito aquilo. Foi então que percebi o quanto suas mentes eram parecidas.

Björk nos serviu uma torta de groselhas, reunida a partir de plantas de seu próprio jardim. Ela disse que tinha preparado-a com sua filha na noite anterior. Apontou para um espaço vazio na tigela, e confessou: "Por eu ser a cozinheira, tive que comer primeiro. Cada pedaço era guarnecido com abundância de creme de leite fresco e chá. A louça era com o tema de "Alice No País das Maravilhas". Os copos estavam cortados e nossa anfitriã explicou o motivo rindo como uma criança: "Estas são xícaras para destros". Quando olhamos para o relógio já era 3:30. Oliver assinou uma cópia de seu livro "Illusions" e a presenteou com uma dedicatória". 

Comente com outros fãs:

Postagens mais visitadas deste blog

Para a Folha de São Paulo, Björk fala sobre o envelhecimento de sua voz

Na próxima terça-feira, 18 de junho de 2019, a exposição Björk Digital chega a São Paulo no Museu da Imagem e do Som (adquira ingressos clicando AQUI). Boa parte das datas já estão, inclusive, esgotadas! Em processo de divulgação do projeto, a cantora islandesa concedeu uma entrevista exclusiva para a Folha,em uma conversa por telefone direto de sua casa na Islândia. A matéria é de Diogo Bercito. Confira:
Björk discutiu alguns tópicos, como o estado atual de seus vocais: Ela vem cantando com tons abaixo das versões de seus discos já há alguns anos: "Deixo que a minha voz envelheça". A artista ainda se mostrou tranquila sobre a passagem de tempo natural da vida, e criticou a discriminação que a maioria das mulheres sofrem dando como exemplo Frank Sinatra e Johnny Cash, que puderam envelhecer sem esse tipo de cobrança do público, que parecia considerar suas vozes ainda mais charmosas com o avanço da idade. Enquanto, Whitney Houston era ridicularizada por não conseguir mais ca…

5 motivos para não perder a exposição Björk Digital em São Paulo

Como já noticiamos aqui, a exposição Björk Digital virá ao Brasil em uma temporada de dois meses no Museu da Imagem do Som, em São Paulo. Entre 18* de junho e 18 de agosto, a mostra estará nas instalações do Espaço Redondo e do Espaço Expositivo do centro cultural, com uma série de atividades interativas que prometem captar a emoção do público, como já aconteceu com os mais de 400 mil visitantes nos últimos 3 anos, nos 12 países que receberam o projeto!
A abertura para o público geral será no dia 19/06*.
Você ainda está em dúvida se deve comparecer ou não? O Björk BR separou uma lista com 5 motivos para não perder a vinda do trabalho audiovisual da islandesa ao nosso país: Em outras palavras, o próprio conteúdo! 1. Sessão de cinema  Tão famosos quanto as canções de Björk são seus clipes lendários! A obra assinada por ela em colaboração com diretores renomados, conquistou muitas pessoas e revolucionou a música pop nos últimos 26 anos, e está na programação da exposição da cantora. Mas …

Relembre as vindas de Björk ao Brasil

As apresentações mais recentes de Björk no Brasil aconteceram há mais de 10 anos, entre 26 e 31 de Outubro de 2007. Relembre estas e outras passagens da islandesa, que já disse ter vivido momentos mágicos em nosso país.
Mas antes de tudo, uma curiosidade: Björk já foi capa da famosa/extinta revista brasileira Bizz, edição de Dezembro de 1989, o que comprova a divulgação do trabalho da artista no Brasil antes mesmo do grande sucesso e reconhecimento em carreira solo.

1996 - Post Tour:
SETLIST: Army of Me/One Day/The Modern Things/Venus as a Boy/You've Been Flirting Again/Isobel/Possibly Maybe/I Go Humble/Big Time Sensuality/Hyperballad/Human Behaviour/The Anchor Song/I Miss You/Crying/Violently Happy/It's Oh So Quiet.
Em outubro de 1996, Björk vinha pela primeira vez ao Brasil com shows marcados em São Paulo (12/10/96) e no Rio de Janeiro (13/10/96), como parte do Free Jazz Festival.



Em entrevista à Folha de São Paulo, Björk se disse ansiosa pelas apresentações:
"Vai ser mu…