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Emocionante: Björk responde à perguntas interessantes em novo trecho de entrevista


Se você tivesse a oportunidade, o que perguntaria a Björk? Para a edição de Outono de 2017 da Dazed & Confused Magazine, artistas como Arca, Michel Gondry, Eileen Myles, Hans-Ulrich Obrist e Haxan Cloak, alguns que até já colaboraram com a islandesa ao longo dos anos, fizeram uma série de questionamentos:

HAXAN CLOAK

Haxan Cloak: Como você define relevância em relação à música? 'Ficar relevante' é uma frase frequentemente usada ao discutir artistas que tiveram carreiras longas. A relevância parece ser um termo tão subjetivo, então eu me pergunto qual música você consideraria "relevante" e como você vê sua própria música dentro disso?

Björk: Essa é uma boa pergunta. Eu acho que uma resposta sincera e simples sobre isso é que sou atraída a fazer coisas que eu sinto que são eternas. Às vezes surgem coisas novas e eu sinto que as reconheço de alguma forma, como se fosse a música que sempre quis ouvir, mas que eu só estava esperando que alguém fizesse. Ou talvez sempre existiu e alguém simplesmente teve que recriar, mas talvez seja uma questão de gosto também, sabe? Para ser menos profunda! Eu sinto que com um monte de coisas que surgiram no início dos anos 2000, encontrei uma maior dificuldade em me relacionar com aquelas novidades. E depois, nos últimos cinco anos, houve montanhas e montanhas de coisas novas que eu absolutamente adorei! Sinto que essa geração foi ainda mais ao núcleo e conseguiu manter os melhores fragmentos do que a minha geração fez, e depois adicionou alguns outros elementos.

JENNY HVAL

Jenny Hval: Qual é a conexão entre a música e a magia? (Esta questão é parcialmente inspirada na série de quadrinhos Promethea de Alan Moore).

Björk: Eu não li esse livro, mas parece incrível! Obviamente, eu pretendo ligar as duas coisas sempre que possível e ter os melhores resultados. Procuro encontrar a música certa para tocar na minha casa, no meu carro ou o que for no meu cotidiano para curtir e elevar o momento, sem que seja algo agressivo ou passivo. Eu diria que faço essa pesquisa sem parar! Se acontece durante um show, uma dança em uma boate ou preparando canções para as pessoas, faço o meu melhor para fundir as duas coisas.
 

SERPENTWITHFEET

Serpentwithfeet: Seu trabalho tem sido uma bússola implacável para mim ao longo dos anos. Para ser bem honesto, suas palavras deram uma base a muitos de nós. "Unravel", "Hyperballad" e "Lionsong" são apenas alguns monumentos de Björk na minha vida. Mas, obviamente, você nos ensinou muitas lições com todas as suas músicas. Há dias em que se tornar transparente é algo exaustivo?

Björk: Muito obrigada do fundo do meu coração! Isso significa muito para mim! E, absolutamente, tento sem parar encontrar o equilíbrio, mas não é algo que não é para ser fácil para todos nós? Não são as escolhas que fazemos que nos tornam quem somos? Eu provavelmente ainda a farei até no meu último dia de vida. Esse dia começará comigo tentando decidir se quero um cappuccino duplo pela manhã e conquistar o mundo, ou abraçar com calma o yoga introvertido...


MITSKI

Mitski: Quanta confiança você coloca em seu público e o quanto eles importam para você durante as suas apresentações ao vivo? Às vezes, quando eu toco e é óbvio que a plateia só está lá para se divertir, sinto que existe uma parede entre mim e eles, e acabo tendo crises existenciais sobre isso. Eu sei que muito disso tem a ver com o ego, mas quando você pegou um avião para ir até lá e não tem dormido bem há dias, e então faz um show onde nada parece se conectar, é fácil imaginar o que e para quem exatamente você está se apresentando.

Björk: Hmm... Eu acho que é por isso que sempre pedi para tocar cedo! Muitas das minhas músicas são lentas, então, mesmo quando estou sendo a headliner de um festival, pergunto se posso me apresentar ao anoitecer. Eu verifico a que horas o sol vai se por e tento começar meu set ao anoitecer, então começa a ficar escuro até a metade do show, então você pode terminá-lo com as faixas mais agitadas. As primeiras músicas podem ser embaraçosamente lentas, mas isso faz com que fiquem aqueles que conseguem encará-las e que querem concentrar-se em permanecer até o final, e os outros vão embora. Portanto, eu entendo você! O que é mais irritante para nós músicos são os telefones - pessoas que ficam mandando mensagens ou tirando fotos. Isso meio que quebra a magia!

MICHEL GONDRY 

Michel Gondry: Alfred Hitchcock não é meu diretor favorito, mas ele fez muitos filmes. Existem duas fotos muito famosas dele: uma na qual ele está empilhando todos os roteiros de seus filmes como uma torre e outra em que ele alinhou todas os rolos de filme no chão. Existe uma Björk agora, mas tiveram muitas Björks no passado. Você as vê empilhadas, como a primeira foto, ou alinhadas, como na segunda? Em outras palavras, a versão alinhada ilustra mais claramente a noção de tempo e a torre é mais como estar dentro de um tronco de uma árvore ou em camadas de sujeira na floresta. Existe apenas uma Björk que cresceu?

Björk: Ha, essa é uma pergunta incrível! Eu acho que nos vejo um pouco como um planeta com nossas vidas orbitando em torno de nós como a lua, e o truque é de alguma forma livrar-se de bagagens desnecessárias. Se não pudermos processar coisas, a nossa lua vai para a órbita e implodiremos, e se ficamos tão neuróticos ou envolvidos na loucura, nossa lua deixa sua órbita no espaço. Isso faz sentido? Então, isso significa que eu não estaria de volta a nenhum desses 'catálogos' antigos, hahaha. Também explica por que a minha exposição digital se adequa melhor ao meu personagem do que as retrospectivas gigantes.

HANS-ULRICH OBRIST

Hans-Ulrich Obrist: Qual é o seu projeto não realizado? Qual é o seu sonho?

Björk: Eu tenho muitas coisas que eu gostaria de fazer. Droga, acho que já engoli que não farei tudo antes de eu morrer, então tenho tentado ver o que é prioridade para mim. Quero escrever o maior número de canções diferentes, verdadeiras e comemorativas
que eu puder, e não apenas deixá-las deitadas dentro de mim, sem verem a luz do dia. Porque este universo é realmente um espetáculo magnífico, e precisa ser espelhado.

ARCA

Arca: Uma das coisas mais inspiradoras que já presenciei foi ver a maneira com a qual você lida com a vida, como sua atitude em relação a nutrir e solucionar o que, parece ser algo sem saída terminar como uma matéria-prima. Inúmeras vezes eu vi você transformar as coisas olhando além do óbvio com mente aberta, criando uma maneira de harmonizar situações de uma maneira mais divertida. Encontrar uma maneira de fazer tudo funcionar junto significa acreditar em considerar todas as possibilidades e depois escolher. Você se importaria em tentar explicar o que essa atitude significa para você como artista e como ser humano?

Björk: Obrigada! Esse é um dos elogios mais exuberantes que já recebi, especialmente de alguém como você! É que às vezes as coisas parecem bastante caóticas, então não sinto que estou fazendo um trabalho muito bom. Mas acho que a vida é caótica em sua natureza e é preciso cooperar com esse caos. Não se pode retirar, isolar e criar uma vida disciplinada e forçada fora disso. Você e eu falamos muito sobre como o elemento feminino em nós foi subestimado e desprezado, mas queremos atualizar isso! E nos orgulhamos de ser as rainhas de conectar todos os pontos e criar um fluxo entre as coisas. Deve haver equilíbrio entre tantos elementos quanto o possível, para que nossos mundos pessoais funcionem com aquele grande exterior.

EILEEN MYLES

Eileen Myles: Você tem alguma visão de você como uma artista realmente antiga? O que você vai estar fazendo?

Björk: Na verdade, eu sempre tive uma melhor noção do que eu faria depois do que o agora. Eu adoraria apenas escrever músicas, sair com meus familiares e amigos na natureza, cozinhar, caminhar e dançar. Eu gostaria de uma vida mais simples do que agora, então meio que estou fazendo meu dever de casa, experimentando o máximo para que eu possa ter esses momentos mais calmos depois, e escrever sobre isso.
 

O novo álbum de Björk será lançado ainda em 2017. Fique ligado!

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