Pular para o conteúdo principal

Em nova entrevista, Björk fala sobre se expor através de sua arte


Acaba de ser divulgada uma nova entrevista de Björk feita por um site polonês. Confira a tradução:

A arte é uma oportunidade para extravasar, mas também é um risco pessoal. Você já desistiu de algum projeto, sentindo essa ameaça emocional?
 
Isso ocorre com bastante frequência. Talvez seja porque eu sou a mais velha de seis irmãos, e também porque fui mãe muito jovem. Eu sempre soube que em algum lugar neste mundo da música existe uma vida real. Além disso, sempre presto muita atenção no tipo de arte criada sem consideração alguma pelas emoções humanas. Procuro manter um equilíbrio, no qual não há chance de maiores danos, o que não significa que eu não me arrisque, mas sim que acredito que é possível sacrificar algumas coisas pela música, como também acontece no amor e na família. Se já me encontrei em um "perigo emocional" por causa da minha arte? Estou em um momento em que seria muito mais perigoso ficar em silêncio.

Eu vi a sua exposição "Björk Digital". O choque do mundo caleidoscópico da realidade virtual com a paisagem mágica de Reykjavik foi impressionante. Como você conecta a natureza com a tecnologia?
 
A vida na Islândia ainda proporciona grande prazer, por um lado, estou cercada pela natureza, e por outro vivo em uma das grandes capitais europeias. Minha realidade é e não é urbana ao mesmo tempo. 

Em uma das entrevistas sobre o novo álbum "Utopia", você o comparou com o Tinder, um aplicativo de namoro onde as pessoas decidem de quem gostam. Você acha que a tecnologia encobre nossos sentidos e emoções?
 
Dependerá de nós se permitiremos que a tecnologia apague nossas emoções. Quanto a isso do Tinder você sabe muito bem que eu estava brincando! Björk no Tinder? Hmmm, eu não acho que isso seja possível! Eu estava me referindo a um novo tipo de emoção além daquelas presentes no meu último álbum, "Vulnicura", que falou sobre fechar alguns capítulos na vida. Desta vez, estou entrando em um novo território emocional e todos os meus sentidos estão em alerta total.

O que as artes visuais lhe concedem, que não podem vir da música?

Desde o início, o lado visual era como uma dica para aqueles que não conseguiam interpretar na primeira vez, já que as pessoas precisam ouvir uma música muitas vezes antes de entrarem em contato com ela. A imagem geralmente tem um efeito imediato.

Em cada novo álbum, você conta uma nova história. A sua arte se encaixa em uma biografia?
 
Todos os meus álbuns são uma combinação de temas biográficos, além de um conteúdo um pouco mais abstrato. Eu já escrevi sobre um dos meus amigos na primeira pessoa e sobre mim na terceira. Em algum lugar entre essas histórias eu crio outras completamente fictícias. Tudo tem verdade e falsidade ao mesmo tempo. 

O mundo caiu em uma onda de ódio. Como artista, você sente o dever de combater o mal?
 
Eu percebo plenamente isso, porque eu me encontrei em uma situação na qual meu antigo estilo de vida não estava mais funcionando, então eu tive que criar algo novo pra mim. Eu acho que muitas pessoas se sentem como eu, então minha música pode trazê-las um certo conforto, que acalma a alma. É difícil ajudar, ainda mais se não for algo sincero. Toda excitação forçada é falsificada. 

O conceito de utopia é sobre ter esperança em algo muito cativante, como uma poderosa fonte de inspiração para os artistas. Mas a felicidade total sufocaria toda a criatividade?

Como eu disse, quando uma certa etapa de sua vida acaba, você precisa criar novas ideias. Então você sonha, se esforça até chegar na utopia. Mas se apenas metade de suas expectativas forem cumpridas, está tudo bem. A vida que consiste na metade daquilo que foi sonhado ainda é uma vida saudável.
 

Ao contrário de muitos artistas contemporâneos, sua colaboração com outras pessoas ainda dá uma impressão de algo real.
 
É uma questão de instinto em buscar alguma sinergia. Quando você trabalha com alguém e sente que ambos estão conectados, isso significa que está fazendo sentido. Tive a sorte de encontrar Alejandro Ghersi (Arca), um artista incrivelmente talentoso. 

Eu chorei quando assisti ao filme "Dançando no Escuro" pela primeira vez. Você chora quando entra em contato com a arte?
 
Eu choro o tempo todo! Há menos de dois dias, eu fiquei completamente desolada com o filme "Heaven" de Susanne Bier.

Você às vezes sente a necessidade de escapar da arte?


Constantemente! Eu vivo uma vida bastante normal na Islândia. Lá estou cercada por velhos amigos e pela minha família. Em tal situação, a arte se torna uma aventura tentadora.

"Utopia", o novo álbum de Björk, sairá em novembro pela One Little Indian Records. A data exata do lançamento ainda não foi divulgada.

Postagens mais visitadas deste blog

Relato: "O dia em que conheci Björk pessoalmente em São Paulo"

"O Dia das Crianças do ano de 1996, foi uma data inesquecível! Eu estava trabalhando pelas ruas de São Paulo e passando em frente ao Maksoud Plaza, tive a ideia de perguntar pelos convidados do Free Jazz Festival. Estávamos na semana das apresentações e para a minha surpresa, descobri a informação que eu queria, nossa amiguinha "islandeusa" se hospedaria lá. Todo envergonhado, perguntei do pessoal do hotel como eu poderia entrar em contato com os organizadores do evento, e me aconselharam subir até o segundo andar, lá existia uma sala chamada "Primavera", e uma coletiva de imprensa iria acontecer no dia do show. Encontrei sem querer, uma fada madrinha chamada Ana Paula. A mulher mais bonita que eu já vi na vida, e um fotógrafo que eu não me lembro bem o nome. A moça era encarregada de toda a organização do festival e eu disse que gostaria muito de participar da coletiva, e que tinha dois desenhos para entregar para Björk. Falei sobre o meu amor pela artista, …

Björk e Milton Nascimento - A Travessia para um grande encontro

Poucas horas antes do show no Metropolitan, no Rio de Janeiro, em 20 de agosto de 1998 (saiba mais AQUI), Björk conversou com a imprensa brasileira, e esteve junto de Milton Nascimento. Ela foi uma das atrações principais do festival Close-Up Planet:


Ao jornal Extra, ela contou que é fã não só de Elis, mas também do Sepultura. Falando de Milton Nascimento, revelou: "Cheguei no sábado (acompanhada de uma amiga de infância) e fiquei bêbada com algumas pessoas ouvindo as músicas dele". Segundo a publicação, a cantora teria cogitado a ideia de ir a apresentação "Tambores de Minas" da lenda brasileira, no Canecão. Ela admitiu que do line-up do festival, só conhecia mesmo as atrações internacionais: "Tenho que dizer que sou ignorante em relação à música brasileira, e isso me envergonha". Também deixou claro que, como de costume, não incluiria nada do Sugarcubes no setlist: "São meus amigos, crescemos juntos. Não posso tocar uma música da banda sem eles&qu…

Relembre perguntas de Kylie Minogue para Björk em chat realizado com fãs, em 2003

Em 2003, o site do SHOWStudio organizou um chat com Björk. Eles separaram perguntas de fãs e também de alguns artistas, incluindo a maravilhosa Kylie Minogue
K: Meu empresário se lembra de ter conversado contigo nos bastidores de uma premiação, sobre os méritos e as dificuldades de se comprar uma ilha particular. Você ainda tem o desejo de encontrar esse refúgio? Quais os motivos? É para escapar da sensação de opressão que a atenção do público e da mídia podem trazer, ou você acha que ainda pensaria nisso mesmo que não fosse conhecida?
B: Acredito que romantizei isso desde que era criança. Eu quase comprei uma certa vez, mas quando essa história se tornou pública, voltei atrás. Então, pode ser que esteja ligado à ideia de fuga. Quando estou fazendo muita música e cantando bastante, não penso muito em ilhas. Comecei a perceber que talvez não precise literalmente ter uma, é mais um estado de espírito mesmo. Mas, ainda sonho em consegui-la. Talvez quando esti…

A paixão de Björk por Kate Bush

"Eu gostaria de ouvi-la sem parar. Era muito divertido acompanhar sua música na Islândia. Eu acabei adquirindo os álbuns muitos anos depois que saíram, então eu não tinha qualquer contexto, eu estava simplesmente ouvindo-os no meu próprio contexto. E todas as minhas canções favoritas eram as “lado-B” do terceiro single, por exemplo.
E então eu vi alguns documentários sobre ela, era a primeira vez que eu via as coisas de um ponto de vista britânico e eles estavam falando: "Ela esteve no Top 3 das paradas musicais, e foi no Top of The Pops, e fez muito melhor do que o fracasso do álbum anterior”. E foi o oposto total para mim! É tão ridículo, esta narrativa de sucesso e fracasso. Como, se você faz algo surpreendente, a próxima coisa tem que ser horrível. É como o tempo ou algo assim. Dez anos mais tarde, alguém assiste na Islândia ou na China e é totalmente irrelevante.

Para mim, ela sempre representará a época de exploração da própria sexualidade,…

Relembre as vindas de Björk ao Brasil

As apresentações mais recentes de Björk no Brasil, aconteceram em 2007. Relembre todas as passagens da islandesa por nosso país, nesta matéria detalhada e cheia de curiosidades!

Antes de vir nos visitar em turnê, a cantora foi capa de algumas revistas brasileiras sobre música, incluindo a extinta Bizz, edição de Dezembro de 1989. A divulgação do trabalho dela por aqui, começou antes mesmo do grande sucesso e reconhecimento em carreira solo, ainda com o Sugarcubes.
1996 - Post Tour:
SETLIST:  Army of Me One Day The Modern Things Venus as a Boy You've Been Flirting Again Isobel Possibly Maybe I Go Humble Big Time Sensuality Hyperballad Human Behaviour The Anchor Song I Miss You Crying Violently Happy It's Oh So Quiet.
Em outubro de 1996, Björk finalmente desembarcou no Brasil, com shows marcados em São Paulo (12/10/96) e no Rio de Janeiro (13/10/96), como parte do Free Jazz Festival.





Em entrevista à Folha de São Paulo, Björk se disse ansiosa pelas apresentações:
"Vai ser mui…