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Björk escreve suas próprias regras


The Sydney Morning Herald é o principal jornal australiano publicado diariamente na cidade de Sydney, Austrália. É também o mais antigo e conta com outras publicações como "The Age" e "Spectrum", que em suas edições de novembro/2017 trazem uma nova entrevista de Björk.

Do conforto de seu lar na Islândia, Björk dá continuidade a maratona de divulgação do novo álbum "Utopia", que será lançado no próximo dia 24 de novembro. Vale lembrar que há alguns anos nossa islandesa tem adotado a posição de não dar muitas entrevistas (principalmente via vídeo), preferindo permanecer discreta ou se pronunciando para a imprensa via depoimentos por e-mail ou em redes sociais, então entendam que uma conversa com ela por telefone é uma raridade (e um privilégio). A artista falou sobre suas colaborações e alguns outros assuntos. Confira:

Convites: "Não quero me gabar, mas muitas pessoas querem trabalhar comigo. É que eu não digo sim a qualquer um". 

A turnê do álbum anterior: "Vulnicura" foi o álbum mais difícil que eu já fiz. Fizemos alguns shows em que a maioria das pessoas estavam soluçando na plateia. Então, de repente, nós da equipe íamos até os bastidores, bebíamos champanhe e olhávamos um para o outro tipo: "que porra foi essa que acabou de acontecer?".

Arca: "Eu o convidei para um dos meus shows e depois ele se ofereceu para fazer um DJset depois das minhas últimas apresentações em Londres (com "Biophilia" -aquela do DVD/filme-). Foi assim que tudo aconteceu. Nós somos de países e gerações diferentes, mas quando ele toca quase sempre as mesmas músicas que eu. Temos um gosto musical bem semelhante e essa conexão incrível. Parecia perfeito me reunir a alguém assim novamente". 

Existe algo sobre Björk que também chamou a atenção de muitos outros artistas, incluindo David Bowie e Iggy Pop, que assistiram a um show do Sugarcubes, em Nova York, em 1988. Em 1992, a artista percebeu que eles já tinham feito o suficiente e que desejava seguir sozinha: 

Debut: "Comecei a fazer minha própria música sozinha e foi até tarde. Não posso reclamar como as coisas acabaram para mim. Eu mantive todas aquelas ideias dentro de mim por muito tempo, que finalmente se concretizaram quando comecei uma carreira solo".

Composições: "Eu não escrevo rapidamente e trabalho melhor em ciclos, sabe? Uma parte de você muda sempre como a lua - no contexto, no emocional e artisticamente". 

Popularidade: "Tenho sido uma celebridade das principais listas e não me sinto realmente confortável nessa categoria", disse Björk se referindo principalmente aos tempos em que frequentava clubes em Londres nos anos 90. "O dia em que eu não puder caminhar em paz fazendo minhas compras será o dia em que minha arte e minha música sofrerão".

Björk escreve suas próprias regras e ninguém irá lhe dizer o que fazer. No ano passado, a famosa grife Gucci perguntou se poderia usar uma de suas músicas em um comercial de TV e ela disse que não: "Eu simplesmente não podia permitir isso. Eu sou uma velha punk e é uma coisa que eu nunca fiz. Eu falei que se eles quisessem colaborar, eu até estaria interessada. O que eu faço é como artesanato - escrevo minhas canções. O que (o diretor criativo da Gucci) Alessandro Michele faz é um ofício. Eles ficaram entusiasmados com a sugestão e o resultado é esse vestido ridiculamente incrível que eu uso em um videoclipe ("The Gate"). Eles criaram sete esboços em cores diferentes com vários tipos de desenhos e me enviaram embrulhados em um papel bonito, com caixas e fitas coloridas".

  
Björk foi até Milão e fez um DJset para toda sua equipe em uma festa da Gucci. Michele a convidou para o seu desfile, mas ela recusou: "Finalmente estar em uma posição em que eu posso controlar o que eu quero ou não é muito gratificante".

Críticas: Apesar de ter recebido algumas críticas negativas sobre sua exposição no MoMa (2015), Björk parece não ter se incomodado: "Foi uma honra ter sido reconhecida por uma instituição cultural como o MoMA". 

Trump: "Não me faça começar a falar sobre o Trump. Eu só posso dizer o que já foi dito antes. Eu tenho sido uma ativista sobre o meio ambiente na Islândia há décadas e sei que não é fácil fazer com que todos os países assinem o acordo (de Paris). Isso demorou 20 anos. Acho que o meu conselho para as pessoas é que devemos resolver as coisas, não podemos confiar nestes governantes - principalmente quando se trata de mudanças climáticas. Temos que apoiar o processo do "faça você mesmo" e criar soluções".

Tecnologia e assédio do público: "Os telefones (na plateia dos meus shows) me assustam. Se eu estiver em um jantar, em uma piscina ou em um parque de diversões com meu filho, sempre há pelo menos 20 pessoas com telefones ao meu redor e isso cria uma energia diferente. Irei cada vez mais até os extremos e parte disso é usar máscaras para me proteger. Eu posso ir até boates, assistir a shows de bandas e levar uma vida relativamente normal. Não sinto falta de nada ao usá-las. Eu fiz várias mudanças muito claras na minha vida, como quando me afastei de Londres para viver na Espanha, em 1996. Essa vida de estar sob os olhos do público não era para mim. Esse tipo de ritmo mata minha criatividade e não posso funcionar dessa maneira. Fazer o que as Kardashians fazem é um trabalho de tempo integral. Não estou julgando ninguém, mas é um trabalho e um estilo de vida que não gosto. Eu quero ser uma criador de música, não viver minha vida me comercializando".

Utopia: "Não se trata apenas de muito otimismo, pois também tem seus momentos sombrios. No processo de fazer este álbum, tentei encontrar o meu lugar através dos meus sonhos e como eu gostaria de viver minha vida. Tudo o que tem seu lado triste precisa de uma sombra ou algo mais leve. É importante não eliminá-la. É preciso que coexistam".

Com a ajuda de James Merry, Björk pesquisou bastante sobre a mitologia de lugares como a América do Sul, Ásia e África para encontrar a relevância que ela precisava sobre o uso de flautas em outras culturas, instrumento tradicionalmente usado por homens em várias tribos. A cantora se disse tomada por toda essa energia mística que uniu as mulheres:


"Através da nossa pesquisa, encontramos histórias semelhantes em que as mulheres roubavam as flautas dos homens, reuniam seus filhos e tocavam músicas em algum lugar afastado da violência e da destruição da guerra. Adorei saber como elas encontraram uma maneira de alcançar a paz, mesmo em um momento de destruição. Tocar flauta era seu refúgio e uma forma de tentar encontrar a utopia em algum lugar, e eu gosto totalmente do som disso". 

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1996 - Post Tour:
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