Pular para o conteúdo principal

Saiba a história da imagem da capa do "Utopia"


Em entrevista para o site Creative Review, Björk e Jesse Kanda falaram sobre o processo criativo da capa do "Utopia":

- A relação da capa com as músicas do álbum:

Björk: "Eu e James Merry começamos a falar sobre isso há um ano ou mais e eu comentei sobre como se tratava de um pouco de ficção científica, como chegar a uma ilha depois de algum tipo de apocalipse para começar de novo. Também tendo algum tipo de mutação, como pássaros que se tornam flautas que se tornam sintetizadores que se tornam humanos. Eu queria que tivesse essa cor meio "pêssego" e de alguma forma tentei capturar aquela magia do nascer e do pôr do sol".

Jesse Kanda: "Para mim, era sobre a criação de um retrato que encapsulasse o que senti que o álbum representa. Eu absorvi a música, mas tão influente foi a nossa amizade. Nós somos os melhores amigos (Arca, James Merry, Björk e eu). Digeri toda essa experiência. Estou especialmente orgulhoso em ver todos esses diferentes elementos equilibrados e vivos na imagem final. Eu sinto algo diferente toda vez que olho para ela.

James Merry fez a máscara que ela usou na capa e Hungry a maquiagem. Björk e Raphael Salley cuidaram do cabelo. Também tirei fotos de insetos e cadáveres de ratos (essa parte é o vestido dela). Então eu coloquei todas essas fotos juntas, entrei em pânico por alguns dias e juntei tudo, pintei, etc. Então, é um tipo de colagem.

- Como vocês obtiveram os conceitos iniciais para a imagem final? A ideia original passou por muitas alterações?

Björk: "Acho que primeiro foi a conversa entre mim e James Merry na qual eu disse que queria revelar meu rosto, mas com esse tipo de orquídea ou com formas florais. James, no espaço de alguns dias, foi e comprou silicone e, num quarto de hotel, começou a procurar tutoriais no YouTube sobre como fazer moldes e peças com esse material! 

A forma do cabelo era algo que eu desejava, um pouco como minhas tranças que uso desde que eu era adolescente. Jesse tratou a foto digitalmente. Eu senti que precisava de algo no pescoço e ele sugeriu um pássaro recém-nascido para fortalecer o ângulo de fertilidade da personagem matriarca, e James sugeriu aqueles buracos no pescoço para incentivar o tema do "ar" que acompanha o álbum inteiro. Eu queria ter uma flauta na capa, mas Jesse a alterou dramaticamente e a reposicionou.

Eu, Jesse, James e Alejandro passamos muito tempo juntos nos últimos anos na Islândia, e eu sinto que essa imagem e nosso trabalho colaborativo cresceram verdadeiramente a partir disso. Tem um núcleo de uma verdadeira amizade e, para ser honesta, às vezes, é difícil saber onde uma ideia começa e quando outra acaba".

Jesse: "Björk é apenas um ser humano muito bonito que eu fico feliz em chamar de amiga. E, como em todas as minhas amizades, há uma dinâmica de respeito mútuo, amor, cuidado ... compartilhando dor e alegria! Conforto para sermos nós mesmos e é simplesmente divertido estar um ao lado do outro. Fazer coisas juntos é um bônus incrível".

Björk: "Eu acho que principalmente estou emocionada de conhecê-lo. Sua integridade e auto-suficiência é incrivelmente inspiradora. Emocionalmente tão exuberante e vibrante. Foi um privilégio testemunhar ele crescer!".

Postagens mais visitadas deste blog

Sindri Eldon explica antigo comentário sobre a mãe Björk

Foto: Divulgação/Reprodução.  O músico Sindri Eldon , que é filho de Björk , respondeu as críticas de uma antiga entrevista na qual afirmou ser um compositor melhor do que sua mãe.  Na ocasião, ele disse ao Reykjavík Grapevine : "Minha principal declaração será provar a todos o que secretamente sei há muito tempo: que sou melhor compositor e letrista do que 90% dos músicos islandeses, inclusive minha mãe".  A declaração ressurgiu no Twitter na última semana, e foi questionada por parte do público que considerou o comentário uma falta de respeito com a artista. Na mesma rede social, Sindri explicou:  "Ok. Primeiramente, acho que deve ser dito que isso é de cerca de 15 anos atrás. Eu era um idiota naquela época, bebia muito e estava em um relacionamento tóxico. Tinha um problema enorme e realmente não sabia como lidar com isso. Essa entrevista foi feita por e-mail por um cara chamado Bob Cluness que era meu amigo, então as respostas deveriam ser irônicas e engraçadas. Eu

Nos 20 anos de Vespertine, conheça as histórias de todas as canções do álbum lendário de Björk

Vespertine está completando 20 anos ! Para celebrar essa ocasião tão especial, preparamos uma super matéria . Confira detalhes de todas as canções e vídeos de um dos álbuns mais impressionantes da carreira de Björk ! Coloque o disco para tocar em sua plataforma digital favorita, e embarque conosco nessa viagem.  Foto: Inez & Vinoodh.  Premissa:  "Muitas pessoas têm medo de serem abandonadas, têm medo da solidão, entram em depressão, parecem se sentir fortes apenas quando estão inseridas em grupos, mas comigo não funciona assim. A felicidade pode estar em todas as situações, a solidão pode me fazer feliz. Esse álbum é uma maneira de mostrar isso. "Hibernação" foi uma palavra que me ajudou muito durante a criação. Relacionei isso com aquela sensação de algo interno e o som dos cristais no inverno. Eu queria que o álbum soasse dessa maneira. Depois de ficar obcecada com a realidade e a escuridão da vida, de repente parei para pensar que inventar uma espécie de paraí

Debut, o primeiro álbum da carreira solo de Björk, completa 30 anos

Há 30 anos , era lançado "Debut", o primeiro álbum da carreira solo de Björk : "Esse disco tem memórias e melodias da minha infância e adolescência. No minuto em que decidi seguir sozinha, tive problemas com a autoindulgência disso. Era a história da garota que deixou a Islândia, que queria lançar sua própria música para o resto do mundo. Comecei a escrever como uma estrutura livre na natureza, por conta própria, na introversão". Foi assim que a islandesa refletiu sobre "Debut" em 2022, durante entrevista ao podcast Sonic Symbolism: "Eu só poderia fazer isso com algum tipo de senso de humor, transformando-o em algo como uma história de mitologia. O álbum tem melodias e coisas que eu escrevi durante anos, então trouxe muitas memórias desse período. Eu funcionava muito pelo impulso e instinto". Foto: Jean-Baptiste Mondino. Para Björk, as palavras que descrevem "Debut" são: Tímido, iniciante, o mensageiro, humildade, prata, mohair (ou ango

Björk e a paixão pelo canto de Elis Regina: "Ela cobre todo um espectro de emoções"

"É difícil explicar. Existem várias outras cantoras, como Ella Fitzgerald , Billie Holiday , Edith Piaf , mas há alguma coisa em Elis Regina com a qual eu me identifico. Então escrevi uma canção, Isobel , sobre ela. Na verdade, é mais uma fantasia, porque sei pouco a respeito dela".  Quando perguntada se já viu algum vídeo com imagens de Elis, Björk respondeu:  "Somente um. É um concerto gravado no Brasil, em um circo, com uma grande orquestra. Apesar de não conhecê-la, trabalhei com ( Eumir ) Deodato e ele me contou várias histórias sobre ela. Acho que tem algo a ver com a energia com a qual ela canta. Ela também tem uma claridade no tom da voz, que é cheia de espírito.  O que eu gosto em Elis é que ela cobre todo um espectro de emoções. Em um momento, ela está muito feliz, parece estar no céu. Em outro, pode estar muito triste e se transforma em uma suicida".  A entrevista foi publicada na Folha de São Paulo , em setembro de 1996. Na ocasião, Björk divulgava o

Saiba tudo sobre as visitas de Björk ao Brasil

Relembre todas as passagens de Björk por terras brasileiras! Preparamos uma matéria detalhada e cheia de curiosidades: Foto: Reprodução (1987) Antes de vir nos visitar em turnê, a cantora foi capa de algumas revistas brasileiras sobre música, incluindo a extinta  Bizz,  edição de Dezembro de 1989 . A divulgação do trabalho dela por aqui, começou antes mesmo do grande sucesso e reconhecimento em carreira solo, ainda com o  Sugarcubes . 1996 - Post Tour: Arquivo: João Paulo Corrêa SETLIST:  Army of Me One Day The Modern Things Venus as a Boy You've Been Flirting Again Isobel Possibly Maybe I Go Humble Big Time Sensuality Hyperballad Human Behaviour The Anchor Song I Miss You Crying Violently Happy It's Oh So Quiet.  Em outubro de 1996, Björk finalmente desembarcou no Brasil , com shows marcados em São Paulo (12/10/96) e no Rio de Janeiro (13/10/96) , como parte do Free Jazz Festival . Fotos:  André Gardenberg, Folhapres