Pular para o conteúdo principal

Björk estreia novo show "Utopia", em Reykjavík



Björk revelou parte de seu novo show "Utopia" no Háskólabíó, teatro com capacidade para cerca de 1000 pessoas, com ingressos esgotados em Reykjavík nos dias 09/04 e 12/04. As apresentações foram anunciadas como um “ensaio geral” para a turnê, que percorrerá o mundo nos próximos meses, mas acabaram aparentando estarem finalizadas, com som luxuoso, encenação, coreografia e muitos efeitos visuais.

Na primeira noite, já no brilhante número de abertura "Arisen My Senses", uma cantora mascarada tocando flauta surgiu do meio de uma espécie de ninho, rodeado de penas usando uma peça em seu rosto que muito lembrava uma orquídea, e também uma genitália. Ela se movia com sincronia em volta a um cenário de cores suaves, e em frente a um telão que exibia animações de flores naturais e também alteradas digitalmente.

O álbum 'Utopia' foi tocado quase na íntegra. Foram 12 das 14 músicas do disco no setlist, com a adição de algumas faixas do extenso catálogo da islandesa. Algumas das novas canções foram retrabalhadas, incluindo uma versão incrível de "Blissing Me".

A banda que acompanhou Björk incluía Katie Buckley na harpa, Manu Delago na percussão e o engenheiro do álbum "Utopia", Bergur Þórisson cuidando das batidas. A artista caminhou pelo palco de um lado pro outro usando um vestido vermelho inspirado em insetos que se tornou iridescente quando captado pela luz.


Foi uma experiência ao vivo imersiva com uma atmosfera exuberante e orgânica que enriqueceu o rico mundo sonoro e visual do álbum "Utopia". A turnê vai viajar pela Europa, incluindo datas em vários festivais ao longo do ano.


SETLIST 09/04:
01. Arisen My Senses
02. Utopia
03. The Gate
04. Blissing Me
05. Thunderbolt
06. Courtship
07. Features Creatures
08. Tabula Rasa
09. Saint
10. Pleasure Is All Mine
11. Losss
12. Sue Me
13. Notget
14. Paradisia
15. Future Forever
16. The Anchor Song (Icelandic)


SETLIST 12/04:
No segundo show da "Utopia Tour" na Islândia, algumas mudanças: O palco ganhou novos elementos e Björk modificou a ordem do setlist! 


01. The Gate
02. Arisen My Senses
03. Blissing Me
04. Utopia
05. Thunderbolt
06. Courtship
07. Features Creatures
08. Tabula Rasa
09. Saint
10. The Pleasure Is All Mine
11. Losss
12. Sue Me
13. Notget
14. Paradisia
15. Future Forever
16. The Anchor Song (Icelandic)

"É difícil encontrar as palavras certas para expressar como alguém se sente depois de ver o desempenho de Björk em um palco, e certamente não sou o único que fica emocionado assim. Quando ela sai dali, é capaz de deixar um grande sorriso no rosto das pessoas após um show incrível. A experiência desse segundo e último ensaio de Björk na Islândia para a turnê "Utopia" não foi uma exceção. Fomos convidados para o seu espetáculo audiovisual utópico que foi uma imersão completa dos sentidos em seu mundo; um lugar que irradiava beleza, suavidade e feminilidade.

Quando eu e cerca de outras mil pessoas entramos no teatro Háskólabíó, respiramos fundo e bem empolgados todos juntos quando o palco foi revelado. Flores gigantescas e diversas folhas brotavam do chão e iam até o teto da casa de espetáculos, era como uma janela que dava acesso a uma floresta úmida. No centro havia uma estrutura cilíndrica alta coberta pelo o que pareciam ser penas. O que quer que aquilo fosse, fornecia uma espécie de brisa enquanto dançávamos em nossos lugares, absorvendo tudo da trilha sonora do canto dos pássaros. O palco era uma selva em tons de rosa, vermelho, dourado e verde exuberante. Este era de fato um lugar onde tudo parecia perfeito - uma evolução da utopia.

As peças usadas pelas flautistas de Björk eram extremamente belas, enquanto a cantora usava um vestido vermelho inspirado em insetos. Juntas, elas pareciam uma tribo mascarada emergindo através da névoa de uma ilha paradisíaca perdida. Seus instrumentos brilhavam sob as luzes do palco. Eu não pude deixar de perceber as reações da plateia ao meu redor e, com certeza, a maioria de nós estava de boca aberta.

O set de uma hora e meia nos levou a um desafio emocional, começando com canções sobre amor e renascimento, passando por outras que abordavam um sentimento de raiva e perda, e concluindo com uma sensação de calor e conforto por estar em casa. Foi uma noite em que Björk celebrou o amor, a feminilidade e a ideia de "Utopia" - e nós embarcamos com ela".

Ficou com vontade de ouvir as versões ao vivo dessas músicas do setlist da nova turnê? Bruno Barrionuevo, um santo membro do nosso grupo no Facebook, disponibilizou o áudio completo (faixa a faixa em FLAC) da apresentação \o/ Faça o download clicando aquiBjörk subirá em um palco novamente no dia 27 de maio no All Points East Festival.

Texto Original: John Rogers e Natalie Ouellette para o 'Reykjavík Grapevine'.
Fotos por: Santiago Felipe
Tradução: Björk BR



Em entrevista ao FRÉTTABLADID, as flaustistas de Björk comentam sobre a realização do novo show da islandesa:

- Você sabiam algo sobre esse show antes de começar a trabalhar para a Björk?

Emilia: Sim, todas nós sabíamos, porque este é um mundo pequeno.

Áshildur: Temos muita conexão, algumas das integrantes ensinaram umas as outras como tocar.

Steinunn Vala: Começamos a trabalhar para ela em 2016 e fomos além. E então veio o álbum em novembro, logo depois começaram os preparativos para o show. Björk cuida da gente. Ela conheceu quatro de nós em uma reunião de trabalho. Nós sugerimos algumas outras mulheres que poderiam trabalhar no projeto, e ela enviou uma mensagem para cada uma delas.

Björg: Então veio a ideia de que deveríamos ter um nome. "Viibra Flutes". Björk gostaria de ter algum termo para se referir a nós.

Berglind Maria: Sim, Björk enfatizou que a principal ideia do grupo é de que é amplo, somos de diferentes idades com origens distintas.

Ðuríður: Então estamos bem!

Berglind Maria: Björk é muito boa em extrair os pontos fortes de diferentes pessoas para que o resultado final se torne muito emocionante.

Melkorka: Acho que ela decidiu desde o início destacar nossas diferentes características. Ela quer que nosso trabalho reflita nosso caráter.

Steinunn Vala: Ela fala sobre isso desde que começamos.

Björg: Ela nos incentivou. É tão legal receber essa independência.

Berglind Maria: Björk quer que sejamos um tipo de força, que é incomum, feroz. Isso implica em muita empatia!

Melkorka: Ela dá flexibilidade aos artistas, promove a confiança e o respeito.

Björg: Acho que por isso que ela é uma artista tão forte e respeitada.

Áshildur: Ela quer incentivar as mulheres para fazerem boas obras, muitas delas acompanham o seu trabalho.

Berglind Maria: Björk está muito consciente sobre dar oportunidades às mulheres em uma indústria que frequentemente quer derrotar a participação feminina.

- Trabalhando em outras áreas com Björk:

Emilía: Isso é muito desafiador, nesse show somos flautistas, atrizes e também dançarinas. Björk rapidamente percebeu como nos movemos quando tocamos.

Áshildur: Já foi falado sobre como tocar flauta exercita alguns pequenos músculos.

Steinunn Vala: Mas às vezes nos tornamos as atletas de grandes músculos quando tocamos nos movimentando durante um longo show. Isso geralmente é um trabalho físico desafiador.

Áshildur: Estamos longe de ser como bailarinas. Temos nossos medos relacionados sobre como tocar flauta. Desde a minha infância, minha garganta tem estado abalada.

Emilía: Tem sido ótimo trabalhar neste projeto com a Björk.

Áshildur: Eu admito que pensava que isso não fosse possível. Nós não poderíamos aprender tudo isso sem um livro, como, por exemplo: dançar na maioria das músicas. Mas nós apenas seguimos naturalmente com isso. 

Melkorka: Estamos surpresas com nós mesmas. O tema do álbum é algo tão forte, e nós nos associamos fortemente com isso. É incrível fazer parte deste mundo construído na mente de Björk. 

Björg: Somos um grupo que está sendo criado agora através deste projeto. Acho que somos as boas sementes.

Áshildur: Ficamos muito tempo juntas, muito mais do que o habitual para a preparação de um show. Trabalhamos por horas e dias seguidos. Estamos começando a perceber as forças e limitações uma da outra. Dessa forma, um bom grupo tem se estabelecido.

Emilia: Somos como um grande organismo. Quando uma de nós está cansada ou fraca, as outras sofrem o estresse e o fardo. (...) Estamos aqui uma para a outra. Sempre haverá alguém que possa liderar uma situação se algo acontecer.

Ðuríður: Eu acho que a Björk teve uma ideia incrível criando este grupo.

Áshildur: Ela poderia ser uma ótima gerente de recursos humanos se ela não fosse uma grande artista famosa!

Steinunn Vala: O que sabemos é que estamos a caminho de alguns shows em maio, junho e julho, mas depois novos concertos serão adicionados à agenda. 

Berglind Maria: Eu acho absolutamente incrível testemunhar a criatividade dos amigos e colaboradores da Björk, como a Hungry e o James Merry, eles têm tanta sincronia!

Þuríður: Ela é muito protetora sobre todos os aspectos do show e é uma administradora incrível.

Björg: Especialmente porque ela consegue dar espaço às pessoas.

Þuríður: Esta é uma experiência tão incomum, é muita aventura para nós! É como entrar em outro mundo. A implementação é diferente do que conhecemos.

- Uma das flautistas estudou música com Björk:

Áshildur: Nós tivemos um ótimo professor na escola de música, que veio da Alemanha, quando eu era pequena. Ele trabalhou com uma abordagem diferente, menos tradicional, e tinha uma grande ambição em seu ofício. Aprendemos durante o verão e foi tão divertido e inspirador! Quando chegou a hora de focar em um instrumento específico, eu só conseguia pensar em flautas. Pode ser dogmático ter que praticar tanto para chegar ao lugar onde você quer estar. Mas então quando se tem um mestre que lhe deixar tocar tudo o que se possa imaginar é maravilhoso! Estar neste projeto é uma oportunidade que só chega a uma pessoa uma vez na vida. Esta é também uma chance de mudar, entrar em outro mundo, antes de retornar à vida cotidiana. 

Melkorka: O Presidente veio ao show e perguntou se este projeto tinha sido inesperado para mim. Eu respondi: sim, quem teria acreditado que eu seria uma estrela pop aos meus quarenta anos? Ele riu e disse: Sim, eu me sinto familiarizado com esse sentimento, muitas vezes sinto que eu inesperadamente entrei no meu filme favorito!

- Alguns conselhos para jovens músicos:

Berglind Maria: Uma abordagem criativa quase sempre entra em conflito com programas tradicionais de música clássica. É por isso que muitos indivíduos procuram e encontram outras maneiras de se expressar, como aconteceu com Björk.

Þuríður: É preciso ser muito curioso e tentar todo tipo de coisa.

Melkorka: E seguir com seus sonhos! Há espaço para todos e nem sempre já existe aquilo que você imagina.

Saiba mais:



Postagens mais visitadas deste blog

Conheça as histórias de todas as canções do álbum "Utopia"

Lançado em 24 de novembro de 2017 , o álbum Utopia é um dos trabalhos mais incríveis da carreira de Björk .  Reunimos em uma matéria especial detalhes de todas as faixas do projeto. Confira:  Foto:  Jesse Kanda (2017).  1. Arisen My Senses: "A primeira faixa que escrevi para o álbum Utopia foi justamente a de abertura. A melodia é como uma constelação no céu. É quase uma rebelião otimista contra modulações com narrativa "normais". Não há apenas uma. Tem umas cinco e eu realmente amei isso. Adicionei um arranjo de harpa junto de um texto, e enviei essa música de presente para a Arca . Ela mal podia acreditar, pois sentiu que bati de algum jeito em seu inconsciente! Criei a partir de um trecho de uma mixtape no SoundCloud dela, um trabalho feito uns três anos antes. Vi aquilo como o seu material mais feliz. Nem comentei com ela, apenas reeditei e mandei. Desta vez, estávamos fazendo juntas, de igual para igual, o oposto de Vulnicura . E esse foi o ponto de partida par

Björk e Milton Nascimento - A Travessia para um grande encontro

Foto: Horácio Brandão/Midiorama (1998) Poucas horas antes do show no  Metropolitan , no Rio de Janeiro, em 20 de agosto de 1998 (saiba mais AQUI ), Björk    conversou com a imprensa brasileira, e esteve junto de Milton Nascimento . Ela foi uma das atrações principais do festival Close-Up Planet : Fotos: Site Rock em Geral (1998) Ao jornal  Extra , ela contou que é fã não só de Elis, mas também do Sepultura . Falando de Milton Nascimento, revelou: "Cheguei no sábado (acompanhada de uma amiga de infância) e fiquei bêbada com algumas pessoas ouvindo as músicas dele". Segundo a publicação, a cantora teria cogitado a ideia de ir a apresentação "Tambores de Minas" da lenda brasileira, no Canecão . Ela admitiu que do line-up do festival, só conhecia mesmo as atrações internacionais: "Tenho que dizer que sou ignorante em relação à música brasileira, e isso me envergonha". Também deixou claro que, como de costume, não incluiria nada do Sugarcubes

Relembre as vindas de Björk ao Brasil

Foto: Divulgação (2007) As apresentações mais recentes de Björk no Brasil, aconteceram em 2007. Relembre todas as passagens da islandesa por nosso país, nesta matéria detalhada e cheia de curiosidades! Foto: Reprodução (1987) Antes de vir nos visitar em turnê, a cantora foi capa de algumas revistas brasileiras sobre música, incluindo a extinta  Bizz,  edição de Dezembro de 1989. A divulgação do trabalho dela por aqui, começou antes mesmo do grande sucesso e reconhecimento em carreira solo, ainda com o  Sugarcubes . 1996 - Post Tour: Arquivo: João Paulo Corrêa SETLIST:  Army of Me One Day The Modern Things Venus as a Boy You've Been Flirting Again Isobel Possibly Maybe I Go Humble Big Time Sensuality Hyperballad Human Behaviour The Anchor Song I Miss You Crying Violently Happy It's Oh So Quiet. Em outubro de 1996 , Björk finalmente desembarcou no Brasil, com shows marcados em São Paulo (12/10/96) e no R

Os preparativos para o próximo álbum de Björk

Em 13 de novembro, Björk participou da conferência online   Artificial Intelligence Expo of Applications (AIXA). Durante o bate-papo, que contou com a presença do cineasta Luca Guadagnino e do diretor artístico/curador Andrea Lissoni , ela falou rapidamente sobre a criação de seu próximo álbum :  "Sim, com certeza passo muito tempo compondo. Em cada um dos meus discos, gosto de me surpreender durante o processo criativo. Percebo minha voz como algo controlado pela natureza, o lado biológico. Então, para mim, escrever uma canção é tipo: "Oh, agora vou fazer algo que nunca fiz antes!".  Com relação ao estilo do ritmo, é como resolver o mistério de um assassinato. Aliás, estou exatamente nesse estágio para o meu próximo álbum. Tenho trabalhado nisso, mas não se pode decidir nem tão cedo nem tão tarde, pois é como matar uma das etapas. Tem que estar no território do subconsciente, sabe?  Com a situação que o mundo está enfrentando no momento, estamos todos tentando nos ma

Hildur Rúna Hauksdóttir, a mãe de Björk

"Como eu estava sempre atrasada para a escola, comecei a enganar a minha família. Minha mãe e meu padrasto tinham o cabelo comprido e eles eram um pouco hippies. Aos dez anos de idade, eu acordava primeiro do que eles, antes do despertador tocar. Eu gostava de ir na cozinha e colocar o relógio 15 minutos mais cedo, e então eu iria acordá-los... E depois acordá-los novamente cinco minutos depois... E de novo. Demorava, algo como, quatro “rodadas”. E então eu acordava meu irmãozinho, todo mundo ia escovar os dentes, e eu gostava de ter certeza de que eu era a última a sair e, em seguida, corrigir o relógio. Fiz isso durante anos. Por muito tempo, eu era a única criança da minha casa, e havia mais sete pessoas vivendo comigo lá. Todos tinham cabelos longos e ouviam constantemente Jimi Hendrix . O ambiente era pintado de roxo com desenhos de borboletas nas paredes, então eu tenho uma certa alergia a essa cor agora (risos). Vivíamos sonhando, e to