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Björk fala da união com artistas das cidades que visita com seus shows

Foto: Santiago Felipe

Natureza e Tecnologia: "O mundo da tecnologia e o da natureza se complementam. Parte da minha relação com isso é provavelmente porque venho da Islândia. A revolução industrial não exatamente aconteceu lá, sabe? Somos cercados pela natureza, mas não deixamos de aproveitar dos benefícios que a tecnologia proporciona. Não foi preciso sacrificar uma coisa pela outra. Eu vi isso coexistir durante toda a minha vida. Um dos outros motivos é que sou filha de pais divorciados. Meu pai é um engenheiro elétrico e minha mãe foi uma mulher ativista e feminista feroz. Provavelmente, quero combinar os dois mundos, construir pontes entre eles de alguma forma. 

Acredito que as duas coisas possam sim viver em conjunto. Já existem ilhas solares flutuantes que podem ajudar a diminuir as emissões de CO2. Eu sinto que essa geração, nas universidades, em todos os cantos do mundo, está aprendendo, descobrindo e inventando uma nova "tecnologia verde" que nos auxiliará. No entanto, se tem essa ideia de que são coisas inimigas uma da outra, mas creio que é um pensamento a ser instinto em breve. Como eu já disse antes, a tecnologia não é algo que tem alma, mas nós como seres humanos podemos guiá-la e conduzi-la junto da natureza. 

Possivelmente, há 200 anos isso era difícil para a Revolução Industrial, quando ainda era meio "desajeitada". Hoje, com a tecnologia que temos já existe nela uma inteligência que se pode fazer uma aliança com a natureza, fazer com que andem de mãos dadas. Acho até que é algo que já está acontecendo!

Sinto que na história da humanidade sempre enfrentamos o mesmo dilema: Existência, prazer e dor. Eu acho que história como as de Buda e dos faraós do Egito são uma prova disso. É algo que acordamos todas as manhãs e precisamos encarar, acho que é por isso que existe yoga. Penso que devemos fazer longas caminhadas todos os dias, nos esconder na natureza. Se pudermos passar duas ou três horas por lá, seria incrível, pois em seguida, ficaríamos à vontade para fazer o que quiséssemos na Internet. Eu costumo dar essa dica a vários amigos e familiares. No domingo passado, a gente até fez uma caminhada/escalada por umas sete horas, e foi incrível". 



Questionada sobre quais outras coisas naturais da vida são suas preferidas, ela respondeu que recentemente, no último fim de semana, seus amigos haviam lhe ensinado a queimar Palo Santo, um tipo de madeira da América do Sul, que acredita-se que tenha poderes medicinais e terapêuticos, como a limpeza do ambiente e a renovação espiritual. Ela também listou Ruibarbo, uma planta comestível utilizada como hortaliça e para fins fitoterápicos, como uma de suas favoritas neste processo.

O coral no espetáculo Cornucopia: "Começamos isso em Nova Iorque e, sim, foi incrível e algo que abriu muito a minha mente por causa dessa ideia de combinar diferentes lados meus no palco, em um mesmo show de 1hr30min. Essa tradição de ter um coral na Islândia é imensa. Nossa população era tão pobre que não tínhamos coisas como orquestras, arquitetos, a cultura da escultura ou qualquer coisa assim de arte, mas o vocal nas músicas, o coral, é algo que sempre tivemos. Por isso, sinto que temos um som e um DNA específico.

Todos nós ali que somos compositores temos diferentes tipos de estilo, mas meio que falamos a mesma linguagem do coral. Sou uma grande fã de todos eles.

Sinto que um trabalho emocional é muito gratificante e pode oferecer milagres. Como amante da música, às vezes sinto que a psicologia do século XX é supervalorizada se a gente se esquecer do sentido molecular, das ondas sonoras das canções, da física e da abstração que podem causar. É impossível não gostar de ser um ouvinte, de cantar, tocar ou poder dançar. É provável que seja uma maneira mais direta e real de se conectar ao mundo, do que analisar e se aprofundar nos problemas. Talvez uma maneira de abordagem, seja justamente incluir os dois pólos opostos. Tanto o abstrato quanto o psicológico. Certamente, serão os mais eficazes a longo prazo.

Neste momento, estou tentando encontrar um coral no México para participar do meu show. Eu me diverti bastante quando trabalhei com a orquestra sinfônica local em Vulnicura Strings. Fiquei satisfeita de estar na cidade e ter como convidados mais pessoas do país junto a mim no palco. Sinto que assim não é só um show entre os músicos e a plateia, mas também uma conexão maior entre todos que estão presentes nos lugares que visito. É importante. Definitivamente, sempre escuto sons muito distintos uns dos outros. No caso dos mexicanos, fico encantada com a forma como veem o mundo, essa paixão pela arte".

A oportunidade é também uma maneira de economizar dinheiro, já que atualmente seria muito caro viajar com o mesmo coral em toda a turnê, como ela contou em bate-papo com o jornal islandês Morgunblaðið, em junho de 2019.

Sonhos recorrentes que influenciaram na criação de uma música: "No momento, tenho tido um sonho recorrente sobre a minha casa, que é um espaço muito orgânico. De alguma forma, acho isso que representa as minhas raízes. No passado, também já tive um que me inspirou a compor uma música chamada Heirloom, onde minha mãe e meu filho derramavam óleo fervendo na minha garganta, porque eu tinha perdido a voz".

- Björk em entrevista para a rádio mexicana da Warp Magazine, agosto de 2019.

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Para os sites Sopitas e Donde Ir, a cantora falou sobre mais alguns outros assuntos:

O nome do espetáculo:
Meu álbum Utopia é mais ou menos como um manifesto. É, digamos, a situação após o fim tumultuado do mundo. Para mim, é um disco com um nível tanto emocional quanto pessoal. Coisas pelas quais estamos passando agora. Eu estava pensando: "Como começamos de novo depois de uma situação tão traumática?". Daí senti que é mais fácil lidar com problemas ambientais se pensarmos que o pior já passou e começarmos a fazer o controle de danos. 

Sinto que a solução para a mudança climática é uma ideia utópica que talvez nunca cheguemos, mas precisamos iniciar de alguma maneira e ter objetivos. Se alcançarmos metade deles, ainda existe a possibilidade de um novo recomeço. Chamar esse show de Cornucopia é meio que um resumo de tudo isso que expliquei. Essa palavra também tem um sentido de celebração. É uma espécie de "máquina de esperança" que tenta nos ajudar a lidar com o futuro; e a impulsionar nós mesmos e as outras pessoas a tentar reimaginar esse mundo do século XXI, um novo modelo. 

Qual foi a coisa mais difícil que você teve que fazer para fazer o Cornucopia acontecer?
Foi uma surpresa para mim que a coisa mais difícil sobre Cornucopia tenha sido fazer com que diferentes departamentos da construção do show se entendessem, fossem amigos e colaboradores. Era muita informação, muita comunicação, muitas conversas por Skype e e-mails. Quando se tem uma operação tão grande com tantas pessoas, é necessário uma grande quantidade de energia só nessa parte. Temos que repetir as coisas diversas vezes. Essa foi uma lição importante que aprendi porque obviamente tinha a ambição de fazer algo mais elaborado, então tive dar meu apoio a todos não apenas entre as conversas, mas no passo a passo.

Ao longo dos anos, você colaborou com designers, estilistas, diretores, atores, músicos, artistas plásticos, cientistas e até ativistas como Greta Thunberg. Como você contata e consegue colaborar com eles? O que acha do trabalho colaborativo e a influência disso em sua vida como artista?
Eu sinto que muito do meu trabalho, minhas composições, minhas edições, minhas músicas... A maioria delas escrevo em meus diários, e ainda penso que 70% disso é completamente meu. Sim, eu colaboro muito, mas também sinto que sou um pouco mais pop, ou seja, meus shows são parecidos com os que você veria com qualquer outro artista pop. Qualquer diretor ou qualquer outra coisa, tem colaboradores. Às vezes me pergunto se é sexista quando as pessoas veem meu trabalho e pensam que tudo é colaborativo. Mas respondendo a sua pergunta, acho que com cada colaborador é uma história diferente. Às vezes, eles são meus melhores amigos, saímos e cozinhamos juntos, temos longas conversas, e só depois de muitos anos compartilhamos ideias como foi com James Merry. Com ele, compartilho da essência e de uma filosofia muito retrospectiva, bem como o lado do artesanato e a paleta de cores. Vivemos no mesmo país e fazemos as mesmas piadas. Mas com alguns dos meus outros colaboradores, é o contrário. São pessoas que vejo que têm algo a oferecer, que têm algo que eu amo. Eu entro em contato com eles e depois tentamos encontrar o nosso ponto comum, uma coincidência natural em que podemos tirar o melhor proveito de cada um de nós. Talvez a partir disso se desenvolva entre nós um elemento que ainda não tinha sido explorado.

Acredito que em cada colaboração devemos ser honestos e tentar ser alquimistas para refletir sobre a outra parte do nosso próprio personagem, porque nós não poderíamos fazer isso sozinhos. E sinto que é aí que reside a magia. 

Você acha que a sua música representa de alguma maneira a cultura islandesa?
Sinto que a Islândia me inspirou e sempre irá. Me sinto abençoada por ter nascido aqui. Vivo em uma capital na Europa que tem os melhores avanços tecnológicos, mas também estamos rodeados pela natureza. Eu não poderia imaginar viver de outra maneira. Sinto como se durante toda a minha existência, eu tivesse vivido uns 5 tipos de vida diferentes. A Islândia continua a me inspirar, é como uma ponte que preencheria esses espaços.

A Islândia é um bom lugar para homens e mulheres viverem igualmente?
Definitivamente, sinto que as mulheres islandesas são muito fortes. Até poderiam ser mais, claro, para que houvesse um tratamento mais igualitário. Mas vendo as estatísticas disso em outros lugares, vejo que as mulheres têm mais poder na Islândia do que no resto do mundo. Acredito que eu tenha sido muito mimada neste aspecto quando jovem, e não vi e nem me disseram que as mulheres não são tratadas como os homens até eu viajar para fora do meu país.

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Contextualização: Devido à sua localização, a Islândia é um país difícil de se alcançar. Entretanto, conflitos políticos e econômicos no Oriente Médio forçaram vários habitantes a migrarem para diversas cidades da Europa. Em 2018, havia cerca de 790 petições solicitando asilo na Islândia. Destas, apenas 160 foram aprovadas e as pessoas restantes foram deportadas para seus países de origem. De acordo o jornal islandês Reyjavík Grapevine, muitas delas são da Somália e da Síria. 
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O que acha da imigração? Como pensa que o governo islandês se comporta quanto a isso?
A Islândia realmente ainda não tinha tido muitos imigrantes, como há 100 anos. Estamos mais ou menos isolados e aprendendo de uma maneira muito desajeitada a lidar com isso. Estamos atrasados no "jogo", tendo nossos próprios problemas e muitos protestos tem acontecido. Nem ao menos contamos com a burocracia necessária ou infraestrutura para lidar com os refugiados que estão chegando da Síria. No entanto, tenho grandes esperanças de que iremos conseguir e que tudo isso vai mudar. Adoraria dizer que, eventualmente, poderemos receber a todos.

O que você mais gosta quando vem ao México?
Algo que realmente tem me deixado obcecada pelo México agora são duas mulheres, que me parece que fazem parte de uma exposição na cidade que eu quero muito ver. Uma delas é espanhola e se chamava Remedios Varo, e a outra inglesa cujo nome era Leonora Carrington. Ambas conseguiram florescer e levar o surrealismo a outro nível na Cidade do México. Eu até gostaria de dizer que o seu país foi muito caloroso e receptivo com elas. Bom, isso foi o que me veio à cabeça agora. Também já assisti a muitos filmes mexicanos, e tenho alguns amigos mexicanos na área do cinema. Amo seus filmes! Mas estou conhecendo o México de muitas formas. Não tenho ido muito ao país, por isso mal posso esperar para voltar agora e aprender mais.

Alguma vez você já considerou voltar ao cinema ou fazer parte de algum filme novamente como atriz, produtora, roteirista ou responsável pela trilha?
Acredito que com todos os projetos que tenho na música, se houvesse cinco cópias de mim eu faria muito mais. Mas, por mais lisonjeada que eu me sinta quando me oferecem papéis em filmes, penso que eu precise mesmo é focar em fazer boa música.

Tem algum filme que você possa dizer que mudou para sempre sua vida, ou a forma como percebe a arte?
Existem muitos filmes que mudaram a minha vida! Eu adoro filmes. Alguns deles vieram até a minha cabeça agora, e provavelmente estou esquecendo de vários outros importantes para mim... Eu adoro o Peter Strickland, a Lucrecia Martel, o filme O Lagosta, do diretor grego Yorgos Lanthimos; o Andrei Tarkovsky... Solaris é um dos meus filmes favoritos. Também adoro o Luis Buñuel, todos os filmes dele são incríveis. Bom, eu poderia ficar listando aqui para sempre!

Que tipo de música você gosta? Tem algum artista ou banda favorita? Que canções você costuma ouvir diariamente ou tem em sua playlist?
Sempre escuto muitas playlists. Ouço muita música clássica, eletrônica, o que chamam de "alternativa", e muitos sons abstratos. Gosto bastante de discos de efeitos especiais, de world music, R&B, pop... Eu gosto de todos os tipos de música, realmente adoro o termo Cornucopia (na mitologia grega, fertilidade e abundância), sabe? Escutar todos esses estilos no mesmo dia. Esse tipo de celebração sobre todas as formas que os seres humanos encontraram para se expressar. Acho que é algo tão positivo e tão vivo! Então, sim, tenho muitas playlists que escuto sempre. Estou rodeada de música a maior parte do tempo.

Você é uma artista que já experimentou várias coisas na música. Pesquisa, inova e usa a tecnologia não apenas para ficar à frente, mas para criar algo novo. Como você pensa ou imagina que será o processo criativo para criar canções no futuro?
Eu acho que fazer música será sempre algo autêntico, cru e humano. O que muda são as ferramentas. Anteriormente fizemos isso com pedaços de paus, pedras, violões, tambores... Acredito que de certa forma é uma mudança artificial e que algumas dessas invenções nos ajudaram a chegar mais perto do que somos essencialmente, a capturar nossa alma e sermos capazes de ir para o topo da nossa montanha favorita e gravar uma música com o celular sem ter que ficarmos presos no estúdio, sem janelas, o que é deprimente. A tecnologia, em certa medida, é uma maneira de nos aproximarmos cada vez mais de quem realmente somos: seres humanos com voz, amor à música e senso de ritmo.

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Cornucopia é o seu trabalho mais ambicioso de todos?
Eu diria que é o mais complexo. Com Biophilia, fiz um trabalho com diferentes aplicativos. Foi gravado em 10 salas distintas, e só se podia ouvi-lo no celular. Na época, isso era bem complicado. Em seguida veio o Vulnicura, que envolveu muito o uso de outros programas digitais. Depois de todas essas experiências, decidi trazer tudo o que fiz no campo digital para a realidade. Pela primeira vez, estou oferecendo uma apresentação ao vivo em um teatro real. Fico muito emocionada.

O projeto é para um público específico?
Não. Sempre me senti abençoada por ter pessoas interessadas no meu trabalho. Na verdade, gosto de ver que um público amplo vai me assistir. Acredito que a plateia que está se aproximando é muito independente e gosta de decidir por si mesmo. Eu não gosto de dizer a ninguém como perceber o meu trabalho, eles são inteligentes e eu os respeito profundamente. Quero que tratem o meu público como me tratam, como bons amantes da música.

Quanto tempo durou a pré-produção deste show e como você conseguiu isso?
De alguma forma, iniciei isso tudo na época do Biophilia, há quase 10 anos, porque as ideias começaram a surgir naquele momento, mas na realidade a montagem aconteceu há um ano e meio quando já usamos as músicas especialmente para esse show. Na turnê que fiz por festivais na Europa no verão do ano passado, pude ir montando toda a coreografia, agora com a presença das flautistas, e testar versões mais calmas das canções.

Cornucopia, com todos os seus elementos mesmo, só foi quando comecei a trabalhar com Tobias Gremmler, que é o artista visual por trás da montagem. Iniciamos algumas animações há cerca de dois anos e, além disso, eu vinha trabalhando com a cineasta argentina Lucrecia Martel e com James Merry. Tudo começou a tomar forma desde janeiro de 2015, quando Vulnicura saiu e comecei a escrever o Utopia.

Recentemente, você relançou toda a sua discografia em fita cassete. O que a tecnologia representa para você e como você a usa nesses momentos?
Nós somos seres humanos que consomem a música de uma vida, é parte de nossa existência e, claro, a maneira de ouvi-la tem que evoluir. Eu gosto de plataformas de streaming por causa de sua proximidade, mas também tenho certeza que temos que remunerar o suficiente para usá-las e, como artista, não paro de cobrar de forma justa, e espero que as pessoas que consomem concordem que precisam pagar por isso.

Para mim, é importante lembrar como os formatos evoluíram, mas também é bom saber que não durarão para sempre. Não devemos negar as mudanças, está tudo bem, faz parte da natureza. O melhor de tudo é que a voz humana e a música estarão sempre presentes em qualquer formato. Graças à música, podemos expressar nossas emoções.

Neste momento, o seu trabalho ainda tem elementos punk como no início da sua carreira? 
Claro, o tempo todo! No meu trabalho, persiste o mesmo "modelo de negócios" com o qual comecei. Até mesmo, continuo com o mesmo empresário, a mesma gravadora. A maneira como lidei com a questão do dinheiro em relação à música é a mesma, tudo muito livre e sem pressão. Além disso, continuamos com o mesmo estilo de produção. A distribuição dos meus trabalhos e a construção dos espetáculos são feitas na companhia dos mesmos indivíduos e isso é muito punk. Não é sobre comercialização ou profecias nesse meio artístico, mas sim a conexão com o espírito dos envolvidos e acho que se pode ver isso em meus projetos. Nem se trata de ganhar muito dinheiro, mas de registrar obras que transcendem.

Depois de tantas experiências e histórias, você sente falta da época com o Sugarcubes ou talvez de quando começou nos anos 90?
Não, cada vez é diferente e traz coisas boas, se a gente não puder deixar o passado, tudo fica complicado. No meu caso, cada época tem sido extraordinária, embora haja momentos difíceis. Me anima o lugar onde estou agora. Enfrento tudo com a mesma paixão, e até, com o mesmo medo do perigo. Não há muitas mudanças, sinto que cada período da minha carreira tem muitas semelhanças com os outros.

Esta será sua quarta vez no México. Como você se sente com esse tipo de público?
As pessoas daí são empolgantes. Há dois anos, estive aí e, para mim, é muito incomum voltar ao mesmo lugar em tão pouco tempo, mas a verdade é que amo seu país por causa das vibrações que o público transmite. Estou muito animada por estar tão perto de voltar e me apresentar com um novo show!

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Para o site EL UNIVERSAL, ela complementou:
“Nós fizemos alguns shows em Nova York por vários meses e quando acabou essa tapa, fiquei me perguntando qual país seria o próximo, e foi um pouco difícil decidir, mas de acordo com o que vivi no México, me pareceu ser um bom lugar para voltar. É uma produção muito cara e sinto muito por isso. Acho que da vez anterior, foi apenas eu e a orquestra. Espero que os mexicanos possam entender que esse novo show agora é completamente diferente, e que é um custo muito alto preparar todos os telões e etc. Eu passei meses projetando o som, tem toda a arte visual, os cenógrafos, mais de 40 músicos, figurinos e muitas outras coisas. É o maior e o show mais teatral que já fiz, me desculpem. Da última vez, os ingressos puderam ser mais baratos, mas Cornucopia é um pouco mais elegante".
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Para Björk, Cornucopia é uma espécie de "teatro digital", que pretende deixar no passado o atual modelo de turnês. "Será extinto muito em breve", ela garante. "Esse show é tão elaborado que é difícil acomodá-lo dentro de um teatro. Por isso instalá-lo em um lugar (como o Parque Bicentenário), nos dá muito mais controle. Além disso, eu amo parques. São muito festivos". 


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