Pular para o conteúdo principal

O processo criativo de Innocence

Foto: Inez + Vinoodh

Em entrevista ao site japonês Always Listening, o engenheiro de som Jimmy Douglass, que trabalhou na faixa Innocence do álbum Volta, revelou curiosidades sobre o processo criativo da música com Björk na sessão de gravação da canção no Manhattan Center Studios, em Nova York:

"Em muitos casos, os artistas costumam assumir a liderança de tudo, e eu ajudo de acordo com seus objetivos e demandas. Naquele momento, ela ainda não havia escrito nem a música, nem a letra com antecedência. Timbaland e Danja estavam trabalhando em beats improvisados na sala de controle. Björk ficou animada ouvindo e me disse: "Me dê um microfone". Eu montei meu equipamento maravilhoso de mais confiança na frente dela, que então começou a cantar ESPONTANEAMENTE na batida que eles estavam fazendo. Foi muito natural, como se tudo estivesse apenas surgindo. Muito do que se houve na versão finalizada veio daquele momento de improviso. Ela estava compondo na nossa frente direto de sua cabeça. Foi uma ocasião emocionante! Quando essa criatividade penetra em um artista, é meu trabalho capturá-la no local.

Se eu fosse um profissional inexperiente, talvez não tivesse me sentido confortável com a vibe e chegasse: "Ei, Björk, se você quiser registrar isso, entre na cabine de gravação. Lá tem como monitorar adequadamente". O que??? Não, né! Eu sabia que não tínhamos esse tempo. É claro que tentei reduzir as interferências externas, mas quando trabalhamos com artistas criativos como ela, isso se torna um problema secundário. Não é legal ir contra o fluxo da situação. Como engenheiros, temos que fazer sempre o que se precisa, porque quando os fãs adquirirem o disco, não vão ouvir pensando nisso, pois todo mundo quer escutar o que a Björk fez!

Essa música é ainda melhor quando a apreciamos usando fones de ouvido de alta qualidade. Se nos concentramos nos nuances do som em um ambiente descontraído, é possível perceber uma variedade de movimentos sutis na mixagem. Tudo em contraste com os vocais da Björk. É uma habilidade única que somente ela pode fazer, e é uma recompensa para seus ouvintes que desejam ouvir atentamente". 

Postagens mais visitadas deste blog

Björk explica antiga declaração sobre bissexualidade

- Anos atrás, falando em sexualidade fluida, você declarou que escolher entre um homem e uma mulher seria como "escolher entre bolo e sorvete". O que você acha disso hoje? "Acho que foram os anos 90, mas é uma frase tirada de contexto. Era um discurso muito maior. Ainda acredito que somos todos bissexuais em certo grau, cerca de 1%, cerca de 50% ou 100%, mas nunca compararia gênero com comida, isso seria desrespeitoso. Havia muitos repórteres homens na época, que queriam me pintar como uma "elfo excêntrica". Eles colocavam palavras na minha boca que eu não disse. Infelizmente, não havia muitas jornalistas mulheres. A boa notícia é que agora as coisas mudaram muito! É um mundo totalmente diferente, não comparável [ao da época]. Felizmente, muito mais mulheres escrevem artigos e há mais musicistas". - Björk em entrevista para Vanity Fair, março de 2023.

Saiba tudo sobre as visitas de Björk ao Brasil

Relembre todas as passagens de Björk por terras brasileiras! Preparamos uma matéria detalhada e cheia de curiosidades: Foto: Reprodução (1987) Antes de vir nos visitar em turnê, a cantora foi capa de algumas revistas brasileiras sobre música, incluindo a extinta  Bizz,  edição de Dezembro de 1989 . A divulgação do trabalho dela por aqui, começou antes mesmo do grande sucesso e reconhecimento em carreira solo, ainda com o  Sugarcubes . 1996 - Post Tour: Arquivo: João Paulo Corrêa SETLIST:  Army of Me One Day The Modern Things Venus as a Boy You've Been Flirting Again Isobel Possibly Maybe I Go Humble Big Time Sensuality Hyperballad Human Behaviour The Anchor Song I Miss You Crying Violently Happy It's Oh So Quiet.  Em outubro de 1996, Björk finalmente desembarcou no Brasil , com shows marcados em São Paulo (12/10/96) e no Rio de Janeiro (13/10/96) , como parte do Free Jazz Festival . Fotos: ...

Debut, o primeiro álbum da carreira solo de Björk, completa 30 anos

Há 30 anos , era lançado "Debut", o primeiro álbum da carreira solo de Björk : "Esse disco tem memórias e melodias da minha infância e adolescência. No minuto em que decidi seguir sozinha, tive problemas com a autoindulgência disso. Era a história da garota que deixou a Islândia, que queria lançar sua própria música para o resto do mundo. Comecei a escrever como uma estrutura livre na natureza, por conta própria, na introversão". Foi assim que a islandesa refletiu sobre "Debut" em 2022, durante entrevista ao podcast Sonic Symbolism: "Eu só poderia fazer isso com algum tipo de senso de humor, transformando-o em algo como uma história de mitologia. O álbum tem melodias e coisas que eu escrevi durante anos, então trouxe muitas memórias desse período. Eu funcionava muito pelo impulso e instinto". Foto: Jean-Baptiste Mondino. Para Björk, as palavras que descrevem "Debut" são: Tímido, iniciante, o mensageiro, humildade, prata, mohair (ou ango...

Björk não está interessada em lançar um documentário

A série de podcasts "Sonic Symbolism" foi editada a partir de 20 horas de conversas de Björk com a escritora Oddný Eir e o musicólogo Ásmundur Jónsson. O projeto traz a própria islandesa narrando a história por trás de sua música. "Não fiz isso para obter algum encerramento terapêutico. A razão pela qual decidi fazer foi que eu estava recebendo muitos pedidos para autobiografias e documentários. Recusei todos! Não quero me gabar, mas estou em uma posição em que, se eu não fizer isso, outra pessoa fará!". A cantora explicou que os documentários feitos sobre artistas mulheres são "realmente injustos, às vezes", que muitas vezes são "apenas uma lista de seus namorados e ficam dizendo: "Ah, eles tiveram uma vida feliz" se tiverem tido um casamento. Mas se não tiver sido o caso, então a vida delas foi um fracasso. Com os homens, eles não fazem nada disso". A intenção de Björk com os episódios é "dar importância ao meu trabalho" e ...

O constante período criativo de Björk

A proposta de entrevista de Björk para o El Mundo veio com duas condições: tinha que ser por e-mail e as respostas precisavam ser reproduzidas na íntegra. Em troca, a equipe do jornal espanhol sugeriu que o bate-papo fosse iniciado com três perguntas parecidas com as que o jornalista Paulo Gil fez a ela em 2001, para o livro "El pop después del fin del pop" da revista Rockdelux. A ideia é comparar os depoimentos e ver o quanto a artista mudou desde então. - Por que você dá tanta importância à coragem ao criar ou tocar música? Hmm... Acho que este pode ser um daqueles momentos em que meu humor não traduz bem isso, mas obviamente existem diferentes tipos de bravura. Coragem para não se conformar, coragem para ter disciplina para praticar com seu instrumento muitas horas por dia, coragem para não depender do conforto do lar ou da família quando os projetos são realizados, e pelo contrário: coragem para se apoiar na família e amigos quando os projetos são realizados... O que e...