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As roupas do show Cornucopia

Foto: Santiago Felipe

Quem já assistiu a Björk se apresentando ao vivo, pôde perceber que vê-la no palco é algo parecido com uma experiência espiritual. Desde o instante em que põe os pés ali até o momento do adeus, a artista visionária islandesa atrai sua multidão, que em silêncio a reverencia. Enquanto acompanha o mundo fantástico criado pela cantora, o público é levado a uma jornada pelas profundezas do nosso imaginário. 

A estilista Edda Gudmundsdottir também conversou com a Dazed sobre Cornucopia. Ela falou como a estética de Olivier Rousteing, diretor da Balmain, foi o elemento perfeito para dar vida aos personagens do show. Cada um desses looks foi meticulosamente planejado e personalizado. Várias partes dessas peças foram aprimoradas e exageradas, como se os que as vestem tivessem evoluído e se adaptado ao novo ambiente: “Foi tão interessante de se fazer, mas minhas favoritas são as roupas mais redondas, esculturais e parecidas com pérolas”, explicou o próprio Rousteing no dia anterior ao show em Londres. “Criá-los foi um grande desafio para nós, devido à sua arquitetura e proporção, e é claro, precisávamos garantir que ela pudesse se mover livremente". 

"Eu e a Björk crescemos juntas na Islândia. Frequentávamos a mesma escola, temos muitos amigos em comum. Naquela época, não tinha muitas coisas para os adolescentes fazerem em Reykjavik, então nos fins de semana íamos ao centro da cidade e andávamos em círculos enquanto bebíamos misturas caseiras de álcool com frutas marinadas por dias. Passávamos horas festejando, conversando sobre música e roupas punk", contou Edda durante a entrevista. 

"Quando eu vi a alta costura de Olivier, pensei que as formas e cores seriam uma ótima combinação para Cornucopia. Então, mais tarde, descobri que ele havia convidado Björk para assistir ao seu desfile, e que partes dessa coleção foram justamente inspiradas nela. É engraçado como o universo, às vezes, cria essas pequenas coincidências. No islandês, existe um termo para isso, se nomeia Alaeta. Não tenho certeza se tem uma tradução em inglês. Basicamente, significa que estamos de olho e nos alimentando de tudo. Björk tem sido uma figura imensamente importante em abrir os meus olhos, para que eu preste atenção nos designers que estão surgindo, muito antes de se tornarem populares. Nós duas amamos misturar o inesperado. Balmain e Björk é uma colaboração inusitada, mas que funciona perfeitamente", ela explica. 

Foto: Balmain

E quando o resultado é materializado, as reações são das mais emocionantes: "Vê-la ao lado da banda se apresentando no palco usando essas roupas, ainda traz lágrimas de alegria aos meus olhos. Por natureza, sou incrivelmente competitiva e uma perfeccionista. Na maioria das vezes nestes casos, acabo encontrando coisas que eu acho que poderiam ter sido melhores. No entanto, esse show me traz muita satisfação! Não me interpretem mal: ainda é um trabalho em andamento e continuará evoluindo, mas estou orgulhosa de onde chegamos até agora. 

Cornucopia está apenas começando, temos pelo menos mais um ano (de apresentações) pela frente. É uma conversa em andamento, que continuará evoluindo por algum tempo".



E qual seria a melhor coisa de se trabalhar com uma artista como Björk? "Sua paixão, ética de trabalho e humanidade. Ela continua me incentivando até novas ideias e permitindo que todos brinquemos com ela".


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