Pular para o conteúdo principal

Synchronicity: A música de Björk para skatistas

Foto: Divulgação (2003)

31 de agosto de 2003, foi o dia do penúltimo show da Greatest Hits Tour. A apresentação em Boston, nos Estados Unidos, rendeu boas lembranças para Björk. Uma festa nos bastidores do espetáculo deu origem a uma canção chamada Synchronicity, que foi usada no documentário Hot Chocolate, de Spike Jonze



Em 2006, em entrevista para a Slap Magazine, a artista falou sobre a inspiração da composição: 

"Eu estava fazendo uma turnê no verão passado, e recebi uma mensagem do meu amigo Spike Jonze, me dizendo: "Está tudo bem se eu for ao seu show na lista de convidados? Sou eu e mais dezessete pessoas". Eu nunca recebo pedidos assim, então achei muito engraçado. 

Fiz a apresentação, e com performances ao vivo tem dias que são bons e outros ruins. Talvez, naquele dia eu não tenha feito um dos meus melhores, mas depois, nos bastidores, montamos várias mesas e cadeiras ao ar livre. Tínhamos um pequeno aparelho de som portátil e o Drew, do Matmos, aproveitou para fazer um DJset. Aí Spike e seus dezessete convidados vieram dizer oi. Fui apresentada a todos eles, e isso tudo acabou se tornando muito divertido. 

Todo mundo começou a dançar, mas estava muito lamacento lá, então alguém arrastou um tapete que pegaram de algum lugar, e o colocaram no chão. Os convidados fizeram diversos breaks e inventamos danças estúpidas. Resumindo, para mim acabou sendo dez vezes mais divertido do que o meu show. 


Dois meses depois, recebi um e-mail do Spike perguntando se eu estaria disposta a fazer uma música para o filme deles. Fiquei realmente empolgada, e respondi: "Sim, claro!". Eu estava no meio da produção do Medúlla, passando um tempo em um estúdio localizado numa pequena ilha na costa da África. Spike estava em Los Angeles, então eu escrevia a música enquanto recebia dele online, as imagens dos meninos andando de skate para que eu pudesse ver como seria no corte final. Daí, eu costumava enviar de volta e ele comentava, para que eu retrabalhasse no que solicitava. 

No dia do show, conheci todos esses caras, mas não lembrava de como se chamavam, pois tomei alguns drinques, rs. Mas um deles, acabou me enviando todos os nomes. O que eu fiz foi experimentar na letra a partir disso, colocando-os nas palavras da música".


O jornalista Mark Whiteley então lhe perguntou: "Os garotos skatistas com quem conversei que estavam nos bastidores desse show, me disseram que se divertiram muito com você, que foi o ponto alto da viagem deles. Você ficou surpresa por gostarem do seu som, ou já sabia disso?". Björk respondeu: "Para ser sincera, eu não tinha ideia de que eles tinham gostado tanto daquele dia. Fiquei muito lisonjeada em saber. Foi uma experiência muito legal, esses meninos eram destemidos! Foi muito divertido".

Postagens mais visitadas deste blog

20 anos de Homogenic

Em  22 de Setembro de 1997 , Björk lançou mais um álbum icônico para a sua coleção que já era repleta de clássicos.  Pegue seus fones de ouvido e escolha sua plataforma musical preferida  e acompanhe uma  matéria especial  sobre os  20 anos de  " Homogenic ".   Comercial do álbum CURIOSIDADES: - O disco  foi gravado no estúdio "El Cortijo" de Trevor Morais, localizado no sul da  Espanha .  - Para a edição japonesa de "Homogenic",   "Jóga (Howie B Version)", "Immature" (Björk’s Version), "So Broken", "Nature Is Ancient" e "Jóga (Alec Empire Mix)" serviram de bônus track. - "Jóga"  também é o nome de uma das melhores amigas de Björk. -  As letras em braille na capa e no encarte do  CD single/Boxset  de "Alarm Call" não significam absolutamente nada. - Um  livro especial  em comemoração aos 20 anos de "Homogenic" será lançado em Outubro deste ano.  -...

A metáfora do "fungo" que guia o álbum Fossora de Björk

Sobre a metáfora do "fungo" que guia o disco "Fossora", Björk explica: "É algo que vive no subsolo, mas não as raízes das árvores. Um "álbum de raiz de árvore" seria bastante severo e estoico, mas os cogumelos são psicodélicos e aparecem em todos os lugares", ela considera essa tese, aparentemente satisfeita. "O meu "período de fungo" foi borbulhante e divertido, com muita dança. E o headbanging/bate cabelo no final de cada música... aaahhhh!". Björk fala de sua obsessão pandêmica por documentários como "Fungos Fantásticos", que é cheio de imagens com rápida passagem de tempo da disseminação de redes de fungos: "Eu fiquei tipo: "Eu não consigo entender por que estou ressoando tanto com isso. É porque esse vírus está se movendo, ferindo todo o planeta?". Os cogumelos também tinham um apelo poético: ao decompor plantas e animais mortos e reciclarem seus nutrientes no solo, os fungos criam uma nova vida ...

Björk fala da liberdade das mulheres na música eletrônica

"A música eletrônica pode ser tão orgânica quanto guitarra, baixo ou bateria. Não há diferença entre uma guitarra e um computador em termos de natural/artificial. É apenas um instrumento. Tudo depende do que você faz com o instrumento. O patriarcado promoveu bandas como caras que assistem futebol e depois montam um grupo. Para as mulheres era diferente, elas não tinham lugar. Ganharam liberdade com os computadores, podendo produzir suas próprias canções em casa. O computador nos permitiu tomar todas as decisões sobre nossas músicas. Não precisávamos mais entrar no estúdio, lidar com todos aqueles caras, engenheiros de som e produtores nos pedindo para sacrificar nossos instintos. Não estou dizendo que é sempre o caso, mas acho que foi libertador. Quando a fita VHS chegou na década de 1980, muitas artistas femininas entraram no mundo da arte com seus vídeos, como Marina Abramović e Ana Mendieta . Elas poderiam ser as chefes, não precisavam mais "entrar" no mundo da arte. ...

Björk não está interessada em lançar um documentário

A série de podcasts "Sonic Symbolism" foi editada a partir de 20 horas de conversas de Björk com a escritora Oddný Eir e o musicólogo Ásmundur Jónsson. O projeto traz a própria islandesa narrando a história por trás de sua música. "Não fiz isso para obter algum encerramento terapêutico. A razão pela qual decidi fazer foi que eu estava recebendo muitos pedidos para autobiografias e documentários. Recusei todos! Não quero me gabar, mas estou em uma posição em que, se eu não fizer isso, outra pessoa fará!". A cantora explicou que os documentários feitos sobre artistas mulheres são "realmente injustos, às vezes", que muitas vezes são "apenas uma lista de seus namorados e ficam dizendo: "Ah, eles tiveram uma vida feliz" se tiverem tido um casamento. Mas se não tiver sido o caso, então a vida delas foi um fracasso. Com os homens, eles não fazem nada disso". A intenção de Björk com os episódios é "dar importância ao meu trabalho" e ...

Debut, o primeiro álbum da carreira solo de Björk, completa 30 anos

Há 30 anos , era lançado "Debut", o primeiro álbum da carreira solo de Björk : "Esse disco tem memórias e melodias da minha infância e adolescência. No minuto em que decidi seguir sozinha, tive problemas com a autoindulgência disso. Era a história da garota que deixou a Islândia, que queria lançar sua própria música para o resto do mundo. Comecei a escrever como uma estrutura livre na natureza, por conta própria, na introversão". Foi assim que a islandesa refletiu sobre "Debut" em 2022, durante entrevista ao podcast Sonic Symbolism: "Eu só poderia fazer isso com algum tipo de senso de humor, transformando-o em algo como uma história de mitologia. O álbum tem melodias e coisas que eu escrevi durante anos, então trouxe muitas memórias desse período. Eu funcionava muito pelo impulso e instinto". Foto: Jean-Baptiste Mondino. Para Björk, as palavras que descrevem "Debut" são: Tímido, iniciante, o mensageiro, humildade, prata, mohair (ou ango...