Pular para o conteúdo principal

Já pensou ter a oportunidade de trabalhar com Björk? Saiba como James Merry começou a colaborar com a artista



"A primeira vez que a vi foi em Nova Iorque, nós tínhamos um amigo em comum. Ela estava começando a pensar no Biophilia, isso foi em 2009. Esse meu colega me disse que ela estava procurando alguém para sua equipe, uma espécie de assistente de pesquisa. Naquela época, eu trabalhava em Londres, com um artista chamado Damien Hirst. Estava desesperado para sair da cidade, então eu e Björk começamos a trocar alguns emails… 

Certa vez, economizei por muito tempo e consegui viajar com alguns amigos para a Califórnia, durante um feriado. Enquanto eu estava lá, falei com a Björk e ela me disse: "Por que você não vem para Nova York me ver?". Então, quando eu estava voltando da Califórnia, peguei um voo para NY. Até então, não tinha feito muitas viagens, não estava acostumado a estar em aviões, tampouco ir até essa cidade. Eu estava muito ansioso, foi surreal! 




Fui para a casa dela, tomamos café da manhã juntos. Passamos a tarde conversando sobre o projeto Biophilia e assistindo a vídeos. Aquele álbum é muito sobre ciência e natureza, assuntos pelos quais eu já era bem interessado. Foram algumas horas de "ai meu deus, você viu aquele vídeo daquele peixe que faz aquela coisa?". Depois de um tempo, de volta para casa, pensei: "Isso acabou de acontecer?". Foi tudo muito rápido, pois logo recebi uma mensagem me perguntando se eu gostaria de me mudar para Nova York e trabalhar com a Björk, e eu aceitei. 

Tive duas semanas para conseguir o visto e me demitir do meu trabalho. Desse dia em diante, do nada, comecei a viver sempre com um mala de viagem pronta. Se eu pudesse me dar um conselho no passado, diria para relaxar mais. Hoje, tenho 38 anos. Estou mais tranquilo do que costumava ser. De fato, acho que só comecei a fazer o meu próprio trabalho há uns cinco anos, sabe? Sempre fui criativo e costumava produzir coisas para os meus amigos, mas o que considero minha própria arte só aconteceu bem tarde na minha vida. Durante os meus 20 anos, vivia frustrado, pois sabia que eu era criativo, mas não produzia de verdade. Estava preso em Londres, pagando aluguel. Então, eu provavelmente diria a mim mesmo: "Aguenta firme, você vai conseguir criar, vai acontecer. Só espera mais um pouco, porque vai vir na hora certa!"". 

- James Merry em entrevista para a Elle Brasil, outubro de 2020. Ele trabalha com Björk desde 2009 e hoje vive na Islândia. 

Fotos: Mert Alas e Marcus Piggott; David Ablehams. 

Postagens mais visitadas deste blog

Conheça as histórias de todas as canções do álbum "Utopia"

Lançado em 24 de novembro de 2017 , o álbum Utopia é um dos trabalhos mais incríveis da carreira de Björk .  Reunimos em uma matéria especial detalhes de todas as faixas do projeto. Confira:  Foto:  Jesse Kanda (2017).  1. Arisen My Senses: "A primeira faixa que escrevi para o álbum Utopia foi justamente a de abertura. A melodia é como uma constelação no céu. É quase uma rebelião otimista contra modulações com narrativa "normais". Não há apenas uma. Tem umas cinco e eu realmente amei isso. Adicionei um arranjo de harpa junto de um texto, e enviei essa música de presente para a Arca . Ela mal podia acreditar, pois sentiu que bati de algum jeito em seu inconsciente! Criei a partir de um trecho de uma mixtape no SoundCloud dela, um trabalho feito uns três anos antes. Vi aquilo como o seu material mais feliz. Nem comentei com ela, apenas reeditei e mandei. Desta vez, estávamos fazendo juntas, de igual para igual, o oposto de Vulnicura . E esse foi o ponto de partida...

Exposição Björk Digital em cartaz no Rio de Janeiro

Rio de Janeiro , chegou a sua vez, mas atenção ! Ver essa foto no Instagram Atenção, Rio! Quem não foi na 1º semana da #BjörkDigital na cidade ou quiser retornar, vai ter que esperar mais um pouquinho para conferir a programação. O CCBB anunciou que todas as atividades do museu serão suspensas, incluindo a exposição da islandesa, a partir de 14 março de 2020. A intenção é diminuir o risco de propagação do Coronavírus (Covid-19). Para mais informações, entrem em contato com eles pelas redes sociais ou no e-mail ccbbrio@bb.com.br. Ainda não há previsão de retorno. #björk #bjork Uma publicação compartilhada por Björk BR (@sitebjorkbrasil) em 13 de Mar, 2020 às 3:41 PDT Atualização (14/09): A reabertura do CCBB Rio de Janeiro já tem data marcada. Em 16/09, o espaço volta a funcionar com uma série de medidas de segurança. Infelizmente, a exposição "Björk Digital", por enquanto, não fará parte da programaç...

Sonic Symbolism: Tradução completa do 1º episódio do podcast de Björk

Björk agora tem o seu próprio podcast ! Nos episódios de "Sonic Symbolism", a artista descreve o processo criativo de cada um de seus álbuns em conversas profundas com amigos e colaboradores. Clique AQUI para colocá-lo para tocar na sua plataforma digital favorita e confira abaixo a tradução completa do capítulo dedicado ao disco "Debut": . . . Björk: Eu caminhava bastante ao ar livre, o que fazemos muito na Islândia. Caminhava até a escola em Fossvogur . E isso era por uns 40 minutos. Fiz esse trajeto dos 8 até os 12 anos. Naquela época, não importava o clima, a gente apenas caminhava até a escola. Era meio louco, sabe? Não era só eu que fazia isso, mas todos os meus amigos também. E isso meio que fez parte da construção do caráter. Havia nevascas ferozes acontecendo, e daí mesmo assim a gente ia a pé até a escola, entende? E no caminho, eu ia cantando. Isso era meio que o meu conforto. Quero dizer, obviamente, isso ainda era algo muito assustador para uma cri...

Björk não está interessada em lançar um documentário

A série de podcasts "Sonic Symbolism" foi editada a partir de 20 horas de conversas de Björk com a escritora Oddný Eir e o musicólogo Ásmundur Jónsson. O projeto traz a própria islandesa narrando a história por trás de sua música. "Não fiz isso para obter algum encerramento terapêutico. A razão pela qual decidi fazer foi que eu estava recebendo muitos pedidos para autobiografias e documentários. Recusei todos! Não quero me gabar, mas estou em uma posição em que, se eu não fizer isso, outra pessoa fará!". A cantora explicou que os documentários feitos sobre artistas mulheres são "realmente injustos, às vezes", que muitas vezes são "apenas uma lista de seus namorados e ficam dizendo: "Ah, eles tiveram uma vida feliz" se tiverem tido um casamento. Mas se não tiver sido o caso, então a vida delas foi um fracasso. Com os homens, eles não fazem nada disso". A intenção de Björk com os episódios é "dar importância ao meu trabalho" e ...

A história do vestido de cisne da Björk

20 anos! Em 25 de março de 2001 , Björk esteve no Shrine Auditorium , em Los Angeles, para a 73º edição do Oscar . Na ocasião, ela concorria ao prêmio de "Melhor Canção Original" por I've Seen It All , do filme Dancer in the Dark , lançado no ano anterior.  No tapete vermelho e durante a performance incrível da faixa, a islandesa apareceu com seu famoso "vestido de cisne". Questionada sobre o autor da peça, uma criação do  fashion   designer macedônio  Marjan Pejoski , disse: "Meu amigo fez para mim".    Mais tarde, ela repetiu o look na capa de Vespertine . Variações também foram usadas muitas vezes na turnê do disco, bem como em uma apresentação no Top of the Pops .  "Estou acostumada a ser mal interpretada. Não é importante para mim ser entendida. Acho que é bastante arrogante esperar que as pessoas nos compreendam. Talvez, tenha um lado meu que meus amigos saibam que outros desconhecidos não veem, na verdade sou uma pessoa bastante sensata.  ...