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A magia do show de Björk no Royal Opera House com a Vespertine Tour

Em 16 de Dezembro de 2001, Björk se apresentava com a Vespertine Tour no Royal Opera House, em Londres. 

A gravação se tornou um dos melhores registros dela nos palcos. Essencial para todos que desejam assistir a um concerto da artista. O DVD está entre os favoritos dos fãs. Antes do lançamento, foi exibido como um especial de TV na BBC

Björk nunca se contenta em simplesmente recriar o que foi feito em estúdio. Todos os elementos são ampliados. Ela parecia estar super confiante e presente, deixando seu público "hipnotizado". A dedicação dela está em cada aspecto. O clima é bastante intimista, com um som incrível e delicado, representando muito bem o universo de Vespertine, junto de Il Novecento Orchestra, Simon Lee, Matmos, Zeena Parkins e o incrível Greenland Choir

Com ingressos esgotados, o show foi um dos três últimos da turnê. Bachelorette e Play Dead também fizeram parte do setlist daquela noite, mas foram cortadas da edição final. A direção do DVD lançado em 2002 é de David Barnard, que também assina Live at Cambridge e Live at Shepherds Bush Empire, registros ao vivo de Homogenic e Post

Björk foi a primeira artista pop contemporânea a se apresentar no Royal Opera House, que geralmente é reservado para eventos de música clássica. O mesmo aconteceu na maioria dos teatros e igrejas lendários que receberam a turnê. Para melhorar a experiência do público, vários equipamentos de som tiveram de ser adicionados. Nos concertos menores, como o Reverb, ela cantou bem mais próxima da plateia. 

As projeções na tela são paisagens árticas e desenhos relacionados a Biologia. Imagens criadas por Brian e Cherry Alexander; e Ernst Häckel

"Normalmente, o que faço é elaborar um álbum por três anos, e talvez fico na estrada por cinco meses. Foi assim com Vespertine. Coloquei toda a ênfase no espaço criativo e na composição. Fazer a turnê foi como uma reflexão", explicou Björk em entrevista ao Reykjavik Grapevine

Os bastidores dos espetáculos aparecem no documentário Minuscule, dirigido por Ragnheidur Gestsdóttir

Com relação ao repertório, Frosti, a faixa de abertura, é na verdade uma versão de Pagan Poetry na caixinha de música, que pode ser encontrada no single de Cocoon. É diferente da Frosti do álbum original; It's in Our Hands foi interpretada antes da versão em estúdio virar single no Greatest Hits; Em Reykjavík, algumas músicas foram cantadas em islandês.  

Durante a turnê, Björk também cantou outras canções: The Anchor Song, Unravel, I've Seen It All, Venus as a Boy, Play Dead, Le Petit Chevalier (Nico cover), You've Been Flirting Again; Gotham Lullaby (Meredith Monk cover), uma versão inicial de Who Is It do Medúlla, Army of Me e Bachelorette. Essas duas últimas mencionadas, foram transmitidas profissionalmente no canal de TV WOWOW, que exibiu o show do Japão com exclusividade. 

Do Vespertine, apenas duas canções não foram apresentadas em 2001. Heirloom, que ganhou performances no Coachella 2002, Greatest Hits Tour e Biophilia Tour; e Sun In My Mouth, interpretada em um programa de TV islandês em 2011, na Vulnicura Tour e recentemente no Orkestral

A Vespertine Tour também ganhou um álbum ao vivo, que contém os momentos favoritos da islandesa na série de espetáculos, como I've Seen It All e Unravel. O disco inclui músicas e takes vocais (em uma mesma faixa) de diferentes datas. A ideia era obter as versões mais perfeitas possíveis. 

Na primeira década da carreira solo da nossa amada, os fãs compartilhavam entre si bootlegs feitos por eles mesmos. Tempos depois, Vespertine Live saiu oficialmente no Live Box, que trouxe uma coleção de performances com curadoria e produção da própria Björk. Até então, nada havia sido liberado formalmente e ela sabia que seu público desejava tudo em alta qualidade: 

"As pessoas reclamavam que eu nunca lançava coisas antigas, e elas sabiam que havia gravações. Não fazia isso, pois passei todo o meu tempo escrevendo novas músicas. Eu só precisava de um tempo para começar. E então, minha gravidez me pareceu o período perfeito. 

Tínhamos gravado todos os shows por 10 anos. No início, eram centenas de horas de material. Foi muito trabalhoso, mas algo bom na época, porque eu estava envolvida em meus hormônios de "aninhamento". Eu estava grávida e poderia me tornar uma bibliotecária. Geralmente, esse não é meu lado mais forte. Não sou do tipo colecionadora. Quando terminei, pensei: "Ok, no futuro, não vou esperar tanto tempo"", disse em entrevista ao Grapevine e no site oficial. 

Além de algumas performances na TV, a maior parte da divulgação da turnê aconteceu na internet, bem como a venda de ingressos, algo nada usual para época. Björk viajou pela Europa, América do Norte e Ásia em 35 shows. Em Dezembro de 2001, ela disse ao The Guardian

"Trabalhei muito na web durante a produção do álbum. Toda a equipe ao meu redor usava laptops, então isso parecia ser o certo. Além disso, por causa da natureza do show, com 74 músicos no palco, tocando para 1.000 pessoas, era óbvio desde o início que poucos dos que queriam ir poderiam assistir. Parecia natural começar a venda com os fãs. Também nos ajudou a evitar revendedores de ingressos e cambistas. E como fizemos apenas alguns shows, muitas vezes escolhendo a favor da acústica dos lugares e não da capacidade/localização, vender ingressos online significava que não era apenas algo para o público local, mas sim internacional". 

Ela contou que aprendeu muito sobre seu público ao organizar essa turnê exclusivamente pela internet: "Aprendi que eles se importam, que são muito pacientes comigo. É uma turnê muito incomum para mim. A primeira e talvez a última que poderei me permitir o luxo de ter uma orquestra, de poder me apresentar em pequenos locais com som de chocolate (acústico)". 

Durante o bate-papo, falou sobre o que esperava de seu trabalho na internet no futuro: "Gosto de coisas que crescem naturalmente, há tantas decisões de longo prazo no meu trabalho. Tento tomar o mínimo possível delas, para me sentir mais espontânea. A internet com certeza me apoia. Eu posso, em teoria, escrever e gravar uma música e colocá-la na web no mesmo dia. O que é muito libertador. 

Acredito que a coisa mais mágica disso tudo é que permite que pessoas com empregos como o meu façam o que quiserem, então tentar prever o que vai ou não acontecer pode estragar a surpresa. Cada criador de música deve ser capaz de tratar a web de uma maneira diferente. A maioria daqueles que fazem música, querem apenas tocar para as pessoas que gostariam de ouvi-las. É simples assim. Essa é a base de pessoas como eu, a motivação por trás de tudo que faço, então é um caminho que torna isso mais simples e fácil. Tocar música para os ouvintes e ignorar toda a indústria e a máquina. É muito tentador. Confesso que talvez seja utópico, talvez bom demais para ser verdade". 

Fotos: Reprodução/Divulgação. 

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