Pular para o conteúdo principal

Bergur Þórisson fala sobre colaboração como diretor musical de Björk

Bergur Þórisson é diretor musical de Björk desde 2016. Ele começou auxiliando a islandesa em "Vulnicura Live", que é um álbum ao vivo da turnê de mesmo nome.

Em entrevista de agosto de 2022 ao RÚV, o artista disse: "Eu realmente aprofundei nisso com ela". Após começar a trabalhar na mixagem de som do disco, as coisas começaram a evoluir para ele na equipe da islandesa:

"Depois disso, gradualmente, começamos a trabalhar no "Utopia" e colaboramos com grandes flautistas. Como resultado, fizemos shows com esse material".

Bergur fez parte das turnês "Utopia", "Cornucopia" e "Orkestral". Como Björk, ele também foi um membro de uma geração mais jovem do tradicional Hamrahlíð Choir.

Em 2019, o islandês disse para a Dazed que o convite para trabalhar com Björk surgiu da seguinte forma: "Eu recebi um telefonema do tipo: "Ei, você está disponível para trabalhar com a Björk amanhã?" e eu fiquei: "Uau, claro, eu provavelmente posso mudar as coisas (na minha agenda)".

Ela veio até mim, em 2016, e disse que queria algumas flautas. Eu disse: "Claro, quantas flautas você quer?" e ela: "Podemos conseguir 12 garotas islandesas que tocam flauta profissionalmente?". Existem umas 300.000 meninas morando aqui na Islândia, então essa foi uma tarefa bem difícil, mas consegui encontrar 12 para o álbum, e fizemos vários ensaios em uma cabana. Foi uma experiência muito bonita.

Björk criou a música mais linda para todas elas, e aí ensaiamos e gravamos. Nós chamamos esses encontros de "flautas às sextas-feiras". Em meio a isso, íamos à padaria. Um tempo depois, fizemos algumas experiências com um número menor de flautistas, e acabamos achando que sete era a quantidade perfeita para a turnê, o grupo Viibra".

Recentemente, Bergur esteve envolvido no desenvolvimento do álbum "Fossora", que será lançado ainda em 2022.

Em julho de 2020, Björk falou com o Fréttablaðið sobre o tempo que passou com o músico construindo novas canções. Ela explicou que não teve pressa no processo criativo: "Realmente não importa o que acontece na minha vida, sempre sigo esse ritmo. Consegui fazer algo no mês passado, trabalhei em algumas coisas com o Bergur Þórisson, um musicista aqui da Islândia. Ele ficou de quarentena comigo, vinha pelo menos duas vezes por semana. Nossa colaboração já dura alguns anos, então foi ótimo poder passar um tempo com ele nesse momento".

Na entrevista ao RÚV, Bergur contou que quando começou a trabalhar como diretor musical de Björk, o manager dela avisou: "Ele me disse que ninguém dura mais de quatro anos nesse cargo". Porém, a colaboração evoluiu, porque ele já está no sexto ano da parceria e gosta muito disso: "Já passei dessa fase e acho tudo muito legal. Björk é uma pessoa absolutamente ótima e é um prazer trabalhar com ela".

Entre seus inúmeros projetos, Bergur Þórisson também é um colaborador frequente de Ólafur Arnalds e faz parte da dupla Hugar.

Na entrevista ao RÚV, ele explicou que considera importante realizar diversas tarefas como diretor de gravação. Comparando fazer suas próprias composições com as colaborações com Björk, disse que é como uma educação complementar: "Na verdade, é como acontece em todos os empregos. Trabalhar com os outros e também produzir nossas próprias coisas traz uma certa renovação".

Que professora, hein!

Quem também está envolvido em "Fossora" é Jake Miller. Em seu site oficial, ele listou sua participação no disco. A informação foi enfim confirmada por lá após 2 anos, pois os fãs da islandesa já sabiam. Anteriormente, ele foi um dos responsáveis pelo elogiado áudio do show "Cornucopia" e trabalhou nos vocais da islandesa para "Afterwards", dueto com Arca.

Fotos: Santiago Felipe.

Postagens mais visitadas deste blog

Debut, o primeiro álbum da carreira solo de Björk, completa 30 anos

Há 30 anos , era lançado "Debut", o primeiro álbum da carreira solo de Björk : "Esse disco tem memórias e melodias da minha infância e adolescência. No minuto em que decidi seguir sozinha, tive problemas com a autoindulgência disso. Era a história da garota que deixou a Islândia, que queria lançar sua própria música para o resto do mundo. Comecei a escrever como uma estrutura livre na natureza, por conta própria, na introversão". Foi assim que a islandesa refletiu sobre "Debut" em 2022, durante entrevista ao podcast Sonic Symbolism: "Eu só poderia fazer isso com algum tipo de senso de humor, transformando-o em algo como uma história de mitologia. O álbum tem melodias e coisas que eu escrevi durante anos, então trouxe muitas memórias desse período. Eu funcionava muito pelo impulso e instinto". Foto: Jean-Baptiste Mondino. Para Björk, as palavras que descrevem "Debut" são: Tímido, iniciante, o mensageiro, humildade, prata, mohair (ou ango...

Björk e a paixão pelo canto de Elis Regina: "Ela cobre todo um espectro de emoções"

"É difícil explicar. Existem várias outras cantoras, como Ella Fitzgerald , Billie Holiday , Edith Piaf , mas há alguma coisa em Elis Regina com a qual eu me identifico. Então escrevi uma canção, Isobel , sobre ela. Na verdade, é mais uma fantasia, porque sei pouco a respeito dela".  Quando perguntada se já viu algum vídeo com imagens de Elis, Björk respondeu:  "Somente um. É um concerto gravado no Brasil, em um circo, com uma grande orquestra. Apesar de não conhecê-la, trabalhei com ( Eumir ) Deodato e ele me contou várias histórias sobre ela. Acho que tem algo a ver com a energia com a qual ela canta. Ela também tem uma claridade no tom da voz, que é cheia de espírito.  O que eu gosto em Elis é que ela cobre todo um espectro de emoções. Em um momento, ela está muito feliz, parece estar no céu. Em outro, pode estar muito triste e se transforma em uma suicida".  A entrevista foi publicada na Folha de São Paulo , em setembro de 1996. Na ocasião, Björk divulgava o ...

Sindri Eldon explica antigo comentário sobre a mãe Björk

Foto: Divulgação/Reprodução.  O músico Sindri Eldon , que é filho de Björk , respondeu as críticas de uma antiga entrevista na qual afirmou ser um compositor melhor do que sua mãe.  Na ocasião, ele disse ao Reykjavík Grapevine : "Minha principal declaração será provar a todos o que secretamente sei há muito tempo: que sou melhor compositor e letrista do que 90% dos músicos islandeses, inclusive minha mãe".  A declaração ressurgiu no Twitter na última semana, e foi questionada por parte do público que considerou o comentário uma falta de respeito com a artista. Na mesma rede social, Sindri explicou:  "Ok. Primeiramente, acho que deve ser dito que isso é de cerca de 15 anos atrás. Eu era um idiota naquela época, bebia muito e estava em um relacionamento tóxico. Tinha um problema enorme e realmente não sabia como lidar com isso. Essa entrevista foi feita por e-mail por um cara chamado Bob Cluness que era meu amigo, então as respostas deveriam ser irônicas e engraçadas...

Björk não está interessada em lançar um documentário

A série de podcasts "Sonic Symbolism" foi editada a partir de 20 horas de conversas de Björk com a escritora Oddný Eir e o musicólogo Ásmundur Jónsson. O projeto traz a própria islandesa narrando a história por trás de sua música. "Não fiz isso para obter algum encerramento terapêutico. A razão pela qual decidi fazer foi que eu estava recebendo muitos pedidos para autobiografias e documentários. Recusei todos! Não quero me gabar, mas estou em uma posição em que, se eu não fizer isso, outra pessoa fará!". A cantora explicou que os documentários feitos sobre artistas mulheres são "realmente injustos, às vezes", que muitas vezes são "apenas uma lista de seus namorados e ficam dizendo: "Ah, eles tiveram uma vida feliz" se tiverem tido um casamento. Mas se não tiver sido o caso, então a vida delas foi um fracasso. Com os homens, eles não fazem nada disso". A intenção de Björk com os episódios é "dar importância ao meu trabalho" e ...

Björk fala da liberdade das mulheres na música eletrônica

"A música eletrônica pode ser tão orgânica quanto guitarra, baixo ou bateria. Não há diferença entre uma guitarra e um computador em termos de natural/artificial. É apenas um instrumento. Tudo depende do que você faz com o instrumento. O patriarcado promoveu bandas como caras que assistem futebol e depois montam um grupo. Para as mulheres era diferente, elas não tinham lugar. Ganharam liberdade com os computadores, podendo produzir suas próprias canções em casa. O computador nos permitiu tomar todas as decisões sobre nossas músicas. Não precisávamos mais entrar no estúdio, lidar com todos aqueles caras, engenheiros de som e produtores nos pedindo para sacrificar nossos instintos. Não estou dizendo que é sempre o caso, mas acho que foi libertador. Quando a fita VHS chegou na década de 1980, muitas artistas femininas entraram no mundo da arte com seus vídeos, como Marina Abramović e Ana Mendieta . Elas poderiam ser as chefes, não precisavam mais "entrar" no mundo da arte. ...