Pular para o conteúdo principal

Björk lança Atopos, o 1º capítulo do novo álbum Fossora

Dia começando bem com música e clipe inéditos da Björk! "Atopos" teve sua estreia oficial na BBC Radio 6 Music, e já está disponível em todas as plataformas digitais. A canção é o primeiro single do álbum "Fossora".

Clique AQUI para assistir ao novo vídeo, que foi dirigido por Viðar Logi.

Nas redes sociais, a islandesa descreveu o som "perfurante" da faixa como "um passaporte com graves pesados e um sexteto de clarones, nos aninhando e nos enterrando no chão". Segundo a artista, é uma boa introdução ao universo do disco:

"Estou muito feliz em compartilhar com vocês o primeiro vídeo do meu álbum com a música “Atopos”. Por causa da enorme importância do baixo nesta música, você poderia por favor tocá-la bem alto?

Querido Viðar Logi, obrigada por toda sua energia de celebração e por aceitar todos os desafios que eu joguei em você!!! Você transformou todos eles em uma visão de Viðar Logi, e eu não poderia ter um parceiro visual melhor durante a pandemia. Estou tão incrivelmente grata por nossa jornada. Não posso acreditar na quantidade de coisas que fizemos nos últimos 3 anos!!! Mal posso esperar para compartilhar com o mundo".

A direção criativa é da própria Björk. James Merry foi o consultor criativo durante o processo. A produção e letra da canção é também de Björk. A composição dos beats é dela e de Kasimyn do Gabber Modus Operandi.

"Eu quero agradecer ao magnificamente talentoso Kasimyn por me enviar ritmos no digipost e confiar em mim para editá-los em "Atopos" e algumas outras músicas do "Fossora". Agradeço a ele e ao GMO por fornecer música para as "raves domésticas" na Islândia nos últimos anos. Sua música tem um DNA e uma assinatura inegável, que unifica graciosamente autênticos ritmos balineses e techno; e os entrega no Século XXI.

A letra de "Atopos" é inspirada no que Roland Barthes descreveu como o inclassificável OUTRO (em "Fragmentos de um Discurso Amoroso" - título adaptado do original "A Lover's Discourse: Fragments"): "Nossas diferenças são irrelevantes. Nossa união é mais forte do que nós"", explicou Björk.

Em texto publicado no site oficial do álbum, ela também declarou:

"Todos nós passamos por um momento único juntos, quando ficamos em quarentena e tempo o suficiente em um lugar que criamos raízes. Tentei capturar esse sentimento no som de "Atopos". Eu o descrevi para os músicos como o meu "álbum de cogumelos": raízes de árvores e micélio espalhando-se profundamente no solo.

A letra da música é o que Roland Barthes descreve tão magnificamente em seu livro "A Lover's Discourse". É sobre o espírito binário da natureza humana. Esquerda versus direita, homem versus mulher e assim por diante, mas o tema da canção é superar diferenças e unir ou como diz a letra: "Não são essas apenas desculpas para não se conectar? Nossas diferenças são irrelevantes. Nossa união é mais forte que nós"".

O vídeo de "Atopos" foi filmado na Islândia em maio de 2022, com uma equipe islandesa. A cenografia foi uma colaboração entre Björk, o Studio Irma e M/M Paris.

Tradução da letra de "Atopos": "Estas não são apenas desculpas para NÃO se conectar? Nossas diferenças são irrelevantes. Apenas nomear as imperfeições são desculpas para NÃO conectar. Eu me curvo a tudo o que você me deu. Obrigada por ficar enquanto aprendemos a encontrar nossa ressonância, onde nos conectamos para encontrar sua ressonância, onde nos conectamos.

Se não crescermos para fora em direção ao amor, implodiremos para dentro em direção à destruição. Se minha planta não chegar até você, há erosão interna para todos. Perseguir a luz com grande força é uma forma de Maré. Estas não são apenas desculpas para NÃO se conectar? Nossas diferenças são irrelevantes.

Insistir em justiça absoluta em todos os momentos BLOQUEIA a conexão. Nossa união é mais forte que nós. A esperança é um músculo que nos permite conectar a esperança. É um músculo, a esperança é um músculo".

Sobre Kasimyn: Ele é metade do Gabber Modus Operandi, duo musical da Indonésia. Com uma obsessão por sons de high-octane e ritmo acelerado, traz em seu trabalho uma extensa gama de influências em produções vibrantes combinando gabber, footwork, grindcore e noise com uma série de sons exclusivamente indonésios, como jathilan (uma dança tradicional local), dangdut koplo (um subgênero de uma música folclórica popular) e funkot (que lembra tanto o hardcore feliz europeu quanto o dangdut).

Sobre o Murmuri: O clarone é um instrumento da família do clarinete, que toca uma oitava abaixo do clarinete mais comum. Em "Atopos", quem os conduz é o sexteto Murmuri.

Agradecimento especial de Björk a James Merry:

"Gostaria de agradecer a James Merry por seu envolvimento em me ajudar a criar o mundo de "Fossora". Sou grata por esses 13 anos incrivelmente preciosos juntos, cheios de enorme alegria, criatividade, conversas profundas e maduras. Sou grata por sua natureza fértil e generosa, que realmente enriqueceu minha vida. Você é um amigo tão milagroso! Diferentes funções e tudo de uma vez só: isso é algo que absolutamente está no espírito da energia progressiva mercurial que compartilhamos".

O vídeo de "Atopos" já ultrapassou 1 milhão de visualizações.

Fotos: Viðar Logi/Reprodução.



Postagens mais visitadas deste blog

Björk não está interessada em lançar um documentário

A série de podcasts "Sonic Symbolism" foi editada a partir de 20 horas de conversas de Björk com a escritora Oddný Eir e o musicólogo Ásmundur Jónsson. O projeto traz a própria islandesa narrando a história por trás de sua música. "Não fiz isso para obter algum encerramento terapêutico. A razão pela qual decidi fazer foi que eu estava recebendo muitos pedidos para autobiografias e documentários. Recusei todos! Não quero me gabar, mas estou em uma posição em que, se eu não fizer isso, outra pessoa fará!". A cantora explicou que os documentários feitos sobre artistas mulheres são "realmente injustos, às vezes", que muitas vezes são "apenas uma lista de seus namorados e ficam dizendo: "Ah, eles tiveram uma vida feliz" se tiverem tido um casamento. Mas se não tiver sido o caso, então a vida delas foi um fracasso. Com os homens, eles não fazem nada disso". A intenção de Björk com os episódios é "dar importância ao meu trabalho" e ...

"Eu estou fazendo isso por todas as mulheres!"

- "Utopia" foi lançado há 6 meses. Você se sente diferente sobre esse álbum agora? Não mudou muita coisa devido à natureza do álbum. Meu último disco ["Vulnicura"] foi sobre ter o coração partido, todo mês eu me sentia diferente sobre aquelas músicas. Já esse se concentra o máximo possível nos pontos importantes. O tema é sobre como construir uma utopia. A realidade disso tudo é diferente. Os humanos são realmente desajeitados, mas de vez em quando acertam. "Utopia" é sobre essa tensão. - O que te atraiu para a ideia da utopia? Para mim, a Utopia é uma emergência. Foi uma reação à eleição de Trump. Eu estava paralisada, principalmente por causa dos problemas ambientais que ele não fará nada para resolver. Toda vez que a humanidade fica em apuros, é quando mudamos para uma velocidade maior [para solucionar]. Estamos vivendo em tempos em que precisamos reagir rapidamente. Precisamos definir qual é o nosso plano. - Quais iniciativas lhe dã...

Debut, o primeiro álbum da carreira solo de Björk, completa 30 anos

Há 30 anos , era lançado "Debut", o primeiro álbum da carreira solo de Björk : "Esse disco tem memórias e melodias da minha infância e adolescência. No minuto em que decidi seguir sozinha, tive problemas com a autoindulgência disso. Era a história da garota que deixou a Islândia, que queria lançar sua própria música para o resto do mundo. Comecei a escrever como uma estrutura livre na natureza, por conta própria, na introversão". Foi assim que a islandesa refletiu sobre "Debut" em 2022, durante entrevista ao podcast Sonic Symbolism: "Eu só poderia fazer isso com algum tipo de senso de humor, transformando-o em algo como uma história de mitologia. O álbum tem melodias e coisas que eu escrevi durante anos, então trouxe muitas memórias desse período. Eu funcionava muito pelo impulso e instinto". Foto: Jean-Baptiste Mondino. Para Björk, as palavras que descrevem "Debut" são: Tímido, iniciante, o mensageiro, humildade, prata, mohair (ou ango...

A história do vestido de cisne da Björk

20 anos! Em 25 de março de 2001 , Björk esteve no Shrine Auditorium , em Los Angeles, para a 73º edição do Oscar . Na ocasião, ela concorria ao prêmio de "Melhor Canção Original" por I've Seen It All , do filme Dancer in the Dark , lançado no ano anterior.  No tapete vermelho e durante a performance incrível da faixa, a islandesa apareceu com seu famoso "vestido de cisne". Questionada sobre o autor da peça, uma criação do  fashion   designer macedônio  Marjan Pejoski , disse: "Meu amigo fez para mim".    Mais tarde, ela repetiu o look na capa de Vespertine . Variações também foram usadas muitas vezes na turnê do disco, bem como em uma apresentação no Top of the Pops .  "Estou acostumada a ser mal interpretada. Não é importante para mim ser entendida. Acho que é bastante arrogante esperar que as pessoas nos compreendam. Talvez, tenha um lado meu que meus amigos saibam que outros desconhecidos não veem, na verdade sou uma pessoa bastante sensata.  ...

Sonic Symbolism: Tradução completa do 1º episódio do podcast de Björk

Björk agora tem o seu próprio podcast ! Nos episódios de "Sonic Symbolism", a artista descreve o processo criativo de cada um de seus álbuns em conversas profundas com amigos e colaboradores. Clique AQUI para colocá-lo para tocar na sua plataforma digital favorita e confira abaixo a tradução completa do capítulo dedicado ao disco "Debut": . . . Björk: Eu caminhava bastante ao ar livre, o que fazemos muito na Islândia. Caminhava até a escola em Fossvogur . E isso era por uns 40 minutos. Fiz esse trajeto dos 8 até os 12 anos. Naquela época, não importava o clima, a gente apenas caminhava até a escola. Era meio louco, sabe? Não era só eu que fazia isso, mas todos os meus amigos também. E isso meio que fez parte da construção do caráter. Havia nevascas ferozes acontecendo, e daí mesmo assim a gente ia a pé até a escola, entende? E no caminho, eu ia cantando. Isso era meio que o meu conforto. Quero dizer, obviamente, isso ainda era algo muito assustador para uma cri...