Pular para o conteúdo principal

Greatest Hits de Björk completa 20 anos!

Em novembro, o "Greatest Hits" de Björk completou 20 anos! Uma ótima maneira de apresentar a artista a novos fãs, a coletânea inclui boa parte dos principais singles da primeira década da carreira solo da islandesa.

Essa importante coleção de canções cumpre seu papel. De certa maneira, encerrou uma das fases da trajetória dela na música. É uma oportunidade de conhecer um pouco desse trabalho, recomendável para aqueles que não desejam se aprofundar na discografia de imediato.

"Depois que terminei "Vespertine", senti como se tivesse completado algo que realmente queria fazer desde criança, senti que tirei algo do meu peito. Parecia o momento certo para fazer uma retrospectiva dessa história", ela explicou ao The Post-Standard.

Se tratando de Björk, som e imagem estão diretamente ligados. Por esse motivo, a coletânea desperta a curiosidade para uma maratona de videoclipes de músicas tão inesquecíveis. Que delícia é essa descoberta! E Pré-YouTube, funcionava perfeitamente com o DVD "Volumen", que saiu em 1998 e ganhou uma atualização em 2002. 💌

As faixas de "Greatest Hits" foram selecionadas pelos fãs, em maio de 2002, por meio de uma pesquisa no site oficial da cantora. Por curiosidade de Björk, eles também puderam votar em Lados B e o que não foi lançado como single.

"It's In Our Hands", que já havia sido interpretada na "Vespertine Tour", apareceu como uma gravação de estúdio inédita. Dentre as faixas ausentes, o que chamou atenção foi a falta da 10° mais votada: "It's Oh So Quiet", um dos maiores sucessos de Björk: "É um cover de Betty Hutton. Foi a última faixa gravada para o "Post", pois eu queria ter certeza que aquele disco estaria o mais sincronizado possível.

Na verdade, era também uma espécie de piada interna. Acabou se tornando o hino que deixava todos da equipe da turnê (do "Debut") animados antes dos shows. Quase me arrependi de gravá-la depois, porque queria mesmo era focar em algo inédito, seguir em frente. Foi meio que contra os meus princípios, pois sou tão "anti-retro". Então, é irônico que tenha se tornado minha música de maior sucesso" (Entrevistas ao AOL, Sky, Record Collector, Raw, i-D Magazine, Stereogum). 

Beats + Cordas: Björk ainda realizou espetáculos com a "Greatest Hits Tour", cujo setlist trouxe não só as faixas famosas, mas principalmente aquelas menos conhecidas e até coisas do "Medúlla", que ainda não havia sido lançado.

Seguindo as comemorações, chegou ao mercado pela primeira vez uma série de DVDs, bem como "Live Box", uma caixa com álbuns ao vivo. Além disso, foi lançada uma segunda compilação mais detalhada e criativa: Cheia de raridades, "Family Tree" contém vários encartes e mini CDs, "Roots, "Beats", "Strings" e "Words"; bem como um "Best Of" com repertório escolhido pela própria artista.

Em texto publicado no bjork.com e durante entrevista para David Toop, Björk disse:

"Eu acho que, como em tudo, há muitos álbuns ruins de "Greatest Hits" e outros muitos bons. 10% são bons e 90% um lixo, embora eu ainda ache que vale a pena arriscar. Existem alguns por aí que eu amei, com músicas com as quais não estava tão familiarizada. Por exemplo, eu tinha 25 anos quando descobri que Marvin Gaye existia, não conhecia a Soul Music antes disso. Eu tenho algum tipo de coleção de singles dele.

Foi uma experiência nova para mim ouvir muitas dessas minhas músicas. De certa forma, até estranho redescobri-las. Ao mesmo tempo, era algo que eu precisava fazer. A coleção mostra minhas curvas de aprendizado, como me desenvolvi como musicista.

Passei 6 meses vasculhando meus arquivos. Embora não parecesse um trabalho árduo na época, foi como fazer o dever de casa, como uma limpeza na primavera, com momentos nostálgicos, chatos e piegas. No final das contas, foi libertador ter um sótão absolutamente limpo. Agora, tenho um quadro novinho em folha para trabalhar".

Essa ideia está representada nas artes das capas e dos encartes das compilações, que foram desenvolvidas pela artista islandesa Gabríela Friðriksdóttir:

"Como o meu trabalho, o dela também tem quatro "câmaras" que chamamos de "raízes", "batidas", "cordas" e "palavras", então usamos isso para a estrutura taxonômica desse projeto, tentando unir todos esses sistemas opostos, a história, o presente e o ambiente das músicas.

Eu estava pronta para lançar uma coleção de singles, mas também queria compartilhar algo contando como cheguei até aqui. O mais importante era registrar coisas emocionais em uma forma musical, aquilo que vejo como os maiores saltos que dei como compositora".

Fotos: Divulgação.


Postagens mais visitadas deste blog

Com shows beneficentes na Islândia, Björk oferecerá apoio aos artistas locais

Foto: Santiago Felipe Björk marcou quatro shows do espetáculo Orchestral na Islândia, que serão realizados no Harpa Concert Hall , com transmissão ao vivo  online   (Saiba mais clicando AQUI ). Em nova entrevista ao Fréttablaðið , a artista falou da motivação por trás da série de espetáculos em meio a pandemia, planos para o futuro em sua carreira e pela primeira vez, sobre ser avó!   Confira a tradução completa :  Os próximos concertos acústicos da cantora, são uma espécie de celebração aos 27 anos de colaboração dela com artistas locais, com foco nos arranjos de sua autoria, passeando por canções de toda a discografia. Cada uma das apresentações contará com setlists diferentes . No total, foram escolhidas 44 faixas . Segundo a cantora, a ideia desse projeto surgiu com  o livro de partituras  que ela lançou em junho de 2017, em parceria com Jónas Sen . A publicação é destinada não só àqueles com experiência profissional, mas t...

Debut, o primeiro álbum da carreira solo de Björk, completa 30 anos

Há 30 anos , era lançado "Debut", o primeiro álbum da carreira solo de Björk : "Esse disco tem memórias e melodias da minha infância e adolescência. No minuto em que decidi seguir sozinha, tive problemas com a autoindulgência disso. Era a história da garota que deixou a Islândia, que queria lançar sua própria música para o resto do mundo. Comecei a escrever como uma estrutura livre na natureza, por conta própria, na introversão". Foi assim que a islandesa refletiu sobre "Debut" em 2022, durante entrevista ao podcast Sonic Symbolism: "Eu só poderia fazer isso com algum tipo de senso de humor, transformando-o em algo como uma história de mitologia. O álbum tem melodias e coisas que eu escrevi durante anos, então trouxe muitas memórias desse período. Eu funcionava muito pelo impulso e instinto". Foto: Jean-Baptiste Mondino. Para Björk, as palavras que descrevem "Debut" são: Tímido, iniciante, o mensageiro, humildade, prata, mohair (ou ango...

Björk não está interessada em lançar um documentário

A série de podcasts "Sonic Symbolism" foi editada a partir de 20 horas de conversas de Björk com a escritora Oddný Eir e o musicólogo Ásmundur Jónsson. O projeto traz a própria islandesa narrando a história por trás de sua música. "Não fiz isso para obter algum encerramento terapêutico. A razão pela qual decidi fazer foi que eu estava recebendo muitos pedidos para autobiografias e documentários. Recusei todos! Não quero me gabar, mas estou em uma posição em que, se eu não fizer isso, outra pessoa fará!". A cantora explicou que os documentários feitos sobre artistas mulheres são "realmente injustos, às vezes", que muitas vezes são "apenas uma lista de seus namorados e ficam dizendo: "Ah, eles tiveram uma vida feliz" se tiverem tido um casamento. Mas se não tiver sido o caso, então a vida delas foi um fracasso. Com os homens, eles não fazem nada disso". A intenção de Björk com os episódios é "dar importância ao meu trabalho" e ...

Nos 20 anos de Vespertine, conheça as histórias de todas as canções do álbum lendário de Björk

Vespertine está completando 20 anos ! Para celebrar essa ocasião tão especial, preparamos uma super matéria . Confira detalhes de todas as canções e vídeos de um dos álbuns mais impressionantes da carreira de Björk ! Coloque o disco para tocar em sua plataforma digital favorita, e embarque conosco nessa viagem.  Foto: Inez & Vinoodh.  Premissa:  "Muitas pessoas têm medo de serem abandonadas, têm medo da solidão, entram em depressão, parecem se sentir fortes apenas quando estão inseridas em grupos, mas comigo não funciona assim. A felicidade pode estar em todas as situações, a solidão pode me fazer feliz. Esse álbum é uma maneira de mostrar isso. "Hibernação" foi uma palavra que me ajudou muito durante a criação. Relacionei isso com aquela sensação de algo interno e o som dos cristais no inverno. Eu queria que o álbum soasse dessa maneira. Depois de ficar obcecada com a realidade e a escuridão da vida, de repente parei para pensar que inventar uma espécie de p...

Conheça as histórias de todas as canções do álbum "Utopia"

Lançado em 24 de novembro de 2017 , o álbum Utopia é um dos trabalhos mais incríveis da carreira de Björk .  Reunimos em uma matéria especial detalhes de todas as faixas do projeto. Confira:  Foto:  Jesse Kanda (2017).  1. Arisen My Senses: "A primeira faixa que escrevi para o álbum Utopia foi justamente a de abertura. A melodia é como uma constelação no céu. É quase uma rebelião otimista contra modulações com narrativa "normais". Não há apenas uma. Tem umas cinco e eu realmente amei isso. Adicionei um arranjo de harpa junto de um texto, e enviei essa música de presente para a Arca . Ela mal podia acreditar, pois sentiu que bati de algum jeito em seu inconsciente! Criei a partir de um trecho de uma mixtape no SoundCloud dela, um trabalho feito uns três anos antes. Vi aquilo como o seu material mais feliz. Nem comentei com ela, apenas reeditei e mandei. Desta vez, estávamos fazendo juntas, de igual para igual, o oposto de Vulnicura . E esse foi o ponto de partida...