Pular para o conteúdo principal

Björk lança videoclipe de Sorrowful Soil

""Sorrowful Soil" é uma música que escrevi a partir de improvisações aleatórias. Eu meio que pensei que estava escrevendo outra canção, mas quando a editei, joguei fora a maior parte das coisas e o restante ficou ali me encarando.

Para mim, "Sorrowful Soil" e "Ancestress" são as duas faixas em "Fossora" escritas para minha mãe. "Ancestress" é minha opinião sobre "música de funeral", mas "Sorrowful Soil" foi escrita dois anos antes e reflete mais o último capítulo.

Naquele momento, eu estava trabalhando com o fantástico Hamrahlid Choir e queria lhes dar a canção que mereciam, e com essa intenção escrevi sem saber o que a maestrina þorgerður ingólfsdóttir disse ser a peça musical mais difícil que já cantaram. Tem 9 vozes, não as 4 habituais (soprano, contralto, tenor, baixo). Eles levaram as noites de um verão inteiro para ensaiar! Estou incrivelmente grata por esse sacrifício e você pode ouvir todo o esforço deles na gravação".

"A letra é uma tentativa de encômio! Em vez da verificação seca dos fatos: local de nascimento, trabalho e casamento, eu queria celebrar os dados biológicos como o fato de que a maioria das meninas nascem com 400 óvulos e depois durante a vida fazem 2-3 ninhos.

Quando meu avô morreu, havia um panfleto no hospital aconselhando os parentes sobre como conversar com seus entes queridos antes que falecessem. Adorei como era realmente genérico e universal, com listas do que fazer e tal. Mas também pedia para lhes dizer que se saíram bem! A última parte da letra está seguindo esse conselho".

- Björk em post em suas páginas oficiais.

O vídeo foi filmado a poucos metros do vulcão em erupção Fagradalsfjall. A islandesa aparece usando uma versão inicial da "Gong Mask" de James Merry, que foi adaptada para o clipe de "Ancestress". O vestido é uma criação de Iris van Herpen. Uma outra versão do videoclipe, com uma performance ao vivo e acapella, também foi disponibilizada.

Vidar Logi, diretor: "Obrigado, Björk, por uma segunda dança, compartilhando sua confiança e esta experiência milagrosa. E meus sinceros agradecimentos a todos que compartilharam conosco esse dia sobrenatural!".

Eli Arenson, cinegrafista: "Se você tivesse me contado na 8ª série que algum dia eu passaria um dia em um vulcão ativo com Björk… Já trabalhei com muitos artistas famosos, mas a obra dela foi uma grande parte do que me levou às artes, então isso significou muito! Obrigado queridos Vidar Logi e Björk por esta experiência íntima e pelas outras colaborações no caminho".

Em março de 2021, quando o vulcão Fagradalsfjall entrou em erupção na Islândia, Björk comemorou nas redes sociais:

"Sim, erupção! Nós na Islândia estamos tão animados. Ainda conseguimos! É uma sensação de alívio quando a natureza se expressa. Aproveitem. Estou tão impressionada!!! Não consigo nem acreditar que é PRECISAMENTE onde gravamos o vídeo de "Black Lake", uma canção de catarse e cura. Fica a 30 minutos da minha casa.

Na época, o diretor de "Black Lake", Andrew Thomas Huang até acrescentou uma erupção (na edição), e aqui está a real!!! Parece tão estranhamente profético me assistir ali na ponta dos pés, descalça, usando meu "vestido de lava" da Iris van Herpen, ferida e vulnerável em busca de redenção".


"Isso que está acontecendo, só mostra que tudo se cura com o tempo. As feridas são cobertas, pode até haver cicatrizes, mas sempre há uma capacidade enorme na natureza de criar novas montanhas, de seguir em frente. O lugar exato no qual filmamos, Geldingardalur, está desaparecendo lentamente, está sendo coberto por lava. Em breve, talvez ganhe um novo nome: Fagrahraun, que significa: "Bela Lava", o que realmente é!

Nós, islandeses, somos pais orgulhosos de novas montanhas e colinas de lava".

O fenômeno voltou a acontecer na região em agosto de 2022.

A relação de Björk com a natureza:

"Canto melhor quando estou no topo de uma montanha. É lá que costumo ter as minhas melhores ideias para canções. Geralmente, tento imitar essa experiência quando estou de volta ao meu estúdio. Cantar na natureza é bom para o corpo. A ideia de fazer isso ao ar livre me lembra o som da música. Quando estou em uma cabine [de gravação], sinto que prendo a respiração.

A natureza na Islândia é hardcore, não há nada romântico sobre ela. Nós não temos muitos animais. Também não temos muitas árvores. É brutal! Esse vazio é particularmente inspirador. Existe uma grande tradição animista na Islândia, a crença de que cada objeto tem alma. Assim, os penhascos e as rochas, todos eles têm histórias. O vazio na Islândia alimenta a criatividade. É como uma tela em branco para a imaginação"

- Entrevista ao Music-News (2017).

Fotos: Reprodução/Divulgação.

Postagens mais visitadas deste blog

Debut, o primeiro álbum da carreira solo de Björk, completa 30 anos

Há 30 anos , era lançado "Debut", o primeiro álbum da carreira solo de Björk : "Esse disco tem memórias e melodias da minha infância e adolescência. No minuto em que decidi seguir sozinha, tive problemas com a autoindulgência disso. Era a história da garota que deixou a Islândia, que queria lançar sua própria música para o resto do mundo. Comecei a escrever como uma estrutura livre na natureza, por conta própria, na introversão". Foi assim que a islandesa refletiu sobre "Debut" em 2022, durante entrevista ao podcast Sonic Symbolism: "Eu só poderia fazer isso com algum tipo de senso de humor, transformando-o em algo como uma história de mitologia. O álbum tem melodias e coisas que eu escrevi durante anos, então trouxe muitas memórias desse período. Eu funcionava muito pelo impulso e instinto". Foto: Jean-Baptiste Mondino. Para Björk, as palavras que descrevem "Debut" são: Tímido, iniciante, o mensageiro, humildade, prata, mohair (ou ango...

25 anos de Post - Conheça curiosidades sobre o álbum icônico de Björk

13 de junho de 1995: Há exatos 25 anos , era lançado Post , um dos trabalhos mais marcantes da carreira de Björk. Em comemoração a essa data especial, preparamos uma super matéria honrando a importância desse disco repleto de clássicos.  Para começar, conheça a história do álbum no documentário  dividido em dois episódios  na Websérie Björk . Os vídeos incluem imagens de bastidores, shows e diversas entrevistas detalhando a produção de Post e os acontecimentos daquela era. Tudo legendado em português !     Além disso, separamos vários depoimentos sobre as inspirações por trás das canções e videoclipes do álbum:  1. Army of Me: "Algumas das minhas melodias são muito difíceis para que outras pessoas possam cantar, mesmo que não envolvam técnicas específicas. Essa talvez é a única das minhas músicas que escapa desse 'padrão'. Me lembro de que, quando a escrevi, tentei ter um certo distanciamento. Me...

Ísadora Bjarkardóttir Barney fala sobre sua carreira como artista e o apoio da mãe Björk

Doa , também conhecida como d0lgur , é uma estudante, funcionária de uma loja de discos ( Smekkleysa ), cineasta, cantora e agora atriz. Em abril, estreia nas telonas no novo filme de Robert Eggers , The Northman . Ela interpreta Melkorka , uma garota irlandesa mantida em cativeiro em uma fazenda islandesa, que também gosta de cantar.  O nome de batismo da jovem de 19 anos, é Ísadora Bjarkardóttir Barney .  "Bjarkardóttir" reflete a tradição islandesa de usar nomes patronímicos ou matronímicos . Ou seja, o segundo nome de uma criança é baseado no primeiro nome de sua mãe ou pai. Assim, "Bjarkardóttir" significa o "dóttir" – filha – de "Bjarkar". Isto é, de Björk . E Barney vem do pai Matthew Barney, que nasceu nos Estados Unidos.  Na nova edição da revista THE FACE , a artista falou sobre sua carreira. Ela vive entre Reykjavík e Nova York , onde nasceu em outubro de 2002. Confira os trechos em que citou a mãe, a nossa Björk.  " Sjón e min...

Björk explica antiga declaração sobre bissexualidade

- Anos atrás, falando em sexualidade fluida, você declarou que escolher entre um homem e uma mulher seria como "escolher entre bolo e sorvete". O que você acha disso hoje? "Acho que foram os anos 90, mas é uma frase tirada de contexto. Era um discurso muito maior. Ainda acredito que somos todos bissexuais em certo grau, cerca de 1%, cerca de 50% ou 100%, mas nunca compararia gênero com comida, isso seria desrespeitoso. Havia muitos repórteres homens na época, que queriam me pintar como uma "elfo excêntrica". Eles colocavam palavras na minha boca que eu não disse. Infelizmente, não havia muitas jornalistas mulheres. A boa notícia é que agora as coisas mudaram muito! É um mundo totalmente diferente, não comparável [ao da época]. Felizmente, muito mais mulheres escrevem artigos e há mais musicistas". - Björk em entrevista para Vanity Fair, março de 2023.

A escuridão e a luz presentes na Utopia de Björk

Em nova entrevista à revista MixMag , Björk falou novamente sobre fazer DJsets desde que era uma adolescente, contando que facilmente fica acordada até às 4 da manhã tocando várias canções nessas festas, de Rihanna até techno , bebendo café e conversando com seus amigos, explicando que na época em que começou a fazer isso em Reykjavík: "Quanto menor o bar, melhor era". Em outro trecho, disse: "É sobre compartilhar a sua coleção de músicas e apresentar pessoas a sons que nunca ouviram antes".  Arca também rasgou elogios para a islandesa falando sobre a profunda conexão musical entre os dois, dizendo ter sido a melhor de sua vida. O jornalista responsável pela matéria também ouviu o álbum "Utopia", que vazou neste sábado (18/11) , e destacou que o grande momento do disco é "Body Memory". Björk deu mais detalhes sobre a canção: "Meu subconsciente dizia que se eu escrevesse uma canção tão triste como "Black Lake", e...