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O compromisso de Björk como artista nos shows da Cornucopia na Islândia

Em entrevista ao Frettabladid, Björk disse que está assumindo um certo risco financeiro ao levar sua turnê mais extensa até hoje, "Cornucopia", para a Islândia. No entanto, explicou que é importante para ela se apresentar em seu país com essa experiência musical.

A artista planeja aproveitar a oportunidade para filmar o concerto, que irá unir os mundos de "Utopia" e "Fossora" na tradicional casa de shows Laugardalshöll. É esperado também que fãs de todo o mundo compareçam ao evento nos dias 7, 10 e 13 de junho de 2023.

"Cornucopia" é o projeto audiovisual mais extenso de Björk até hoje, adaptando sua música com um número inédito no que ela chama de "teatro digital":

"Normalmente, não se deve falar de dinheiro", disse Björk ao pedir desculpas antes de apontar que ainda não havia sido realmente possível levar esse show para a Islândia.

"Portanto, é um risco tão pequeno, mas acho muito importante fazer isso aqui". Ela tem viajado o mundo com esse espetáculo desde 2019, com um período de pausa por causa da pandemia.

Björk ressaltou que, hoje, os custos para uma turnê desse tipo não são nada baratos. Com relação ao frete aéreo, por exemplo, quadruplicou:

"Existem todos os tipos de grandes bandas por aí cancelando shows, porque custa quatro vezes mais caro levar todos os equipamentos entre os países".

E, claro, não existe uma bagagem pequena seguindo a performance de Björk: "São principalmente todos esses aparelhos e tal, então é muito caro, mas eu consigo. Pode ser um pouco complicado agora, mas vamos tentar".

O público estará cercado de 24 telas interativas, com cortinas de LED em todo o palco enquanto Björk executa canções com o Hamrahlid Choir, flautas, clarinete, percussão e uma série de instrumentos feitos sob medida.

A gravação:

"Eu sempre tento filmar cada show meu, e há várias razões pelas quais eu realmente quero gravar isso na Islândia. Naturalmente, acredito que este é um projeto muito islandês, mesmo que seja em inglês, e eu só quero ter um pouco de ambiente islandês e um público islandês. Então, quando eu estiver velhinha sentada em uma cadeira de balanço assistindo ao filme, irei perceber que foi incrível ter filmado isso na Islândia".

A ideia dela é que todos os melhores aspectos de "Cornucopia" possam ser apreciados. A direção será da cineasta Ísold Uggadóttir, com produção de Sara Nassim da Dýrsin.

Nem tudo é sobre dinheiro:

Ao longo dos anos, Björk trabalhou em estreita colaboração com os principais desenvolvedores e recrutou grandes empresas no mundo digital, para unir forças na criação da tecnologia que ela usa para dar vida às suas ideias incríveis.

Ela insiste naquilo que acredita, ainda que não ganhe tanto dinheiro ou venda muitos ingressos:

"Também recebo frequentemente boa vontade extra [das empresas], porque não estou tentando vender milhões de cópias. Às vezes, não ser Beyoncé também é uma força. As pessoas sabem que não estou tentando ganhar dinheiro. Estou nisso exatamente pelos motivos opostos.

Não estou falando nada negativo sobre a Beyoncé. Quero dizer que as pessoas querem colaborar comigo porque sabem que estou fazendo isso apenas para desenvolver uma determinada tecnologia. E no final, todos disseram sim [para financiar o projeto]. Então não são necessariamente os empresários que querem dinheiro. E muitas vezes, é na fase seguinte que isso cheira mal".

Björk disse que a filosofia por trás da fusão entre a música e o visual não surgiu em um dia e, embora se possa supor que criar e compor canções dê muito trabalho, ela também sempre trabalhou em estreita colaboração com especialistas no lado técnico. Questionada por que está imersa em todo o trabalho de programação, respondeu:

"Existem várias razões para isso, e talvez uma delas seja apenas a curiosidade. Também é por motivos um pouco egoístas, porque acho muito divertido conviver com nerds legais", disse ela lembrando que é algo que também faz parte de não morrer de tédio em uma longa carreira, que já ultrapassa quatro décadas.

Foto: Santiago Felipe.

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