Pular para o conteúdo principal

Björk fala sobre a diferença da Islândia em relação a outros países

"A Islândia foi uma colônia por 600 anos. Conseguimos nossa independência em 1944. Perdemos a Revolução Industrial, o que não era bom na época, mas agora é incrível porque não colocamos fábricas em todo o nosso país. E nós meio que estamos isolados, então não passamos pela Primeira e Segunda Guerras Mundiais.

Espero que isso não pareça muito presunçoso, mas às vezes sinto que os ingleses e os Estados Unidos tendem a pensar que a história deles é toda a nossa história [do mundo]. Isso não é verdade! Há muitas outras histórias acontecendo.

Por exemplo, na Islândia, temos a taxa mais alta do mundo de mulheres sendo pagas [de forma justa]. Quero dizer, não é igual, mas estamos chegando lá. Além disso, quando eu estava nos Estados Unidos, havia um assassinato em massa por dia, e agora eles passaram para dois assassinatos em massa por dia. É muito estranho, sabe!

Também na Islândia, nos 10 anos em que estive em bandas quando adolescente, nunca senti que meu gosto musical era menos importante do que o dos caras. Foi mais quando fui para o exterior, principalmente com críticos de rock, onde me senti um pouco... estagnada".

- Björk em entrevista ao Sidney Morning Herald, fevereiro de 2023.

Postagens mais visitadas deste blog

Björk não está interessada em lançar um documentário

A série de podcasts "Sonic Symbolism" foi editada a partir de 20 horas de conversas de Björk com a escritora Oddný Eir e o musicólogo Ásmundur Jónsson. O projeto traz a própria islandesa narrando a história por trás de sua música. "Não fiz isso para obter algum encerramento terapêutico. A razão pela qual decidi fazer foi que eu estava recebendo muitos pedidos para autobiografias e documentários. Recusei todos! Não quero me gabar, mas estou em uma posição em que, se eu não fizer isso, outra pessoa fará!". A cantora explicou que os documentários feitos sobre artistas mulheres são "realmente injustos, às vezes", que muitas vezes são "apenas uma lista de seus namorados e ficam dizendo: "Ah, eles tiveram uma vida feliz" se tiverem tido um casamento. Mas se não tiver sido o caso, então a vida delas foi um fracasso. Com os homens, eles não fazem nada disso". A intenção de Björk com os episódios é "dar importância ao meu trabalho" e ...

Debut, o primeiro álbum da carreira solo de Björk, completa 30 anos

Há 30 anos , era lançado "Debut", o primeiro álbum da carreira solo de Björk : "Esse disco tem memórias e melodias da minha infância e adolescência. No minuto em que decidi seguir sozinha, tive problemas com a autoindulgência disso. Era a história da garota que deixou a Islândia, que queria lançar sua própria música para o resto do mundo. Comecei a escrever como uma estrutura livre na natureza, por conta própria, na introversão". Foi assim que a islandesa refletiu sobre "Debut" em 2022, durante entrevista ao podcast Sonic Symbolism: "Eu só poderia fazer isso com algum tipo de senso de humor, transformando-o em algo como uma história de mitologia. O álbum tem melodias e coisas que eu escrevi durante anos, então trouxe muitas memórias desse período. Eu funcionava muito pelo impulso e instinto". Foto: Jean-Baptiste Mondino. Para Björk, as palavras que descrevem "Debut" são: Tímido, iniciante, o mensageiro, humildade, prata, mohair (ou ango...

"Eu estou fazendo isso por todas as mulheres!"

- "Utopia" foi lançado há 6 meses. Você se sente diferente sobre esse álbum agora? Não mudou muita coisa devido à natureza do álbum. Meu último disco ["Vulnicura"] foi sobre ter o coração partido, todo mês eu me sentia diferente sobre aquelas músicas. Já esse se concentra o máximo possível nos pontos importantes. O tema é sobre como construir uma utopia. A realidade disso tudo é diferente. Os humanos são realmente desajeitados, mas de vez em quando acertam. "Utopia" é sobre essa tensão. - O que te atraiu para a ideia da utopia? Para mim, a Utopia é uma emergência. Foi uma reação à eleição de Trump. Eu estava paralisada, principalmente por causa dos problemas ambientais que ele não fará nada para resolver. Toda vez que a humanidade fica em apuros, é quando mudamos para uma velocidade maior [para solucionar]. Estamos vivendo em tempos em que precisamos reagir rapidamente. Precisamos definir qual é o nosso plano. - Quais iniciativas lhe dã...

A história do vestido de cisne da Björk

20 anos! Em 25 de março de 2001 , Björk esteve no Shrine Auditorium , em Los Angeles, para a 73º edição do Oscar . Na ocasião, ela concorria ao prêmio de "Melhor Canção Original" por I've Seen It All , do filme Dancer in the Dark , lançado no ano anterior.  No tapete vermelho e durante a performance incrível da faixa, a islandesa apareceu com seu famoso "vestido de cisne". Questionada sobre o autor da peça, uma criação do  fashion   designer macedônio  Marjan Pejoski , disse: "Meu amigo fez para mim".    Mais tarde, ela repetiu o look na capa de Vespertine . Variações também foram usadas muitas vezes na turnê do disco, bem como em uma apresentação no Top of the Pops .  "Estou acostumada a ser mal interpretada. Não é importante para mim ser entendida. Acho que é bastante arrogante esperar que as pessoas nos compreendam. Talvez, tenha um lado meu que meus amigos saibam que outros desconhecidos não veem, na verdade sou uma pessoa bastante sensata.  ...

Sonic Symbolism: Tradução completa do 1º episódio do podcast de Björk

Björk agora tem o seu próprio podcast ! Nos episódios de "Sonic Symbolism", a artista descreve o processo criativo de cada um de seus álbuns em conversas profundas com amigos e colaboradores. Clique AQUI para colocá-lo para tocar na sua plataforma digital favorita e confira abaixo a tradução completa do capítulo dedicado ao disco "Debut": . . . Björk: Eu caminhava bastante ao ar livre, o que fazemos muito na Islândia. Caminhava até a escola em Fossvogur . E isso era por uns 40 minutos. Fiz esse trajeto dos 8 até os 12 anos. Naquela época, não importava o clima, a gente apenas caminhava até a escola. Era meio louco, sabe? Não era só eu que fazia isso, mas todos os meus amigos também. E isso meio que fez parte da construção do caráter. Havia nevascas ferozes acontecendo, e daí mesmo assim a gente ia a pé até a escola, entende? E no caminho, eu ia cantando. Isso era meio que o meu conforto. Quero dizer, obviamente, isso ainda era algo muito assustador para uma cri...