Pular para o conteúdo principal

O ambiente em que Björk criou o álbum Fossora

- Há rumores de que você organizou noites malucas de DJset durante a pandemia, onde tocou música gabber a todo vapor. Isso é verdade?

(Risos) Bom, eu meio que sempre faço muita música em minha casa. Tenho diferentes playlists que continuo mudando conforme descubro novas canções. Há um ambiente calmo quando as pessoas estão comendo ou conversando, e depois músicas com um beat médio por minuto, e aí todos se levantam para dançar, eu escolho as mais rápidas. Sim, acho que sempre fiz isso, não importa onde eu esteja. Às vezes em camarins após os shows, ou às vezes em bares - onde quer que eu esteja. Mas acho que talvez tenha falado sobre isso para este álbum porque achei meio engraçado durante a pandemia como a sala de estar se tornou o lugar para fazer tudo. Trabalhamos no Zoom, relaxamos, fizemos ioga e depois transformamos nossa casa em um restaurante e tentamos cozinhar refeições requintadas apenas para depois então transformar o lugar em um clube à noite. Achei meio engraçado, e talvez tenha achado o aspecto cômico especialmente interessante.

- Na verdade, parece que você se divertiu muito!

Sim, acho que pouca coisa mudou aqui na Islândia [na pandemia]. Temos o luxo de ser uma ilha. Todos tiveram que fazer um teste no aeroporto e depois se isolar. Depois de cinco dias, precisava fazer outro teste, então conseguimos manter o número de infecções baixo. Acho que tivemos uma das taxas de mortalidade mais baixas do mundo e pudemos viver vidas quase normais aqui na Islândia durante a pandemia. É claro que tínhamos restrições sobre quantas pessoas podíamos encontrar para evitar a propagação. No entanto, todos poderiam passear na natureza porque Reykjavík, apesar de ser uma capital europeia, está praticamente no meio da natureza. Não acho que nossa qualidade de vida tenha mudado tanto quanto tenho visto com alguns de meus amigos que moram nas cidades.

- Este foi o tempo mais longo que você viveu na Islândia desde que era criança?

Acho que sim! Faz pelo menos dois anos que não vou ao aeroporto e adorei.

- Ou seja, não era tão ruim estar em casa para variar?

Acho que todo mundo redescobriu seu bairro e seus amigos e conversou mais com seus parentes ou familiares do que normalmente faria. Então foi realmente um bom momento da minha vida.

- Entrevista para  FAQ Magazine, maio de 2023.

Foto: Vidar Logi.

Postagens mais visitadas deste blog

Debut, o primeiro álbum da carreira solo de Björk, completa 30 anos

Há 30 anos , era lançado "Debut", o primeiro álbum da carreira solo de Björk : "Esse disco tem memórias e melodias da minha infância e adolescência. No minuto em que decidi seguir sozinha, tive problemas com a autoindulgência disso. Era a história da garota que deixou a Islândia, que queria lançar sua própria música para o resto do mundo. Comecei a escrever como uma estrutura livre na natureza, por conta própria, na introversão". Foi assim que a islandesa refletiu sobre "Debut" em 2022, durante entrevista ao podcast Sonic Symbolism: "Eu só poderia fazer isso com algum tipo de senso de humor, transformando-o em algo como uma história de mitologia. O álbum tem melodias e coisas que eu escrevi durante anos, então trouxe muitas memórias desse período. Eu funcionava muito pelo impulso e instinto". Foto: Jean-Baptiste Mondino. Para Björk, as palavras que descrevem "Debut" são: Tímido, iniciante, o mensageiro, humildade, prata, mohair (ou ango...

25 anos de Post - Conheça curiosidades sobre o álbum icônico de Björk

13 de junho de 1995: Há exatos 25 anos , era lançado Post , um dos trabalhos mais marcantes da carreira de Björk. Em comemoração a essa data especial, preparamos uma super matéria honrando a importância desse disco repleto de clássicos.  Para começar, conheça a história do álbum no documentário  dividido em dois episódios  na Websérie Björk . Os vídeos incluem imagens de bastidores, shows e diversas entrevistas detalhando a produção de Post e os acontecimentos daquela era. Tudo legendado em português !     Além disso, separamos vários depoimentos sobre as inspirações por trás das canções e videoclipes do álbum:  1. Army of Me: "Algumas das minhas melodias são muito difíceis para que outras pessoas possam cantar, mesmo que não envolvam técnicas específicas. Essa talvez é a única das minhas músicas que escapa desse 'padrão'. Me lembro de que, quando a escrevi, tentei ter um certo distanciamento. Me...

Ísadora Bjarkardóttir Barney fala sobre sua carreira como artista e o apoio da mãe Björk

Doa , também conhecida como d0lgur , é uma estudante, funcionária de uma loja de discos ( Smekkleysa ), cineasta, cantora e agora atriz. Em abril, estreia nas telonas no novo filme de Robert Eggers , The Northman . Ela interpreta Melkorka , uma garota irlandesa mantida em cativeiro em uma fazenda islandesa, que também gosta de cantar.  O nome de batismo da jovem de 19 anos, é Ísadora Bjarkardóttir Barney .  "Bjarkardóttir" reflete a tradição islandesa de usar nomes patronímicos ou matronímicos . Ou seja, o segundo nome de uma criança é baseado no primeiro nome de sua mãe ou pai. Assim, "Bjarkardóttir" significa o "dóttir" – filha – de "Bjarkar". Isto é, de Björk . E Barney vem do pai Matthew Barney, que nasceu nos Estados Unidos.  Na nova edição da revista THE FACE , a artista falou sobre sua carreira. Ela vive entre Reykjavík e Nova York , onde nasceu em outubro de 2002. Confira os trechos em que citou a mãe, a nossa Björk.  " Sjón e min...

Björk explica antiga declaração sobre bissexualidade

- Anos atrás, falando em sexualidade fluida, você declarou que escolher entre um homem e uma mulher seria como "escolher entre bolo e sorvete". O que você acha disso hoje? "Acho que foram os anos 90, mas é uma frase tirada de contexto. Era um discurso muito maior. Ainda acredito que somos todos bissexuais em certo grau, cerca de 1%, cerca de 50% ou 100%, mas nunca compararia gênero com comida, isso seria desrespeitoso. Havia muitos repórteres homens na época, que queriam me pintar como uma "elfo excêntrica". Eles colocavam palavras na minha boca que eu não disse. Infelizmente, não havia muitas jornalistas mulheres. A boa notícia é que agora as coisas mudaram muito! É um mundo totalmente diferente, não comparável [ao da época]. Felizmente, muito mais mulheres escrevem artigos e há mais musicistas". - Björk em entrevista para Vanity Fair, março de 2023.

A escuridão e a luz presentes na Utopia de Björk

Em nova entrevista à revista MixMag , Björk falou novamente sobre fazer DJsets desde que era uma adolescente, contando que facilmente fica acordada até às 4 da manhã tocando várias canções nessas festas, de Rihanna até techno , bebendo café e conversando com seus amigos, explicando que na época em que começou a fazer isso em Reykjavík: "Quanto menor o bar, melhor era". Em outro trecho, disse: "É sobre compartilhar a sua coleção de músicas e apresentar pessoas a sons que nunca ouviram antes".  Arca também rasgou elogios para a islandesa falando sobre a profunda conexão musical entre os dois, dizendo ter sido a melhor de sua vida. O jornalista responsável pela matéria também ouviu o álbum "Utopia", que vazou neste sábado (18/11) , e destacou que o grande momento do disco é "Body Memory". Björk deu mais detalhes sobre a canção: "Meu subconsciente dizia que se eu escrevesse uma canção tão triste como "Black Lake", e...