Pular para o conteúdo principal

Mergulhe no universo do novo álbum de Björk


É bastante difícil falar com Björk sobre sua música. Isto porque ela não faz música para depois falar sobre o processo, mas sim porque é o que ela faz: "Escrevo uma música por um ou dois meses". E geralmente a imagem completa de um álbum não aparece para ela até ele quase estar pronto.

"Ok, vou colocar a cabeça um em lugar onde eu tenho que falar sobre mim". Ela diz estar se sentindo "um pouco desalinhada" depois de uma noite de festa em um show que ela havia comparecido com seus amigos gêmeos Kria e Kristin: "Kria toca cello, é realmente meditativo".

Apesar do cansaço, ela parece muito bem, usando um vestido branco com ombreiras, calças e sapatos plataforma pretos, bebendo chá e mascando chiclete. De vez em quando ela tirava o chiclete da boca e o colocava em um prato, e então depois o mascava novamente.

Sobre a criação do novo álbum "Utopia" ela começa dizendo: "80% do meu trabalho sou eu sentada no meu laptop editando as canções. Semanas e semanas em cada música". Ela trabalha neste álbum há dois anos e meio. Acabei de ouvi-lo há setenta e cinco minutos atrás. Em seguida, eu entrei nesta sala para falar com Björk sobre o que tinha acabado de escutar. Este disco é bem diferente de "Vulnicura" que traz "Black Lake", que ela me descreveu como a música mais triste que já escreveu". Para Björk, seu novo álbum tinha que ser o oposto: "Otimista, sem narrativa, lindo e universal.

Nós fizemos os shows do "Vulnicura" e eles foram meio trágicos. Todo mundo que já teve o coração partido parecia estar lá, e alguns me contaram suas histórias. Foi realmente doce e, genuíno, sabe? E com as performances, eu queria lidar com descrição e graça. Mas depois das primeiras apresentações, quase me senti culpada porque todo mundo estava chorando! Enquanto eu e Alejandro [Arca] voltávamos para tomar champanhe no backstage. Ficávamos tipo: "Da próxima vez, vamos nos divertir, ok?". Eu queria que este álbum fosse cheio de luz. Você se entrega ao sofrimento só até certo ponto".

"Utopia" é muito diferente de "Vulnicura". O resultado continua excepcionalmente bonito, mas ainda mais exuberante e lindo, desta vez com harpas, flautas e cantos de pássaros reais. Uma floresta mágica com sons em constante mudança. Algumas vezes, a voz de Björk está em evidência, em outras partes mais contida com a adição de outros instrumentos. Este não é realmente um álbum apenas de música pop, embora você possa encontrar uma ou duas canções que possam ser classificadas assim. É mais orquestral e detalhado.

Björk pensa em sua utopia como uma ilha, talvez uma que tenha sido criada a partir de um desastre ecológico, onde as plantas passaram a ter bocas, flutuam como beija-flores ou crescem de forma descontrolada: "Você lembra daquele peixe do filme dos The Simpsons, que tem três olhos? É tipo assim". (Isso me fez rir durante a entrevista. Björk é mais engraçada do que as pessoas imaginam). Em sua concepção, as mulheres chegam a partir desse momento para criar uma sociedade nova e melhor. Elas trazem suas crianças, música e tecnologia ecológica, e depois passa a existir ainda mais vida na ilha". Essa ideia veio em parte porque ela queria usar flautas, e com a ajuda de seu amigo e colaborador James Merry, pesquisou sobre mitos de flauta de todo o mundo. Ele encontrou contos "da América do Sul, das tribos amazônicas, da África, da Indonésia, da China e da mitologia islandesa". O fio condutor entre essas histórias traz a fuga, quando as mulheres saem de uma sociedade que as oprime, roubam flautas e correm com seus filhos para um novo lugar: "E elas vivem muito felizes até quando os caras voltam e cortam as cabeças de todos. Não gostei dessa parte, então decidi que vou mudar o final. Eu acho que podemos mudar isso na vida real, sabe?".

Outra ideia de utopia surgiu porque, nesses tempos assustadores de Trump, ela queria mostrar que o otimismo é uma escolha. "Ele foi eleito quando eu já estava há uns dois anos mergulhada neste álbum. Eu senti que realmente agora mais do que nunca era importante fazer algo. Se você achar que este mundo não está indo no caminho certo, você precisa adotar a coisa do "faça você mesmo".

Em "Tabula Rasa", ela canta: "Quebre as correntes das merdas dos nossos pais". 
Em "Blissing Me": "Eu me apaixono pela sua música".
E sobre seguir em frente após uma relação difícil em "Sue Me", embora eu possa estar sendo muito literal. Björk ri quando cito as letras para ela e lhe pergunto sobre sua vida amorosa. 

"Tem sido bastante ativa, vamos deixar assim. Eu acho que ainda é cedo demais para ser muito específica sobre isso. Olha, estou feliz por as pessoas ainda me ouvirem depois de todos esses anos, mas às vezes sinto que entendem mal as minhas composições. As pessoas sentem falta das piadas. Muita coisa sou eu me afastando de mim mesma, o que você poderia chamar de autodepreciativo".

Mas insisto e pergunto: Como você está com isso de namoro?.

"Para mim, essa palavra é tão ridícula! Na Islândia, especialmente na minha adolescência, não namorávamos. Você saía com alguém e acordava na manhã seguinte com essa pessoa, e aí se casava com ela! Eu definitivamente não namoro, com tudo isso de ir a um restaurante super bem vestida".

Álbum "Tinder": "Eu pensei que seria hilário defini-lo assim, mas, obviamente, eu nunca poderia estar nesse aplicativo, sabe? Pessoas tentando conseguir coisas, e então vem a rejeição, em ambos os sentidos. Todos nós temos capítulos, e então, quando se inicia um novo, é como: "Eu estou caminhando pelas mesmas ruas, eu sempre andei por aqui, estou vestindo as mesmas roupas, mas parece que estou em Marte. Eu perdi a vontade de ser essa exploradora emocional, e eu gosto disso".

Quando pergunto sobre seu relacionamento atual com seu ex (algumas das novas músicas parecem sugerir que não está tão incrível), ela, compreensivelmente, diz que não quer falar sobre isso:
"Estou me perguntando se me sinto bem falando sobre isso por causa da minha filha. Quando você faz arte que é sobre sua vida, que nós dois fazemos na verdade, temos uma maneira de como apresentar e falamos sobre isso com ela. Nós dois. Acho que minha filha gerencia tudo isso graciosamente, mas porque podemos fazer isso de forma dosada".

Mais uma vez Björk falou sobre como funciona Reykjavík sendo um local bem pequeno. Eu a questionei se isso não a sufoca e ela respondeu que não. Acredito que porque ela tem viajado com sua música desde quando era adolescente, então sempre deu um tempo da Islândia. Sua primeira turnê estrangeira, em 1983, quando tinha 18 anos, foi com Tappi Tikarrass. Eles viajaram pelo Reino Unido, abrindo os shows de uma banda punk chamada Crass. Naquela época, Björk não falava inglês, mas aprendeu a cantar "Fuck Margaret Thatcher" de outra banda, Flux of Pink Indians. Estes foram os dias de skinheads e punks lutando em seus shows. Björk disse ter gostado da experiência: "Foi como eu fui à lua! Eu fiquei tipo: "Meu Deus, as coisas são tão exóticas aqui!'".


Björk e eu falamos um pouco sobre sua vida após o lançamento de "Debut":

"Me lembro de ir a raves em Manchester. Apenas eu e meus amigos saindo para discotecas - e especialmente no início dos anos 90, era importante ser assexuado. Enquanto você pudesse suar por cinco horas em suas roupas largas, você estava bem. Parecia que pensávamos assim: "A maneira como lidamos com a comunicação dos sexos é que nos deixamos levar pela nossa língua". Foi uma rebelião, uma declaração contra o status quo. Não sendo masculino ou feminino, desfazendo o papel que a sociedade dizia que cada um deveria desempenhar, sabe?".

- Você acha que mudou alguma coisa?

"Eu acho que, talvez não. Mas temos uma outra história acontecendo agora e é importante abordá-la. Há esse sentimento no ar que se falarmos sobre isso agora, no prazo de três anos, podemos acabar com os problemas".

Sobre a carta aberta publicada em seu facebook relatando assédio sexual, ela diz: "Eu fiz isso em apoio às mulheres que não podem dizer não, ou que não têm a sorte de ter dito não. Estou consciente de não querer que seja sobre mim. Porque eu me saí bem desta situação, sabe? E porque eu venho deste mundo onde este comportamento não é tratado como algo normal. Eu queria dizer: "Vocês não estão imaginando coisas. É assim mesmo!".

Ela se disse estimulada sobre a ideia de o mundo mudar, com antigas ideias patriarcais sendo derrubadas, para benefício de todos:

"O que é emocionante é que os homens estão realmente mudando. Meninos que estão agora na adolescência, eles são realmente emocionais. Essa é talvez a coisa que precisa ser abordada a seguir. Onde os homens colocam seus sentimentos? Eles são desajeitados, e eles não sabem onde colocá-los. Minha geração de homens foi ensinada por 20 anos a sufocá-los, e então as mulheres gritam com eles e eles ficam tipo: Espere um minuto. Você não quer que eu seja emocional, mas você quer que eu seja emocional?". E então tem essa outra história do homem branco agora. Se existe uma narrativa inconsciente universal, é a autopiedade deles perderem o poder. É muito difícil sentir pena disso, mas pelo menos dói. Eles estão sentindo isso.
Se todos esses homens se sentem dessa maneira, e eles estão conscientes disso, não vão fazer filmes nos próximos 20 anos sobre esse assunto? É isso que nós queremos? Para ser sincera, não sei a resposta. Eu só acho que é uma pergunta curiosa".

Björk fica um pouco desconfortável falando sobre feminismo. Sua mãe era uma ativista, e quando Björk fala sobre os anos 90, ela fala deles como um tempo de reação contra o feminismo dos anos 70: "Era tudo meio exaustivo". Além disso, rotular as coisas definitivamente não é muito a cara de Björk: ela não gosta de rigidez, nem em sua vida e nem na arte.

Quando ela estava promovendo "Vulnicura", em uma entrevista para o Pitchfork, ressaltou que, há anos, vinha sendo considerada uma cantora e compositora que trabalha com produtores masculinos. Na verdade, ela produz seus álbuns (aqueles longos dias na frente do laptop), e controla os arranjos, a mixagem, tudo. Ela se perguntou, durante a entrevista, se era em parte sua culpa: ela gosta de criar imagens bonitas, mas no entanto, nunca foi realmente fotografada em estúdio, ao lado de uma mesa de som. Muitos jovens musicistas a interpretaram por meio de suas palavras, e agora existe um site dedicado a elas com imagens ao lado de equipamento técnicos na produção de discos.
"Estou tão honrada por isso. E agora vou tentar falar mais sobre essas coisas. Agh, estou ficando vermelha! Mas eu vou fazer isso ... para as senhoras". (Ela diz isso com uma voz engraçada).

O que ela quer me contar é sobre o grupo feminino de 12 flautistas que estão em "Utopia": "O clube de flauta! Flute-föstudagur!". Björk as reuniu e elas se encontravam em sua cabana na Islândia todas as sextas-feiras (föstudagur significa sexta-feira). Björk, que toca flauta desde os seis anos, ensaiou repetidamente em 50 ou 60 dias, e fez todos os arranjos e a direção de todo o projeto. Foi o mesmo com o coral e o brass: "Foi assim também em todos os arranjos que fiz em meus álbuns. Mas as pessoas... é como se elas pensassem que acontecesse por magia ou que caísse do céu".

 
"Penso que mais com as mulheres do que com os homens, se tivermos esse acesso ao lado emocional em nós, as pessoas acham que tem de ser inconsciente. Temos permissão para ser inconscientes, mas não podemos então voltar atrás. A mixagem deste álbum foi realmente complicada. Não quero tentar parecer muito pretensiosa, mas esta parte não era necessariamente sobre os eventos abordados, mas sim sobre os filtros ao redor do som que eu queria mostrar. A justaposição das flautas e a música eletrônica, a voz e os pássaros. É bastante delicado. Levei três meses para mixá-lo".

Björk desenvolveu o "Utopia" em três partes. A descoberta da ilha, a nova rotina, e os seres humanos sobrevivendo aos tempos difíceis.  

Uma das músicas, "Body Memory", é sobre como seu corpo pode atrapalhar o trauma quando sua cabeça e coração não podem impedi-lo. A canção surgiu quando Björk estava sozinha em sua cabana na Islândia. Ela se enrolou com um monte de casacos, se deitou no chão e ouviu um audiolivro chamado "The Tibetan Book of the Dead": "É sobre ter pessoas que são especialistas em morrer, que têm prática física para ajudá-lo a morrer. Como exercícios de ioga. Exercícios de respiração... Uma aula de morte. Fiquei tão impressionada com isso".

E então ela escreveu "Body Memory" para lembrar-se de que ela é capaz de passar pelo sofrimento, passar por "Vulnicura" e sobreviver. Ela escreveu seis versos, para si mesma, sobre destino, amor, sexo, maternidade, meio urbano, e outro sobre natureza rural, que a instruem a não pensar demais sobre as coisas, não ser neurótica, apenas fazer algo".

"É a minha versão de autoajuda, sugerindo que o que precisamos está em nós mesmos. Nós temos as respostas. É como um manifesto pessoal. Eu acho que estou "Tinderada" para o resto da vida. Estou namorando a vida. Eu estou assim: "Oh, essas são novas mãos e tenho novas pernas... Parece uma nova aventura".
"Utopia" será lançado em 24 de novembro.
Entrevista feita por
 


 - Internet: O site da Björk foi lançado em 1994, entre a primeira onda de estrelas que fizeram isso. Ela foi ainda mais além experimentando ferramentas como transmissão de eventos ao vivo mesmo nos dias de internet discada.

 - Edição digital: A indústria da música começou a migrar para o Pro Tools em 1997, embora muitas artistas resistissem a essa ideia. Björk o utilizou pela primeira vez em 1998 e o abraçou completamente durante a produção de "Vespertine", em 2001, quando estava entusiasmada com as possibilidades oferecidas por laptops, além de ter projetado o álbum para melhorar a qualidade do download digital, cujos arquivos seriam ouvidos através de alto-falantes de computadores.

Outros programas usados pela islandesa são "Sibelius" e "Melodyne".



Embora o laptop não fosse realmente viável também para fazer música no início dos anos 90, ainda era possível fazer música em movimento, graças a uma série agora obsoleta de sequenciadores portáteis. Esses minúsculos dispositivos eram mais como teclados de estação de trabalho encolhidos e o QY20 da Yamaha trazia uma ferramenta com memória para até 20 músicas. 




- Reactable e Tenori-on: Björk foi a primeira artista a adotar o Reactable - um instrumento musical eletrônico em que objetos brilhantes  são movidos em torno de uma mesa criada para dar vida a diferentes texturas e ritmos. Ela o incorporou nos shows ao vivo de "Volta", em 2007, bem como o Tenori-on,. Essas interfaces influenciaram sua próxima aventura tecnológica...


- Aplicativos: Reagindo contra o treinamento clássico que foi submetida ainda quando criança nas escolas de música na Islândia, Björk criou um processo de educação musical mais intuitivo, e a tela sensível ao toque do iPad ofereceu uma maneira brilhante e fácil de fazê-la. Cada música de "Biophilia" de 2011 veio com um aplicativo que permitiu que as pessoas aprendessem sobre música através da desconstrução e remodelação prática.

- Realidade virtual: Björk queria trabalhar com VRs em "Homogenic" de 1997, mas a tecnologia ainda não estava pronta o suficiente, mas ela pôde realizar este desejo em "Vulnicura" e ainda com a criação de sua exposição "Björk Digital", que deve continuar a rodar o mundo em 2018.

 
- Bitcoin: "Utopia" estará disponível para compra com criptomoeda, com pagamentos validados de forma segura
. Sonhos utópicos? Não! Pura Björk!

Saiba mais:



Comente com outros fãs:

Postagens mais visitadas deste blog

Uma conversa entre Rei Kawakubo e Björk

“Essa entrevista poderia ser chamada de Folclore do Futuro ou algo envolvendo a palavra "folclore"?”. Essa foi uma solicitação de Björk antes da Interview Magazine publicar em outubro de 2019 uma conversa por e-mail inédita entre ela e Rei Kawakubo, fundadora da marca Comme des Garçons e da Dover Street Market. Confira a tradução completa do bate-papo:
BJÖRK: Querida Rei, estou muito honrada por termos essa conversa! Você é uma das pessoas que eu mais admiro, estou emocionada que isso esteja acontecendo. Estava pensando onde os interesses de nós duas se sobrepõem e, por algum motivo, comecei a pensar nas raízes, no folclore, ou na falta dele. Você mencionou em uma entrevista de 1982, que queria se afastar das influências folclóricas da moda japonesa. Acho isso muito interessante. Sempre achei que as culturas japonesa e islandesa têm  coisas em comum que, quando o budismo e o cristianismo chegaram, foram feitas com menos violência do que em outros países, o que serviu de pont…

Relembre as vindas de Björk ao Brasil

As apresentações mais recentes de Björk no Brasil aconteceram há mais de 10 anos, entre 26 e 31 de Outubro de 2007. Relembre essas e outras passagens da islandesa, que já disse ter vivido momentos mágicos em nosso país.
Mas antes de tudo, uma curiosidade: Björk já foi capa da famosa/extinta revista brasileira Bizz, edição de Dezembro de 1989, o que comprova a divulgação do trabalho da artista no Brasil antes mesmo do grande sucesso e reconhecimento em carreira solo.
1996 - Post Tour:
SETLIST:  Army of Me One Day The Modern Things Venus as a Boy You've Been Flirting Again Isobel Possibly Maybe I Go Humble Big Time Sensuality Hyperballad Human Behaviour The Anchor Song I Miss You Crying Violently Happy It's Oh So Quiet.
Em outubro de 1996, Björk vinha pela primeira vez ao Brasil com shows marcados em São Paulo (12/10/96) e no Rio de Janeiro (13/10/96), como parte do Free Jazz Festival.



Em entrevista à Folha de São Paulo, Björk se disse ansiosa pelas apresentações:
"Vai ser m…

Em 1997, Björk já pensava em trabalhar com a realidade virtual

Vulnicura VR é o primeiro álbum em realidade virtual da história. Nele, cada experiência musical faz parte de um todo maior; uma narrativa visual que une cada canção. No entanto, segundo a edição de setembro de 2019 da Crack Magazine, esta não foi a primeira tentativa de Björk em querer dar vida a um projeto com esse tipo de tecnologia. Nos anos 90, quando a ferramenta começava a ganhar visibilidade, a islandesa quis criar uma experiência semelhante para o álbum Homogenic. Na época, muitos estudiosos acreditavam que os VRs seriam a próxima grande mudança de paradigma da humanidade após a Internet. Mas ficou como promessa, já que além de cara, não estava desenvolvida o suficiente para materializar as ideias da cantora, não para o mundo que ela queria construir. A artista acredita que a realidade virtual ficou por muito tempo em segundo plano.
Só em 2013, os primeiros headseats especializados foram lançados. Então, Björk e seu diretor criativo (e braço direito) James Merry entraram em c…