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Com Cornucopia, Björk inicia apresentações em arenas na Europa

Foto: Melanie Marsman (2019)

Björk tocando na O2 Arena é algo que poderia ter feito mais sentido nos anos 90, se o local já existisse. Foi naquela época que a artista islandesa fez álbuns que venderam milhões, e que sua voz surpreendente esteve em maior evidência na mídia. Hoje, isso é uma lembrança distante para ela, que optou por um trabalho ainda mais experimental, como em Utopia (2017).

No entanto, uma apresentação está marcada na O2 para o dia 19 de novembro. Será o maior show dela em Londres nesses 42 anos de carreira. "Obviamente, jurei na adolescência que nunca tocaria em uma arena na minha vida", ela contou ao jornal britânico Evening Standart UK. “Mas as dos Anos 80 são diferentes das arenas recém-construídas e, de certa forma, os teatros do Século XVIII tem tanta bagagem. Mas é claro que isso é um experimento, assim como tudo o que faço. Acho que não vale a pena fazer, a menos que seja algo que nunca fiz antes, né? Inicialmente, eu esperava que teatros tradicionais pudessem nos receber, mas as arenas do Século XXI são realmente os únicos lugares que podem acolher a quantidade de coisas que temos no palco".

O resultado de toda essa estrutura não é barato. Os ingressos estão mais caros do que os fãs estão acostumados: "Eu não estava envolvida nessa parte, mas sim, isso foi bastante complicado. Acho que, do meu ponto de vista, é o meu show mais teatral de todos os tempos e provavelmente será o único. Eu já fiz muitos shows punks, DJsets, toquei em vários festivais e etc, então no meu coração a diversidade é importante para um músico. Eu tento".

Nova etapa da turnê inclui backdrop inédito para Body Memory por Tobias Gremmler (Fotos: Santiago Felipe)

David Smyth, o jornalista responsável pela matéria, disse que mesmo tendo feito a entrevista por e-mail (Björk preferiu dessa forma por estar descansando a voz para os shows), a cantora o respondeu atenciosamente, digitando de uma maneira bem típica dela sem letras maiúsculas e pontuações. Ela descreveu o conceito desse show como algo bastante colorido, sendo o visual "meio ASMR em esteróides” baseado amplamente no novo do álbum: “Utopia, como o título diz, é um lugar. Estamos tentando imaginar uma ilha do futuro onde plantas, humanos e pássaros se tornaram um só e vivem em harmonia com a natureza e a tecnologia. Portanto, é uma tentativa de fazer um show de um conto de ficção científica. Penso que, em retrospectiva, tinha algo a ver com a gravidade e o conteúdo visceral de Vulnicura. Foi feito de carne, ossos e dor. Neste, eu queria sair e voar, fazer planos utópicos, começar tudo de novo. Escrever um manifesto".

Ela se sente otimista em relação ao futuro, apesar da ameaça das mudanças climáticas: “Acredito que temos muito o que fazer e mudar. Não é tarde demais, mas temos que mudar totalmente nosso estilo de vida. Já fizemos isso tantas vezes antes. Londres proibiu o carvão e vocês daí puderam ver o céu novamente. Vamos fazer isso!".

No final do show Cornucopia, é reproduzida uma mensagem em vídeo da jovem ativista Greta Thunberg. Björk parece emocionada por vê-la envolvida com essas questões: “Ela é extraordinária! Ainda não acredito que ela gravou essa mensagem para mim em abril! Estranhamente, no sistema jurídico dos Estados Unidos, onde está a maior resistência à ideia de aquecimento global, o único ângulo que poderia ultrapassar toda essa burocracia é uma criança processando o governo por terem roubado seu futuro. Com Greta, esse ponto de vista ganhou uma voz, uma pessoa. Obviamente, também acho que ela é escandalosamente forte e incorruptível".

Fotos: Santiago Felipe

Enquanto a turnê continua, a artista ainda mantém outros projetos em andamento, como a exposição imersiva Björk Digital, atualmente em cartaz no Brasil (em Brasília a partir de 03/12), e o lançamento de Vulnicura VR (desenvolvido desde 2014), um álbum que mesmo com uma temática tão pesada, ainda parece não ter sido deixado para trás: "Emocionalmente, eu o deixei no passado há muito tempo", ela explica. “Mas trabalhando com sete equipes diferentes de realidade virtual em sete músicas distintas, encontrei muitos obstáculos técnicos que não foram resolvidos até o outono de 2019. E acho que não sou uma pessoa que desiste das coisas!".

A verdade é que Björk está mais próxima do que nunca de seu desejo declarado de "expressar o espiritual em um ambiente digital". Ela garante que passa a maior parte de seu tempo ao ar livre, todos os dias, e que só começa a trabalhar em computadores, por exemplo, após o término da etapa física e 'acústica do processo criativo': “Eu odeio estúdios de música convencionais, sem janelas, tudo em cor marrom e com aquelas 'espumas' na parede. Como podemos levar esse processo de gravação para uma montanha? Estou extremamente animada para deixar a era industrial. Às vezes, o peso das máquinas de ferro e do rock 'n' roll é demais para mim".

- Novembro de 2019.

Agenda - Cornucopia Arena Tour: 
13 de novembro: Bruxelas, Bélgica - Forest National Park
16 de novembro: Esch-sur-Alzette, Luxemburgo - Rockhal Main Hall
19 de novembro: Londres, Inglaterra - O2 Arena
25 de novembro: Glasgow, Escócia - SSE Hydro
28 de novembro: Dublin, Irlanda - 3Arena
2 de dezembro: Oslo, Noruega - Oslo Spektrum
5 de dezembro: Copenhagen, Dinamarca - Royal Arena
8 de dezembro: Estocolmo, Suécia - Ericsson Globe

Um pequeno vídeo sobre os bastidores da construção do som 360º do novo show, foi liberado pela empresa D&B Audiotechnik. Enquanto não o traduzimos, confira a versão sem legendas:


Saiba mais: 

- Em DJset surpesa, Björk toca "Montagem da Xereca" da brasileira Badsista.
- Fã usa fantasia no Halloween inspirada em Blissing Me.
- BatForLashes cita MTV Unplugged de Björk como fator decisivo que a fez querer trabalhar com música.



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