Pular para o conteúdo principal

Björk reestreia os shows "Cornucopia" e "Orkestral"

Cornucopia: 

Com o mesmo setlist e a mega estrutura que conhecemos em 2019, Björk retomou o show Cornucopia em Los Angeles. A apresentação aconteceu no Shrine Auditorium, o mesmo lugar no qual ela cantou I've Seen It All na cerimônia do Oscar, em 2001. 

Sobre o espetáculo, o Consequence of Sound escreveu: 

"É mais do que um concerto, é uma experiência. Ela ofereceu uma dose saudável e muito necessária de tranquilidade em um momento de frustração e incerteza coletiva". Antes de tudo começar, "uma projeção digital com flores apareceu nas grandes cortinas do palco, com uma ambientação sonora que preenchia o lugar". 

O jovem coral Tonality abriu o show, "com uma harmonia densa e hipnótica de arranjos tradicionais islandeses, que gradualmente se transformaram em cânticos angelicais em um chamado de emergência. A urgência política desse sentimento continuou pelo resto do show, ressaltando a visão paradisíaca e sobrenatural de Björk do futuro com uma mensagem de que só podemos alcançar esse sonho se estivermos dispostos a trabalhar por isso". 

No setlist, The Gate, a primeira faixa, revelou Björk cantando o trecho: I care for you, "sob aplausos arrebatadores, com uma harpista e um grupo de flautistas tocando vigorosamente. No geral, os visuais impressionantes e a coordenação musical cuidadosa tornaram toda a apresentação uma exibição imersiva. As telas também forneceram um pano de fundo surreal e alucinante, que elevaram as performances mais parecidas com o transe, como Body Memory". 

Em Blissing Me, serpentwithfeet se juntou a Björk "em uma suave e delicada colaboração". O público reagiu às performances, "muitos assobiando e aplaudindo, especialmente durante os momentos mais surpreendentes e visceralmente intensos, como Tabula Rasa. Uma erupção de palmas veio durante as notas de abertura de Isobel". 

Pagan Poetry provocou comoção, "enquanto a artista cantava a parte do: I love him!, apenas com o poder puro e cru de sua voz. Sue Me rendeu risadas da plateia devido sua entrega alegre e enfática ao dizer: Sue me if you want!". Na sequência do manifesto de Greta Thunberg, Future Forever junto ao visual e o som, "fez com que o peso das palavras da ativista parecesse ainda mais palpável". 

Ao agradecer a banda, Björk declarou: "As flautas arrasam!" quando apresentou o grupo de flautistas, antes da faixa final, Notget

Ficou claro que Cornucopia "não apenas te transporta para outra realidade, mas é também curativo. Embora possa não mudar a opinião de ninguém sobre tornar o mundo um lugar melhor, oferece um pouco de otimismo sobre como podemos escolher criar um lugar melhor para nós mesmos, sem simplesmente aceitar que tudo será destrutivo e devastador. Dentro de nossa distopia, existem maneiras de fazer nossas próprias pequenas utopias". 

Com ingressos esgotados, Björk também passou por San Francisco na arena Chase Center

Orkestral: 

No setlist, uma seleção das canções da série de 4 livestreams na Islândia, que aconteceram no final do ano passado. Teve até Overture do Selmasongs, que não aparecia em um show de Björk desde 2008. Em 2001, a faixa também era um dos momentos lindos da turnê Vespertine

"Para mim, o show Orkestral é como um dia de feriado. Eu apenas chego com um vestido nas costas e apareço, canto e vou para casa. Torna-se mais sobre mim, a cantora. Eu trabalho com as orquestras locais de cada lugar, então sou mais como uma convidada ou uma visitante" - Björk em entrevista para o The Mercury News, janeiro de 2022. 

As canções apresentadas:

- Cornucopia: The Gate, Utopia, Arisen My Senses, Show Me Forgiveness, Venus as a Boy, Claimstaker, Isobel, Blissing Me (com serpentwithfeet), Body Memory, Hidden Place, Mouth's Cradle, Features Creatures, Courtship, Pagan Poetry, Losss, Sue Me, Tabula Rasa, Future Forever, Notget.

- Orkestral: Stonemilker, Aurora, Come to Me, Lionsong, I've Seen It All, History of Touches, Black Lake, Hunter, You've Been Flirting Again, Isobel, 5 Years, Hyperballad, Jóga, Quicksand, Mouth Mantra, Bachelorette, Overture, Notget, Pluto.

Fotos: Santiago Felipe. 

Os looks dos shows de Björk em 2022: 



Postagens mais visitadas deste blog

Björk não está interessada em lançar um documentário

A série de podcasts "Sonic Symbolism" foi editada a partir de 20 horas de conversas de Björk com a escritora Oddný Eir e o musicólogo Ásmundur Jónsson. O projeto traz a própria islandesa narrando a história por trás de sua música. "Não fiz isso para obter algum encerramento terapêutico. A razão pela qual decidi fazer foi que eu estava recebendo muitos pedidos para autobiografias e documentários. Recusei todos! Não quero me gabar, mas estou em uma posição em que, se eu não fizer isso, outra pessoa fará!". A cantora explicou que os documentários feitos sobre artistas mulheres são "realmente injustos, às vezes", que muitas vezes são "apenas uma lista de seus namorados e ficam dizendo: "Ah, eles tiveram uma vida feliz" se tiverem tido um casamento. Mas se não tiver sido o caso, então a vida delas foi um fracasso. Com os homens, eles não fazem nada disso". A intenção de Björk com os episódios é "dar importância ao meu trabalho" e ...

Björk e a paixão pelo canto de Elis Regina: "Ela cobre todo um espectro de emoções"

"É difícil explicar. Existem várias outras cantoras, como Ella Fitzgerald , Billie Holiday , Edith Piaf , mas há alguma coisa em Elis Regina com a qual eu me identifico. Então escrevi uma canção, Isobel , sobre ela. Na verdade, é mais uma fantasia, porque sei pouco a respeito dela".  Quando perguntada se já viu algum vídeo com imagens de Elis, Björk respondeu:  "Somente um. É um concerto gravado no Brasil, em um circo, com uma grande orquestra. Apesar de não conhecê-la, trabalhei com ( Eumir ) Deodato e ele me contou várias histórias sobre ela. Acho que tem algo a ver com a energia com a qual ela canta. Ela também tem uma claridade no tom da voz, que é cheia de espírito.  O que eu gosto em Elis é que ela cobre todo um espectro de emoções. Em um momento, ela está muito feliz, parece estar no céu. Em outro, pode estar muito triste e se transforma em uma suicida".  A entrevista foi publicada na Folha de São Paulo , em setembro de 1996. Na ocasião, Björk divulgava o ...

Björk responde pergunta enviada por Mitski

Em 2017, Björk respondeu perguntas de alguns artistas para DAZED , incluindo uma enviada por Mitski : M: Quanta confiança você deposita no seu público e o quanto eles importam para você quando está se apresentando ao vivo? Às vezes, quando performo e é óbvio que a plateia está lá apenas para festejar, sinto que existe um muro entre mim e eles, e acabo tendo crises existenciais sobre isso. Eu sei que muito disso tem a ver com o ego, mas quando você pegou um avião para ir até lá e não tem dormido bem há dias, e então faz um show onde nada parece se conectar, é fácil imaginar o que e para quem exatamente você está se apresentando. B: Hmm... Eu acho que é por isso que sempre pedi para tocar cedo! Muitas das minhas músicas são lentas, então mesmo quando estou sendo a headliner de um festival, pergunto se posso me apresentar ao anoitecer. Eu verifico com antecedência a que horas o sol vai se pôr e tento começar meu set ao anoitecer, daí começa a ficar escuro no meio do caminho, então peg...

Hildur Rúna Hauksdóttir, a mãe de Björk

"Como eu estava sempre atrasada para a escola, comecei a enganar a minha família. Minha mãe e meu padrasto tinham o cabelo comprido e eles eram um pouco hippies. Aos dez anos de idade, eu acordava primeiro do que eles, antes do despertador tocar. Eu gostava de ir na cozinha e colocar o relógio 15 minutos mais cedo, e então eu iria acordá-los... E depois acordá-los novamente cinco minutos depois... E de novo. Demorava, algo como, quatro “rodadas”. E então eu acordava meu irmãozinho, todo mundo ia escovar os dentes, e eu gostava de ter certeza de que eu era a última a sair e, em seguida, corrigir o relógio. Fiz isso durante anos. Por muito tempo, eu era a única criança da minha casa, e havia mais sete pessoas vivendo comigo lá. Todos tinham cabelos longos e ouviam constantemente Jimi Hendrix . O ambiente era pintado de roxo com desenhos de borboletas nas paredes, então eu tenho uma certa alergia a essa cor agora (risos). Vivíamos sonhando, e to...

A história do vestido de cisne da Björk

20 anos! Em 25 de março de 2001 , Björk esteve no Shrine Auditorium , em Los Angeles, para a 73º edição do Oscar . Na ocasião, ela concorria ao prêmio de "Melhor Canção Original" por I've Seen It All , do filme Dancer in the Dark , lançado no ano anterior.  No tapete vermelho e durante a performance incrível da faixa, a islandesa apareceu com seu famoso "vestido de cisne". Questionada sobre o autor da peça, uma criação do  fashion   designer macedônio  Marjan Pejoski , disse: "Meu amigo fez para mim".    Mais tarde, ela repetiu o look na capa de Vespertine . Variações também foram usadas muitas vezes na turnê do disco, bem como em uma apresentação no Top of the Pops .  "Estou acostumada a ser mal interpretada. Não é importante para mim ser entendida. Acho que é bastante arrogante esperar que as pessoas nos compreendam. Talvez, tenha um lado meu que meus amigos saibam que outros desconhecidos não veem, na verdade sou uma pessoa bastante sensata.  ...