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A participação de Björk em The Northman

Que saudades de ver esse rostinho lindo! 

Björk esteve na estreia de "The Northman", em Reykjavík. 

Nas redes sociais, a artista escreveu: "Estou muito orgulhosa de fazer parte disso. Gostaria de agradecer a Robert Eggers, Sjón e Robin Carolan por convidarem Dóa (o nome artístico da filha dela, que é uma das atrizes da grande produção) e eu para essa aventura. Estou mais do que grata!!! E obrigada a James Merry por me apoiar e Alexander (Skarsgård) por ser um co-ator gracioso". 


"É bom finalmente ver as raízes de alguém tratadas com imaginação, inteligência e qualidade. Eu AMEI as passagens com Mjötviður Mær.

A arqueologia moderna revela cada vez mais que este período foi repleto de cultura, têxteis, poesia, música, fertilidade e humor, não foi só guerra. 

Espero que isso seja um incentivo para as diretoras assumirem nesse período. Aqui está uma humilde esperança de que minha participação nisso plantou uma semente, que pode crescer nessa direção. Eu convoco aquela árvore!!". 

No podcast oficial do filme, Björk disse: 

"Robert Eggers e eu temos um amigo em comum, que me disse que ele estava vindo para a Islândia. Preparei um jantar e também convidei meu amigo Sjón. Achei que se dariam bem, porque têm algo em comum. Mas eu não estava pensando em trabalhar em nada, estava apenas pensando mais em uma conversa mesmo". 

Questionada se considera que foi uma peça fundamental para o encontro dos dois, que resultou em "The Northman", explicou: "Talvez eu seja uma espécie de "parteira" para alguma coisa, mas mesmo quando conversei com Alexander Skarsgärd, parecia que ele queria fazer um filme de Viking há muito tempo, então eu acho que há muitas razões pelas quais esse filme existe". 

O papel dela na história: "Acredito que sou como uma "xamã", alguém com quem as pessoas conversariam, se quisessem se conectar com seu subconsciente. Há três xamãs no filme, interpretados por mim, o ator islandês Ingvar Eggert Sigurösson e Willem Dafoe. Nós três agimos como a mesma força da mesma pessoa, viemos do subconsciente ou do submundo, lembrando os personagens principais sobre sua missão ou seu propósito na vida". 

O clima durante as filmagens: "O cenário era absolutamente lindo, com os cheiros de todas as madeiras de que os cenários eram feitos. Era quase como se não tivesse que atuar, porque era tão realista que era possível sentir como se estivesse lá. E é claro que Robert e Alexander são famosos pelas circunstâncias do set". 

Para NME, Alexander Skarsgard falou sobre trabalhar com Björk: "Me senti muito sortudo! Acho que não dá para ver na câmera nesta cena, mas filmamos em um celeiro em chamas depois de um grande ataque (no filme). E durante sua cena, eu podia ver que Björk tinha uma lua cheia gigantesca atrás dela, bem atrás de sua cabeça. Aquilo pareceu perfeito para aquela cena, seu personagem e como ela estava vestida. Foi absolutamente fascinante. Ela é tão incrível!". 

Eles se conheceram filmando a cena. Sobre as primeiras palavras que Björk lhe disse, ele brincou dizendo que ela falou: "Saia do meu caminho. Me traga um cappuccino, ei filho da puta". E acrescentou: "Não, não. Ela foi tão doce. Ela é um espírito único. Foi uma noite incrível". 

Em entrevista ao IMDb, Skarsgård disse: "Fazer uma cena com Björk foi, provavelmente, o ponto alto de toda a filmagem, muitos anos após o último filme dela. O privilégio de compartilhar isso com ela foi com certeza uma grande experiência". 

No The Late Show with Stephen Colbert, brincou sobre o que o elenco levou do set para guardar de lembrança: "Nicole Kidman tem uma espada, Willem Dafoe tem um navio, o navio inteiro! Posso estar brincando, mas acho que foi isso que aconteceu. Björk tem três cavalos islandeses. Eu fiquei com uma tanga sangrenta que usei durante as filmagens. Isso é o quanto eles valorizavam meu desempenho, minha contribuição para este filme".

De acordo com a produtora Focus Features, a personagem de Björk usou 18 colares diferentes e um cocar decorado com pedaços de vidro. 


Durante o podcast de "The Northman", também foi perguntado para Björk por qual motivo ela acha que existe tanto fascínio pela história viking: "Nos últimos 20 anos na arqueologia, eles foram descobrindo que os vikings tinham uma cultura complexa, com poesia, tecelagens, têxteis, como quaisquer tribos ou clãs que estivessem vivos naquela época. Acho que na Islândia temos um "exército de ferro" há muitas centenas de anos. Somos mais Suíça do que a Suíça quando se trata de guerra. A história dos vikings aconteceu há mil anos. 

Eu diria que na Islândia, a partir do Século XIV e depois disso, houve muito menos violência e assim por 700 anos tivemos um país realmente pacífico. Nós nos tornamos mais como os "documentaristas", as pessoas que estão montando as sagas, montando os livros de histórias e preservando as partituras musicais. Também estando em uma ilha tão distante da Europa, meio que protegemos nossas terras de guerras ou conflitos. Eu diria que nos últimos vinte anos os islandeses estão realmente se conectando ao tempo viking, mas mais ao lado cultural das coisas, da poesia, da literatura, das sagas, não da guerra e da violência". 

Sobre Robert Eggers: "Ele foi incrível e muito paciente, porque eu não sou atriz, sou musicista. Havia muito espaço para a opinião e os personagens de todos. Muito humor, gentileza, inteligência. Estou honrada em fazer parte disso. Robert é um artista incrível". 

O jantar: Eggers contou em entrevista ao The New Yorker, que a artista cozinhou salmão para os convidados. O encontro aconteceu na casa dela na Islândia. A islandesa, inclusive, já tinha assistido ao filme "A Bruxa" (2015). Ele também explicou que Björk o faz sentir que precisa encontrar algo interessante para dizer. Quando começou a conhecer o trabalho do poeta Sjón, Eggers soube que deveriam trabalhar juntos. 

De volta ao cinema para uma pequena participação em "The Northman", nossa islandesa teve um motivo para aceitar o convite: 

"Nunca se está na posição de convencer Björk. O que ajudou foi que ela e Sjón tem um relacionamento longo, pois se conhecem desde a adolescência. Nosso compositor Robin Carolan tem uma amizade com Björk e apresentou eu e minha esposa a ela. Era uma atmosfera familiar, então ela se sentiu confortável fazendo isso", explicou Robert Eggers ao IndieWire

Ele escreveu sobre a personagem pensando nela: "Se você está fazendo algo com um assunto islandês, muitos caminhos levam a Björk. E ela não está muito no filme. Acho que isso tornou mais fácil para ela dizer sim! Foi um dia de filmagem. E interpretar uma vidente, isso não é exagero para ela [risos]", contou aos sites Empire e Insider

Eggers também falou da caracterização: "Björk leu a cena, nós conversamos sobre isso e ela concordou em fazer. Ela contribuiu para a ideia de que a personagem teria um terceiro olho e que seus olhos de verdade estariam cobertos. Sabíamos por evidências arqueológicas da tribo proto-Ukrainian a qual definimos essa parte da história, que havia conchas de búzios no capacete das mulheres, então justificamos pendurá-las sobre os olhos  dela". 

Em uma matéria no Observer, Linda Muir, a figurinista de "The Northman", falou da grande pesquisa que fez para desenvolver as roupas usadas no filme. Sobre o traje usado por Björk, ela disse: 

"É muito intrincado. Na pesquisa para a aldeia eslava, li que a palavra para "bordado" é a que usamos para "escritor". Era muito importante que as mulheres bordassem as roupas para si e para suas famílias, que podem ser vistas em seus peitos, mangas, pulsos e mãos. É um chamado aos deuses por saúde, prosperidade e fertilidade. Nós tiramos fotos do bordado que tínhamos feito e depois escaneamos [no tecido] para que Seeress ficasse completamente coberta deles, porque ela tinha que ser considerada uma grande "escritora".

Brinquei com as cores, porque a iluminação do diretor de fotografia traz um lindo efeito de luar. Ficaria tudo preto e não teria nenhum detalhe, então usamos rosa, cinza e cores pêssego, que se encaixaram perfeitamente nessa luz. Se você a vê em uma fotografia mais colorida, não são as cores que ela aparece na tela. Seus colares são pedaços incríveis de azul "índigo", âmbar e coral, com anéis temporais fantasticamente enormes, pendurados na faixa na cabeça dela.

As mulheres nas aldeias tinham diferentes anéis temporais, que identificavam de que aldeia uma mulher vinha, então a noção que eu tinha para a personagem era que os aldeões ricos poderiam dar-lhe algo a mais para leituras privadas. As conchas de búzios e os sinos na frente de seus olhos cobertos foram usados ​​para afastar os maus espíritos, assim como sua saia, que é feita de um grande número de cintos eslavos costurados".

Anteriormente, Linda Muir havia publicado no Instagram: "Encantada por ter trabalhado com Björk. Tão gentil, calorosa e nada estranha a fantasias exóticas. Grata por ter tido a experiência da noite de sua poderosa e mágica bruxa eslava". 

Em post no Instagram, Sjón disse: "Minha velha amiga Björk como Seeress em "The Northman". É (uma participação) mais do que apropriada, pois foi o pensamento mágico dela que uniu Robert Eggers e eu. Por isso, serei sempre grato". 


"O Homem do Norte" estreia nos cinemas brasileiros em 12 de maio.

De acordo com os compositores Robin Carolan e Sebastian Gainsborough (Vessel), Björk está entre os colaboradores que contribuíram com vocais para a trilha sonora de "The Northman". No entanto, a voz dela não ficou claramente identificável no resultado final, provavelmente a faixa "Seeress", o nome de sua personagem. Ainda segundo eles, a paisagem sonora é formada por instrumentos de percussão que, com liberdade poética, lembram aqueles do Século X, que ajudavam xamãs a viajar no tempo e espaço, para entrar em contato com divindades e prever o futuro. 

Sobre Björk em "The Northman", o site Empire escreveu: 

"Ela aparece por uns dois minutos. Foi convocada e cumpriu seu propósito, forneceu magnificência. Majestosamente. Como em todo o seu trabalho, existe essa pureza em sua performance e, como sempre acontece com ela, os limites se confundem. Você nunca esquece que está assistindo Björk. Ela é sempre ela mesma, e nenhum diretor com bom senso jamais tentaria mudar isso. Ao longo de sua aparição, há a sugestão de um sorriso, como se ela estivesse rindo entre as tomadas, o que pode muito bem ter feito. Um pouco de risada antes de voltar para o estúdio de gravação, para continuar com seu trabalho real. Ainda assim, ninguém faz Björk melhor do que Björk. Ela vibra com honestidade. "Você quer alguém que esteja apenas no momento e completamente vivo, porque isso apenas torna a cena ainda mais viva", disse o ator David Morse enquanto promovia "Dançando no Escuro". "E Björk é tão viva quanto as pessoas veem". 

Fotos: Reprodução/Divulgação. 



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