Pular para o conteúdo principal

Björk anuncia podcast dedicado a cada uma das fases de sua discografia

Björk, vai com calma! Em seu próprio podcast, Sonic Symbolism, a islandesa irá compartilhar com os fãs detalhes de seu processo criativo passeando por toda a discografia. Serão 10 episódios, um para cada álbum. Em 01/09, já teremos os de "Debut", "Post" e "Homogenic". 💌

Confira o trailer clicando AQUI.

Conhecida por sua capacidade inovadora de se reinventar e reimaginar consistentemente sua produção artística, Björk procurou fazer algo diferente para seu projeto mais recente: olhar para o passado.

A partir do próximo mês, a importante cantora e compositora islandesa lançará uma série de podcasts inteiramente dedicada ao seu extenso catálogo, refletindo sobre sua carreira de quatro décadas. Ela estará acompanhada da filósofa e escritora Oddný Eir e do musicólogo Ásmundur Jónsson enquanto revisita as inspirações e marcos emocionais que ajudaram a formar o trabalho de sua vida.

O podcast foi produzido em colaboração com o Talkhouse e o Mailchimp Presents.

"Quando me perguntam sobre as diferenças das músicas dos meus álbuns, acho mais rápido usar atalhos visuais. É por isso que as capas dos meus discos são quase como cartas de tarô caseiras. A imagem na frente pode parecer apenas um momento visual, mas para mim está simplesmente descrevendo o som", disse Björk em comunicado oficial sobre o podcast.

"Talvez você possa chamar isso de algum tipo de "simbolismo sônico"? A maioria de nós passa por fases em nossas vidas que duram cerca de 3 anos, e não é por acaso que esse também é o tempo que se leva para fazer um álbum ou um filme. Este podcast é um experimento para capturar quais humores, timbres e tempos estavam vibrando durante cada uma dessas fases".

Ao som de "Batabid", B-Side da era "Vespertine", ela também diz no trailer:

"(Na imagem), tento expressar isso com a paleta de cores, as texturas, o que estou segurando e o ângulo. A minha postura mostra a relação disso com o mundo, a emoção expressada na minha boca tenta compartilhar o estado de espírito do álbum como um todo".

De acordo com o comunicado para a imprensa, Björk "compartilhará histórias que nunca foram contadas". A duração de cada episódio será entre 40 a 50 minutos. Todos serão liberados semanalmente (quinta-feira) até 13 de outubro.

O podcast foi uma sugestão do empresário da islandesa. Vasculhando os arquivos para se preparar para o projeto, ela até assistiu algumas de suas antigas entrevistas. Sobre a experiência, contou ao The Guardian que se pegou pensando: "Uau, ela é arrogante!". Mas basicamente estou dizendo as mesmas coisas. Estou em Londres e estou tipo: "Posso ir para casa agora?". 💌

O musicólogo islandês Ásmundur Jónsson já entrevistou Björk anteriormente em um longo bate-papo publicado no encarte/livro do "Live Box". Ele conhece a artista desde a adolescência e até bem antes dos tempos de KUKL. É um importante editor e produtor; e trabalha em diferentes campos da cena musical islandesa há mais de 40 anos. Participou de forma ativa no desenvolvimento da cena local, principalmente através da gravadora Bad Taste/Smekkleysa, que foi fundada pelos membros do Sugarcubes.

Oddný Eir é uma escritora islandesa. Ela escreveu três romances explorando a natureza, a filosofia e a busca por identidade. Além disso, traduziu e editou obras literárias; e organizou e dirigiu eventos de artes visuais em Nova York e Reykjavík. Também trabalhou como editora do site do projeto Náttúra, que foi co-fundado com Björk.

A colaboração das duas também está nas letras de "Thunderbolt" e "Atom Dance". Em 2015, chegou a entrevistar a artista para a Dazed. Em 2019, a AnOther Magazine pediu que Björk apresentasse trechos de algumas de suas obras preferidas. Ela citou "Land of Love and Ruins" de Oddný, a quem chamou de "uma verdadeira pioneira". Em 2010, as duas criaram uma petição com Jón Þórisson para exigir um referendo sobre a energia e a exploração da natureza na Islândia. Elas apresentaram a Geir H. Haarde, 8 propostas para tornar o desenvolvimento sustentável e ecológico na Islândia. Na época, ele era o primeiro-ministro do país.

Christian Koons é o produtor do podcast. Ele está por trás de inúmeros projetos nesse formato, incluindo o Song Exploder. Em post no Instagram, disse: 

"No último ano, tive a enorme honra de produzir e editar a nova série de podcasts de Björk. Para fãs casuais e novatos, será uma ótima maneira de se aprofundar na vida e na música dela, mas aqueles mais assíduos também encontrarão muito o que amar e aprender. Tem sido uma experiência incrível e estou animado para as pessoas ouvirem".

Anna Gyða (da rádio RÚV) e Derek Birkett (fundador da One Little Independent Records) também fazem parte da equipe.

Em "Sonic Symbolism", Björk continuará a convidar seu público a experimentar e redefinir os limites de como um musicista trabalha. Uma fonte contínua de inspiração, a equipe do podcast diz esperar que as palavras dela motivem "os sonhadores, criativos e empreendedores a encontrarem a faísca que precisam para desbloquear suas próximas grandes ideias".

Na quarta-feira, 31 de agosto, Björk também estará no episódio final de Listening, outro podcast do Talkhouse.

📷: Vidar Logi.
Info: bjorkfr.

Postagens mais visitadas deste blog

A cabana de Björk na Islândia

"O Land Rover de Björk desce a estrada em uma encosta rochosa até chegarmos ao que ela chama de sua "cabana", que na verdade é uma vasta pousada de 2 andares onde ela passa férias, caminha, escreve álbuns, ensaia sextetos de clarinete e recebe festas de casamento. Depois de estacionar, ela caminha por um lado do jardim que é cheio de plantas herbáceas perenes e bétulas. Ela então me apresenta a um trecho particular de uma praia em tom cinza. A tal cabana tem vista para um imenso lago, que surgiu há 9.000 anos na brecha entre as placas tectônicas da América do Norte e da Eurásia. Björk lidera o caminho que leva ate uma câmara octangular coberta por camadas de telhas de madeira distribuídas de forma não regular. Esta cabana isolada, bem em frente a uma plantação de batatas, é feita sob medida para produzir sons com uma reverberação sobrenaturalmente doce. Do lado de fora, parece uma capela particular para a divindade de sua voz. Entre no lugar e os limites daquelas parede...

A história do vestido de cisne da Björk

20 anos! Em 25 de março de 2001 , Björk esteve no Shrine Auditorium , em Los Angeles, para a 73º edição do Oscar . Na ocasião, ela concorria ao prêmio de "Melhor Canção Original" por I've Seen It All , do filme Dancer in the Dark , lançado no ano anterior.  No tapete vermelho e durante a performance incrível da faixa, a islandesa apareceu com seu famoso "vestido de cisne". Questionada sobre o autor da peça, uma criação do  fashion   designer macedônio  Marjan Pejoski , disse: "Meu amigo fez para mim".    Mais tarde, ela repetiu o look na capa de Vespertine . Variações também foram usadas muitas vezes na turnê do disco, bem como em uma apresentação no Top of the Pops .  "Estou acostumada a ser mal interpretada. Não é importante para mim ser entendida. Acho que é bastante arrogante esperar que as pessoas nos compreendam. Talvez, tenha um lado meu que meus amigos saibam que outros desconhecidos não veem, na verdade sou uma pessoa bastante sensata.  ...

Debut, o primeiro álbum da carreira solo de Björk, completa 30 anos

Há 30 anos , era lançado "Debut", o primeiro álbum da carreira solo de Björk : "Esse disco tem memórias e melodias da minha infância e adolescência. No minuto em que decidi seguir sozinha, tive problemas com a autoindulgência disso. Era a história da garota que deixou a Islândia, que queria lançar sua própria música para o resto do mundo. Comecei a escrever como uma estrutura livre na natureza, por conta própria, na introversão". Foi assim que a islandesa refletiu sobre "Debut" em 2022, durante entrevista ao podcast Sonic Symbolism: "Eu só poderia fazer isso com algum tipo de senso de humor, transformando-o em algo como uma história de mitologia. O álbum tem melodias e coisas que eu escrevi durante anos, então trouxe muitas memórias desse período. Eu funcionava muito pelo impulso e instinto". Foto: Jean-Baptiste Mondino. Para Björk, as palavras que descrevem "Debut" são: Tímido, iniciante, o mensageiro, humildade, prata, mohair (ou ango...

Saiba tudo sobre as visitas de Björk ao Brasil

Relembre todas as passagens de Björk por terras brasileiras! Preparamos uma matéria detalhada e cheia de curiosidades: Foto: Reprodução (1987) Antes de vir nos visitar em turnê, a cantora foi capa de algumas revistas brasileiras sobre música, incluindo a extinta  Bizz,  edição de Dezembro de 1989 . A divulgação do trabalho dela por aqui, começou antes mesmo do grande sucesso e reconhecimento em carreira solo, ainda com o  Sugarcubes . 1996 - Post Tour: Arquivo: João Paulo Corrêa SETLIST:  Army of Me One Day The Modern Things Venus as a Boy You've Been Flirting Again Isobel Possibly Maybe I Go Humble Big Time Sensuality Hyperballad Human Behaviour The Anchor Song I Miss You Crying Violently Happy It's Oh So Quiet.  Em outubro de 1996, Björk finalmente desembarcou no Brasil , com shows marcados em São Paulo (12/10/96) e no Rio de Janeiro (13/10/96) , como parte do Free Jazz Festival . Fotos: ...

A infância de Björk com a mãe na Islândia

"Quando minha mãe se divorciou do meu pai, eu tinha um ano de idade. Nos mudamos para fora de Reykjavík, para um subúrbio onde viviam artistas, pessoas que não se encaixavam nas regras e pessoas com pouco dinheiro. Morávamos em uma casinha. Se chovia muito, tínhamos que levantar à noite para esvaziar o balde cheio d'água, mas quando crianças parecia emocionante, era uma época muito feliz. A natureza do relacionamento entre pais e filhos é interessante: a percepção muda com o tempo. Agora que estou mais velha, entendo que ela rompeu com o patriarcado e se mudou para lá porque, embora fôssemos pobres, éramos livres. Ela havia encontrado um trabalho muito "físico" na frente de casa, onde aprendeu a ser carpinteira. Construiu nossas camas, fez a ligação da energia, costurou nossas roupas e cozinhou. No meu tempo de criança na Islândia comíamos mal, muito salgado, com muitos molhos e conservas, o que é normal para uma população que vive há mil anos no frio. Em vez disso, ...