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Sonic Symbolism: Como é fazer um podcast com Björk?

Björk chamou a filósofa Oddný Eir e o musicólogo Ásmundur Jónsson para fazer "Sonic Symbolism", seu novo podcast, que é uma retrospectiva de todas as fases da carreira solo.

Eles concederam uma entrevista para GQ sobre o processo criativo desse projeto. Confira a tradução do bate-papo;

É difícil imaginar Björk fazendo coisas do cotidiano como todos nós. A artista passou parte dos últimos dois anos trabalhando em um podcast com dois amigos de longa data – um projeto pandêmico, você pode dizer.

Sendo Björk, porém, esse projeto da pandemia é um pouco mais ambicioso do que a maioria dos outros. Intitulada "Sonic Symbolism", a série investiga a carreira dela, e leva os ouvintes das noites inebriantes dos clubes de sua juventude em Londres (ela frequentava festas de primeira linha para fins de "antropologia") ao "orgânico" e "terreno" universo de "Fossora", seu 10º álbum de estúdio. Para essa tarefa assustadora, Björk chamou os amigos de longa data Oddný Eir, uma filósofa e escritora que ganhou o Prêmio da União Europeia para Literatura em 2014, e Ásmundur Jónsson, um musicólogo, colaborador de longa data de Björk (ele trabalhou em diversos projetos com ela, incluindo o boxset de álbuns ao vivo, em 2003) e um pioneiro da cena musical islandesa. A série traz o trio tentando capturar os "humores, timbres e momentos que estavam vibrando" quando ela fez cada um de seus discos.

Embora não seja a primeira vez que ela escolheu olhar para trás – ela fez de tudo, desde uma retrospectiva no MoMa a uma coletânea de grandes sucessos mais convencional – "Sonic Symbolism" é mais do que uma visão geral da carreira para fãs obstinados. Em vez disso, funciona como um roteiro para a vida criativa, de uma artista que conseguiu manter seu processo puro apesar dos altos e baixos que caracterizam uma carreira no pop.

"Sempre pensei nela como um super-humana", diz Ian Wheeler, fundador do Talkhouse Creative Studio, que co-produziu "Sonic Symbolism" com Björk e Mailchimp Presents. "Mas ao ouvi-la falar sobre esses álbuns, percebemos que a maioria deles tem esses temas muito humanos, como maternidade, nacionalismo, juventude, etc. Em vez de parecer que estávamos olhando para trás, o que começou a parecer é que Björk estava olhando para o futuro todos esses anos".

Dias antes do lançamento do single "Ovule" de "Fossora" (o videoclipe que a reuniu com Nick Knight), a GQ conversou com Oddný Eir e Ásmundur Jónsson – por videochamada de Reykjavik – sobre o podcast, como foi crescer na Islândia e a magia de uma velha amizade.

GQ: A série começa com Björk contando essa história sobre ter oito anos, caminhar para a escola em um clima severo e aprender a cantar contra os elementos que vinham daquilo. É uma grande história, e acho que diz muito sobre ela como cantora e artista. Estou curioso se, crescendo em Reykjavík, vocês tiveram uma experiência semelhante?

Ásmundur: Eu sempre caminhei até a escola, sim. Acho que a maioria das crianças fez isso. Mas eu não fazia isso cantando [Risos]. Mas sim, eu me lembro do clima e das circunstâncias que ela estava descrevendo na entrevista.

Oddný: Sim, eu também! Na Islândia, permitimos que nossos filhos façam as coisas sozinhos muito cedo. Eles percorrem uma longa distância sozinhos ou em grupos de apenas crianças. As mudanças do clima são tão repentinas aqui em Reykjavík. Então você pode ter 10 climas diferentes todos os dias. Mas sim, eu não fazia isso cantando. Acho que o que ela estava descrevendo, sobre ir até lá sozinha, é que cantar era como um mecanismo de sobrevivência.

Vocês conheceram Björk de maneiras bem diferentes, certo? Oddný, eu sei que vocês se conheceram enquanto trabalhavam em projetos de conservação da natureza. Já Ásmundur, a conheceu em uma loja de discos. Vocês podem me contar sobre a primeira vez que a viram?

Ásmundur: Nos conhecemos na época em que eu, com várias outras pessoas, criei essa gravadora chamada Gramm Records no início dos anos 80. Björk estava em várias bandas na época, e estávamos começando a lançar [músicas que] estavam acontecendo em Reykjavík. Alguns jovens que realmente estavam em bandas vieram para conhecer a loja da gravadora, e ela começou a trabalhar lá. Björk fazia todos os tipos de coisas diferentes que eram necessárias para administrar a loja – como lavar o chão – e acho que ela realmente gostou de participar disso. Então eu trabalhei com ela por 35 anos ou algo assim.

Oddný: Na verdade, o que Ásmundur [modesto] não disse é que ele é o pioneiro. Ele fez a cena musical islandesa - não sozinho, porque era uma comunidade jovem e pequena, mas para realizar as coisas é preciso fazer muito disso sozinho. Ele realmente tinha a única loja que vendia algo progressivo. De alguma forma, Björk e outros artistas se agruparam em torno dele. A meu ver, eles estavam juntos! Era um grupo de pessoas fazendo aquilo acontecer – não apenas trabalhando. A cena não existia!

Ásmundur: Eventualmente, começamos a trabalhar mais juntos. Eu dirigi um programa de rádio por 10 anos com um amigo meu de 73 a 83. Para o último show, pedimos a alguns dos músicos com quem estávamos trabalhando que formassem um grupo e se apresentassem neste programa. Naquele ponto, eles decidiram chamar o grupo de Kukl. A partir daí, trabalhamos muito juntos pelos três anos seguintes até que a banda se separou e formaram os Sugarcubes.

Uau.

Ásmundur: E então eles decidiram continuar trabalhando juntos. Tenho ótimas lembranças com a música de Kukl.

Oddný, vocês duas se conheceram em função da luta pela conservação da natureza. Como foi conhecê-la dessa maneira e como isso se transformou em uma amizade?

Oddný: Eu morei em Nova York quando ela estava vivendo lá. Então nos conhecemos assim. Eu já sabia da música dela desde quando era criança ou adolescente.

Mas então tivemos essa discussão sobre um projeto específico de conservação da natureza. E foi engraçado, nós pulamos o lado filosófico e o abstrato – já que podemos nos aprofundar em tantas direções em nossas discussões – e naquele momento [falando sobre conservação da natureza], nós duas éramos de alguma forma tão práticas. Foi como esse houvesse essa sinergia entre nós. Isso foi tão incrível para mim! Nem precisávamos discutir tanto, apenas nos organizamos automaticamente. Aconteceu como as pessoas descreveram para mim sobre a ideia de estarem navegando juntos em um barco ou algo assim. A gente pode navegar juntos ou não. Eu imagino que poderíamos velejar em um barco!

Então isso foi muito agradável porque lutar pela natureza, principalmente naquela época, tende a se tornar algo um pouco pesado. É tão difícil e você fica tão exausto! Se você está lutando por justiça, por grupos minoritários e está lidando com um sistema, é difícil manter a alegria e o espírito. Então, para mim, conhecê-la foi tipo: eu entendi o quão genial ela era em manter o espírito ou mantê-lo real e algo muito intenso. Quero dizer, ela é realmente uma trabalhadora e uma pessoa focada, mas ao mesmo tempo, de alguma forma alegre e leve.

Eu tinha acabado de voltar [para a Islândia] quando nos conhecemos, quando decidimos entrar nessa luta. Estávamos pensando que seria melhor construir um sanatório do que construir mais uma empresa de fundição de alumínio... Quando começamos, reunimos pessoas de toda a cidade e de todo o país em uma sala - pessoas da nível financeiro e filosófico, de todos os tipos. Estávamos fazendo café e…. eu não me lembro bem, mas meu irmão tinha feito pão achatado e nós estávamos [alimentando as pessoas] e estávamos muito estressados. E na verdade, naquela mesma noite, a crise [financeira] chegou e o primeiro-ministro apareceu na televisão dizendo: "Deus abençoe a Islândia porque estamos em colapso. Estamos falidos". Havia uma intensidade e uma urgência.

Eu também venho de uma comunidade pequena, nas Filipinas, e acho histórias como essa interessantes – como quando você vem de um lugar onde a comunidade é mais unida, a colaboração flui tão fácil e naturalmente, e as pessoas realmente se unem e podem se unir facilmente quando necessário.

Oddný: Sim, é verdade. Uma comunidade menor!

Isso me lembra que, há uma ótima frase que Björk diz na série sobre como durante a era "Post", ela queria que as pessoas entendessem que ela é de outra parte do mundo, que nem sempre foi representada, que era sua maneira de dizer: "Sou parte desta comunidade, destas nações sub-representadas".

Oddný: Sim, como quando você entra em lojas de discos. Você entra em uma grande loja no exterior e vê que há apenas uma seção chamada "world music" na qual tudo está agrupado. Isso [que ela disse] é como esse tipo de redução. É muito frustrante! Acho que precisamos realmente lutar contra essas coisas. Também acontece na literatura [e em outros campos], onde há uma única maneira de contar uma história.

Então esse foi o nosso desafio também [com esse podcast], não necessariamente começar indo de um assunto para o outro, [nesta] maneira muito linear de falar sobre as coisas, mas de alguma forma apenas mergulhar nesse ponto e de alguma maneira ir de um lugar para outro no qual as conexões podem não ser tão lógicas.

Ásmundur: Para mim, houve muitos assuntos e questões inesperadas em termos da arte de Björk que aprendi durante esse processo de passar pelo lado visual, por exemplo, como o que ela disse sobre as capas de seus álbuns serem como cartas de tarô. Foi revelador!

Isso é como um sinal de boa amizade também, uma amizade antiga, quando você realmente se dá tempo para se expressar com sinceridade e faz [perguntas]. Você sempre percebe algo novo sobre o outro, mesmo conhecendo bem essa pessoa.

Como alguém que acompanha o trabalho dela, sei que ela não é de nostalgia. Mas, obviamente, esse é um projeto bastante nostálgico. Como ela pediu para vocês fazerem parte disso? Como ela explicou?

Oddný: Isso é muito único sobre o processo de trabalho dela – ela é tão confiante. Nós conversamos sobre coisas técnicas como o processo de trabalho, mas de alguma forma através disso, nós também descobriríamos seus [temas] internos – mas através da técnica, em vez de apenas apontar diretamente.

Ásmundur: Eu me lembro quando estávamos trabalhando juntos em um boxset de discos ao vivo [no início dos anos 2000]. Fiz várias entrevistas com ela que, de certa forma, apenas contextualizavam essas gravações. Essas discussões foram muito, muito interessantes porque estávamos apenas focando em um aspecto da criatividade – as músicas dessa perspectiva, levando-as do estúdio para apresentações ao vivo.

Eu aprendi durante esse tempo ao passar pelos primeiros quatro álbuns - "Debut", "Post", "Homogenic" e "Vespertine" - que cada um deles é um novo mundo com o qual estamos lidando. Havia tantas coisas que vieram à tona durante essas sessões. É realmente interessante mergulhar nisso, projeto por projeto, e ter a oportunidade de discutir as coisas em detalhes, e tentar encontrar um novo ângulo em projetos que talvez já tenham 1.000 artigos escritos sobre eles.

Oddný: Na verdade, senti que não tínhamos esgotado [as coisas no podcast]. Eu senti mais como se estivéssemos apenas começando. Achei que tinha mais 3.000 perguntas. Mas também era mais importante continuar com esse espírito de conversa de amigos – quando você encontra um amigo depois de muito tempo e tem tanto a dizer, e então precisa se encontrar novamente para discutir mais detalhadamente.

Às vezes, há aspectos de nossos amigos que realmente não conhecemos até trabalharmos com eles, ou quando temos certas oportunidades de fazer outros tipos de perguntas. Então, fiquei curioso se ao fazer essas entrevistas para essa série de podcasts, houve algo que você aprendeu sobre ela como amiga?

Oddný: Toda vez que entramos em uma conversa íntima, aprendo algo novo. Esse é o dom de uma boa amizade. Você não está estagnado. Vocês estão se permitindo desenvolver juntos de alguma forma e nunca menosprezam alguns aspectos do outro... De alguma forma, é como o processo de fazer um bom perfume. Leva tempo!

Mas como isso foi muito intenso, é claro que havia muitos aspectos [diferentes] dela que eu senti. Uau, sim! Coisas que não eram surpreendentes em si, mas alegres por podermos descobrir de alguma forma, ver com mais clareza. Mas também porque eu a conheci anos depois, então foi tão bom ter essa visão de quando tudo isso estava acontecendo na vida dela.

Qual é o álbum favorito da Björk de vocês?

Oddný: Não posso responder a essa pergunta. Eu os vejo de alguma forma relacionados uns com os outros, passando de um para o outro. Tem sido muito interessante ver como isso e aquilo se relaciona.

Ásmundur: É uma pergunta difícil de responder porque todos eles têm uma longa vida comigo! Eu ainda gosto de tocar os discos de 20, 25 anos atrás. É como se ainda estivessem morando um com o outro. Ainda estamos meio que encontrando novos ângulos para aquelas música. Ainda estão vivas!

Na série, Björk define que uma fase da vida pode durar cerca de três anos. Ela explica que também é tipicamente o tempo que se leva para fazer um filme, um álbum, um livro, etc. Fiquei curioso em saber: vocês concordam? Isso se manifestou em suas próprias vidas?

Ásmundur: Eu não pensei na minha vida em períodos dessa forma. Eu não escrevo livros, mas posso entender completamente o que ela está dizendo. Eu vi isso através do trabalho dela. Mas sim, para mim, pessoalmente, não penso na minha vida em períodos.

Oddný: E também nem naquelas cartas de tarô! [Risos].

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As traduções completas de todos os episódios do podcast "Sonic Symbolism" serão publicadas no site do Björk BR.

Foto: Divulgação/Reprodução.

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