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As conexões sagradas de Björk: um bate-papo sobre Fossora

Geralmente, os conceitos de progresso, evolução e vanguarda são acompanhados por uma narrativa discursiva e audiovisual ligada à vertigem, à modernidade e aos espaços urbanizados. Então, como falar do futuro a partir de uma praia remota na Islândia que -precisamente- carece de vertigem, modernidade e urbanização?

Björk é uma das artistas multidisciplinares mais importantes do nosso tempo graças à sua preocupação em experimentar; e para esta nova etapa ela encontrou a resposta para essa pergunta em meio a uma pandemia que manteve o mundo trancado por dois anos. A explicação está no mais fundamental de nossa identidade.

Raízes socioculturais, mãe, filha, a terra que pisamos e o ar que respiramos… De volta ao básico. Estar na vanguarda das indústrias criativas, não está em desacordo com a calma e a introspecção. Para comemorar o lançamento de "Fossora" - seu novo álbum - Björk conversou com a WARP Magazine

O romance dela com a equipe da revista tem uma longa história desde 2011, quando ela foi entrevistada sobre "Biophilia". A parceria seguiu até a exposição imersiva "Björk Digital", que foi organizada pela Warp em 2017 no Foto Museo Cuatro Caminos no México, e incluiu também um DJset da islandesa na companhia de Arca. Agora, por meio de uma conversa de uma hora com Alejandro Franco, Björk revela suas preocupações sociais em relação às mudanças que o mundo está vivenciando, sua experiência durante a pandemia, seu breve retorno ao cinema em "The Northman" e todo o processo por trás de "Fossora". O resultado foi uma das entrevistas mais interessantes da artista nos últimos anos! Confira a tradução do bate-papo completo:

- Olá! Como vai? 

Muito bem, obrigada!

- Se lembra de mim? Sou Alejandro, do México, da Warp Magazine. 

Oh, ok. É claro! No começo eu não percebi, só vi seu nome no Zoom.

- E agora você está conectando os pontos... 

Estou ligando os pontos! Acabei de receber um e-mail gigante com 100 nomes [de jornalistas], então estou vendo cada um. Como vai você?

- Muito bem, muito bem. Trabalhando. Depois da pandemia foi bem difícil, mas agora as coisas estão melhores e estamos com muito trabalho. Continuamos com a Warp. Estou muito feliz em ouvir de você. Como tem sido esse momento para você?  

Muito bom! Acho que me sinto um pouco culpada por dizer isso, mas tive uma pandemia maravilhosa. E acho que o momento foi perfeito para mim, porque eu estava mais ou menos fechando a turnê, então pude me dedicar apenas a escrever. Acho que foi mais difícil para os artistas que mal haviam lançado um álbum quando a pandemia começou. Isso aconteceu com alguns dos meus amigos e foi muito difícil para eles. Sabe, então por dois anos eu consegui ficar em casa e compor. Foi bom. Na verdade, para mim, foi um alívio que não houvesse interrupções.

Também tivemos muita sorte na Islândia; acho que isso aconteceu com várias ilhas: foi muito fácil fechar nossas fronteiras durante a pandemia. Era obrigatório que todos fizessem um teste no aeroporto, para todos os aviões que chegassem e para todas as pessoas que nele entrassem. E então tivemos que nos isolar por cinco dias e fazer um segundo teste. E até então não podíamos nos ver, acho que foi o mais pesado. Mas o bom foi que nós e o estilo de vida na Islândia continuamos os mesmos. Não mudou muito, para ser honesta. Todos os restaurantes permaneceram abertos e todos puderam socializar normalmente. E sim, houve algumas limitações às vezes e tentamos definir um limite de pessoas que víamos regularmente. Mas como moro perto da praia, eu podia passear por lá todos os dias, então aqueles foram tempos muito bons para mim.

- Sim, imagino! Provavelmente, você estava indo para praia, caminhando e também até mesmo já fazendo alguma produção para este novo álbum. Em um dia que para você era normal, qual era sua perspectiva sobre o resto do mundo? Eu sei que no país vocês sabiam que outras ilhas e países específicos estavam em uma situação semelhante, mas como era sua visão em relação ao resto do mundo? O ponto de vista habitual. Estar vivendo de uma certa maneira, mas sabendo que outras pessoas estavam lutando; ou que elas estavam tentando se acostumar com algo que é, provavelmente, para um lugar como uma ilha, muito mais regular. 

Sim, é interessante. Acho que a Islândia passou por muita coisa, mas por exemplo: durante a 1ª e 2ª Guerras Mundiais, só víamos de longe. 

- Pois é!

Então durante vários desses grandes traumas históricos da humanidade, estivemos no meio do caminho. E coisas assim são interessantes do ponto de vista da ilha; mas é claro que também era complicado! Por exemplo: minha filha estava terminando a escola e passou pelo processo de graduação de uma escola no Brooklyn via Zoom, da Islândia. E todo mundo costumava chorar nas ligações via Zoom, várias vezes ao dia, porque alguém próximo a eles havia morrido. Foi uma loucura ver tanta dor!

E, é claro, o Black Lives Matter também aconteceu. Isso veio parcialmente por causa da pandemia, acho que devido as pessoas estarem tendo reações mais fortes online porque estavam trancadas em suas casas, como se estivessem liberando toda aquela energia reprimida. Então é claro que eu estava assistindo a tudo isso de perto e foi um momento muito interessante. Também tivemos um momento aqui na Islândia, que atribuo ao fato de que em todo o mundo nos sentimos inspirados pelo Black Lives Matter, sabe? Quando passamos a destacar mais os problemas raciais em nossos países. Portanto, embora não haja muitas pessoas aqui na Islândia que não sejam islandeses, falando daqueles que foram e ainda são tratados injustamente. O número está subindo, acho que cerca de 15% dos islandeses não nasceram aqui e enfrentam um problema de desemprego realmente significativo. 

Na verdade, quando montei a orquestra para este álbum, me inspirei no Black Lives Matter. Porque montei uma orquestra de dez pessoas, e muitas delas eram islandeses negros ou pessoas da Islândia de origem estrangeira. Porque eu acho que, às vezes, quando eu escolhia músicos na Islândia, eu apenas dizia: "Oh, eu preciso de flautistas" e acabava perguntando apenas para as pessoas da Islândia, sabe? Então foi realmente bom perceber nosso próprio problema. E, obviamente, o mundo inteiro estava acompanhando a pandemia pela internet, no Zoom, e vendo todos os problemas que estavam surgindo: Black Lives Matter e MeToo e muitas outras causas que provavelmente receberam mais atenção por causa da pandemia.

- Acho que há duas questões muito fortes aqui que você acabou de mencionar. Acredito que se trata de dizer ao mundo que fomos muito injustos em muitas situações, com violência e discriminação e muitas coisas horríveis. Mas esse momento que veio com a pandemia, antes da pandemia, mesmo com o movimento MeToo, também é uma manifestação de consciência. Mais pessoas se conscientizaram de vários problemas; e não sei se as coisas realmente mudaram; mas estou muito feliz em saber o que você fez com a orquestra para o álbum. Você acha que isso está nos mudando, de certa forma, como humanidade? A consciência que temos em relação a determinadas questões? Não estou dizendo que encontramos a cura e agora estamos vivendo de forma muito diferente, porque esses problemas ainda estão por aí; no entanto, você acha que algo está mudando na humanidade?

Claro que sim! Acho que globalmente, com a internet, estamos ganhando mais voz. E acho que as causas - por exemplo, MeToo - não teriam acontecido dessa forma sem uma ferramenta como a Internet. E, claro, primeiro tudo era muito preto e branco. Era tipo: "Se algo aconteceu com você, diga". E então muitas pessoas foram canceladas, e talvez desse jeito fosse muito preto e branco, sem chance de mudança. E então uma segunda onda do MeToo aconteceu, tipo um ou dois anos atrás; de fato, em meio à pandemia - o que não me surpreende em nada - que parecia mais forte que a primeira. E acho que foi aí que as pessoas começaram a se aprofundar nessas áreas cinzentas. Não é realmente preto ou branco, sabe? É muito mais matizado e muito mais complexo. Cada caso é diferente, não há dois casos iguais, embora existam certos padrões de comportamento.

Estamos todos criando nossos valores juntos, como se 7 bilhões de pessoas concordassem em modificar nossa concepção de tudo. Agora, se algo do MeToo acontecer, na família, no trabalho, entre amigos ou online, cada caso é um caso. Tenha 20 detalhes e diga: "Sim, era assim aqui, mas ali era diferente. Assim, a complexidade começou. Sempre dizemos: "não consigo lidar com a complexidade, isso é demais para mim"; mas agora sinto que o MeToo se tornou algo como Atman. É quase como uma lista de muitas, muitas pequenas coisas, e então devemos decidir: "OK, conforto esta pessoa? Eu faço isso publicamente? Eu não torno isso público? Eu continuo falando com você? Você deve se desculpar?". 

Tudo isso tem muito mais camadas a se considerar, você sabe o que quero dizer? E na verdade eu acho que é uma coisa boa, porque é uma questão muito complexa e fingir que é simples banaliza, não é verdade. Então é claro que vai levar milhares de anos, ou o que for; mas todos nós vamos formalizar isso juntos e globalmente. E eu acho que é uma coisa boa que não se trate apenas de levá-lo a julgamento ou não levá-lo a julgamento, que haja mais, uma reflexão.

- Sim, acho que de alguma forma estamos evoluindo em todas as disciplinas. E então é claro que você faz parte desta energia, esta energia feminina. E você tem feito coisas incríveis por muitos anos e essas questões não são estranhas para você como mulher neste mundo. Você realmente teve um envolvimento incrível com "The Northman" antes de fazer este álbum. E já que entramos nesses tópicos, lembro que por um momento pensamos que você tinha decidido não voltar a fazer filmes. Como foi esse processo para você e como você tomou a decisão de participar deste filme?

Bom, eu acho que a razão pela qual 23 anos atrás eu fiz apenas um filme foi um pouco mal compreendida: as pessoas pensavam que eu tentei atuar e fui tão mal tratada que eu não queria voltar; mas acho que está simplificando a real narrativa e entendo isso; mas a história é que me ofereceram mais papéis antes desse, mas eu disse não porque não estou realmente interessada em ser atriz. Eu sou mais um musicista e sempre fui muito consciente disso, e não tenho tempo para fazer todas as coisas que gostaria de fazer. Eu gostaria de encontrar tempo para fazer tudo isso antes de morrer; ou pelo menos metade porque se eu tentar realizar todas as ideias, definitivamente não terei tempo. Eu acho que foi mais porque minha música já estava no filme, "Dançando no Escuro", 23 anos atrás e o diretor me disse várias vezes: "Você deveria atuar no filme". E propus outras pessoas que atuavam melhor e, no final, abri a exceção porque minha música aparecia no filme, então fazia sentido para mim ser a única a representá-la. 

Depois disso, fiquei super feliz por não ter que fazer isso de novo. Não quero me gabar, mas nos últimos 20 anos tive várias ofertas para outros grandes momentos de Hollywood e coisas assim; no entanto, só sei que não é para mim. Fico lisonjeada, mas eu amo estar dentro de uma música ou estar em uma situação musical e colaborar com músicos e tudo relacionado à música. Quando faço vídeos em realidade virtual, apps, clipes, tudo o que já fiz; até minhas fotos, elas estão sempre ligadas às músicas que estou fazendo. Esse é o ponto de partida, então fiz "The Northman" mais como um favor para Sjón, que é meu amigo e autor islandês desde os 16 anos. Ao longo da minha vida pedi a ele algumas vezes que me ajudasse nos meus projetos, e ele sempre larga tudo para o fazer; então senti que estava em dívida com ele. Foi bom dizer sim! 

Mas eu também gostei do que ele estava fazendo: Ele pegou a ascendência Viking e deu-lhe mais complexidade. É claro que o Reino Unido e os Estados Unidos escrevem a história do mundo e sempre falaram mal dos vikings; Acho que talvez seja porque eles foram os únicos que conseguiram parar os ingleses mil anos atrás. Não quero falar mal dos britânicos, mas acho que vi uma lista online outro dia que dizia que há 17 países no mundo que eles não invadiram. Quantos países eles conquistaram? Centenas de países! Então é um pouco forte e até irônico que eles digam que os vikings eram violentos; mas acho que foi só porque eles foram os únicos que os impediram. Mas na verdade, os vikings e todas as culturas daquela época eram meio violentos, sabe? E de certa forma, as pessoas que fugiram da Islândia para a Noruega, estavam fugindo da violência e dos reis. Eles formaram o primeiro parlamento do mundo na Islândia no ano de 930, então a Islândia sempre foi muito antiautoridade, muito antiviolência. Na verdade, agora 1.000 anos depois, somos uma nação sem exército e quase sem violência nas ruas. Temos um assassinato por ano, ou nem isso. Eu estava meio interessada em ter meu amigo, Sjón, escrevendo a história e ter alguém como Robert Eggers como diretor, que eu sabia que faria uma pesquisa de maior qualidade do que as pessoas em Hollywood estão fazendo.

- Acho esse tópico incrível também, porque estamos falando da perspectiva das pessoas que escreveram a história, como você disse. Sobre colonização: todas essas colônias ao redor do mundo… Aconteceu também aqui no México, na América do Norte, América Central, América do Sul e em todo o continente. Eles dizem que os povos que habitavam esses lugares incríveis eram violentos; e é claro que haviam pessoas violentas e nações violentas; mas o que é violento é o que eles fizeram por tantas décadas. É algo muito forte quando as culturas são destruídas. É meio louco como também estamos acordando nesse sentido: estamos tentando contar as histórias de uma perspectiva diferente. E também estamos honrando nossas raízes ancestrais, um assunto que acho muito, muito importante trazermos para a nossa discussão, com todas essas questões que falamos há pouco. 

Com certeza, concordo com você! Isso é muito forte vindo de Cristóvão Colombo, sabe? A violência… Ele e sua equipe cruzaram a América do Norte e Central. É algo forte eles dizerem que aquelas pessoas a quem estavam atacando e tirando terras eram as violentas. Ou até ser chamado de "selvagem", isso é bem ridículo. Desculpe fugir do assunto, mas é que é divertido falar com você. Eu li um belo livro chamado "Braiding Sweetgrass". Eu não sei se você já ouviu falar dele.

- Já li sobre isso, mas ainda não li o livro. Me diga mais.

Sim, a autora lê o audiolivro, então você pode ouvi-lo na voz dela. Ela é nativa americana, norte-americana; e veio estudar Ciências Botânicas, em Boston. Fala das plantas... Na verdade, é a história das plantas, cada capítulo é uma planta diferente. Mas ela zomba disso: que quando Cristóvão Colombo chegou à América do Norte, disse: "Ah, essa gente é selvagem" porque, segundo ele, ainda não havia chegado ao estágio da agricultura.

- Imagine só!

E ela disse que é ridículo porque todas as mães e suas ancestrais, carregavam em um cinto e nas costas sementes de... acho que chamam de "As Três Irmãs". Não sei se também dão esse nome no México, mas elas se chamam assim. Eles têm histórias em sua mitologia sobre as três irmãs, e as três irmãs são o milho, o feijão e a abóbora. E eles carregavam as sementes em seus cintos; e depois, quando chegavam a uma nova área, porque claro que se mudavam de lugar para lugar, dependendo da época, pegavam as sementes e as plantavam em um bom lugar. Aí eles só esperaram alguns meses... Era perfeito, porque primeiro crescia o milho e logo depois o feijão, e o milho sombreava o feijão para depois a abóbora crescer. Não havia necessidade de cuidar, porque as plantas cuidavam de si mesmas. De lá eles obtiveram proteínas, carboidratos e vegetais. Com apenas esses três produtos, todos os nutrientes que a gente precisa. 

E Robin Wall Kimmerer, a autora deste livro, disse que é muito engraçado que Cristóvão Colombo e seu povo pensassem que só porque os nativos americanos não plantavam em linhas, aquilo não poderia ser considerado como agricultura. Eles tinham a mente muito fechada! 

- Sim, totalmente! A agricultura da maneira que os povos desta parte do mundo faziam, é de fato a estrutura e a base da sociedade. Eles também eram grandes cientistas, gostavam de observar as estrelas e o universo: os calendários - o asteca e o maia - são quase os mesmos deles. Esses calendários devem ser ajustados a cada 9.000 anos, ao contrário dos que usamos hoje todos os dias. Esses calendários poderiam ser usados ​​até mesmo em Marte; ao contrário do que usamos, que só pode ser usado na Terra. É uma loucura como eles tentaram contar uma história tão diferente. Eles provavelmente não entenderam no início; mas depois compreenderam o poder que essas culturas tinham; daí depois decidiram destruí-las para contar outra história e colocar a religião em primeiro lugar. É uma loucura como essas culturas sobreviveram e agora estamos vendo um novo momento florescer. Acho que no final os ciclos se cumprem, e agora falamos do poder das plantas e falamos dos significados ancestrais. É um bom momento para isso!

Absolutamente! E, novamente, as pessoas agora têm apetite e capacidade de entender as complexidades de situações que, novamente, não eram tão preto ou branco.

- Estou totalmente de acordo! Percebi que você tem uma música chamada "Mycelia", no álbum "Fossora". Acabei de mencionar o poder das plantas, e queria saber se isso tem algo a ver com fungos e plantas. Claro que você sempre se conecta com a natureza, adoro isso no seu trabalho; e você também disse prefere música, em vez de outras coisas, como atuar, por exemplo. Mas também acho que sua música está sempre embrulhada em um conceito, um mundo, um mundo pequeno ou um grande universo que você coloca em suas canções, e a arte, a capa, os vídeos e tudo mais. Estou errado sobre a música "Mycelia"? O que você pode me dizer sobre o trabalho que faz tentando criar o conceito que envolve cada álbum?

Acho que quanto mais envelheço, fico um pouco melhor em explicar a parte visual do meu trabalho, porque para mim, nos primeiros dois ou três anos que estou escrevendo as músicas, não estou tão ciente daquilo. É um processo mais ou menos lento para mim. Também estou aprendendo a usar atalhos visuais para simplificar a comunicação com os músicos que trabalham comigo, com as pessoas que mixam ou masterizam e também com meus colaboradores visuais. Cada álbum é como um período da minha vida e eu tento encontrar as músicas e torná-las as mais diversas possíveis; mas então eu tento descobrir o que une todas elas.

E acho que você está certo sobre este álbum! Com "Mycelia", eu comecei a descrever a música para os músicos enquanto estávamos gravando o clarone na Islândia; e enquanto estávamos ensaiando, eu ficava tipo: "Oh, este é o meu álbum de cogumelos!", e quando digo isso, quero dizer que é meio pesado e confuso. É quase funky ou algo assim. Acho que os músicos entenderam dessa maneira. Os clarinetistas me perguntaram: "Que tipo de vibrato você quer?", ao que eu disse: "Na verdade eu imaginei um clube de jazz em Sommerland (que fica ao norte da Escandinávia), mas em 2050; e eles disseram: "Ah, ok, sim, entendemos: nem muito romântico nem muito plano, nem sem vibrato, mas algo no meio disso". Então eu acho que os músicos usam esse tipo de linguagem para descrever as coisas. 

Foi assim também com meu álbum anterior, que chamei de "Utopia". E a razão pela qual eu o chamei assim foi porque ele era mais ou menos sobre idealismo. Os sons eram, como eu digo, uma ilha de ficção científica no céu, com muitas flautas e elementos aéreos; e quando trabalhei com Arca, usávamos sintetizadores que soavam como ar. Então foi muito intencional, sem baixo aparente, sem linha de ritmo ou qualquer coisa para não ancorar o álbum. Flutuou no céu! E eu ficava me perguntando: "Como você gostaria que seu mundo fosse?", porque eu acho muito importante ir até aquele lugar. Mas para mim, "Fossora", meu novo disco, é mais sobre o que é a minha vida. Em "Utopia" tínhamos algo como um manifesto, por exemplo: "Como você gostaria que o mundo fosse?". Tanto na minha vida pessoal quanto no aspecto ambiental, eu estava tentando responder a essa pergunta. Me vinham à mente coisas como o Acordo Climático de Paris e sua lista de acordos impossíveis de cumprir; mas ainda é importante considerá-lo e ter um objetivo utópico, mesmo que mal cheguemos ao meio do caminho.

Mas este novo álbum, "Fossora", para mim, é como dizer: "Ok, agora vou pegar essa lista ou essas ideias utópicas, e vou viver dentro delas, vou viver o dia a dia nelas. Vou me mudar para a Utopia e tomar um café com os meus amigos, conversar e ter uma vida normal. Vou a pé até às lojas, ficar bêbada e vou a festas". Fazer as coisas do dia a dia sem pensar muito. Para mim, durante os últimos cinco anos, e claro também com a situação do COVID, fiquei muito feliz por poder estar aqui na Islândia com meus amigos e o meu povo… Quase parecia que eu estava me ancorando no chão. Era como micélio e fungos se enraizando na terra. Era uma situação muito ancorada; feliz, mas no fim de tudo era ancorada. E também acho que veio desse sentimento que acho que todos nós sentimos durante o COVID: o de ficar tanto tempo trancados em nossas casas e descobrir tipo: "Oh! Na verdade, tenho amigos incríveis! E eu realmente tenho restaurantes, artistas e músicos incríveis ao meu redor". Descobrimos tudo o que estava perto de nós!

Percebemos que talvez busquemos mais do que realmente precisamos. Não precisamos estar viajando pelo mundo o tempo todo procurando por mais. Para mim, quando se fala de micélios ou fungos, trata-se também - e isso é muito louco, Alejandro - de afundar os pés no chão. Este sentimento de: "Ah, eu gosto de estar com os pés no chão, gosto dos meus amigos íntimos, gosto da minha família e dos entes queridos que tenho". Ter a liberdade de dizer: "Oh! Vamos transformar a sala em um bar! Vamos transformar a sala de estar em um restaurante! Por que você não fazer um show de standup no meu quarto?", você me entende? Esse tipo de energia que todos nós estávamos tendo e estando tão enraizados, sabe?

- Eu amei que você mencionou estar "ancorada", porque eu estava prestes a lhe dizer que eu sinto que, provavelmente, – como você estava me dizendo e pelo o que eu ouvi no álbum – este é o álbum onde você traz a utopia para a vida cotidiana. E sim, acho que é muito fundamentado: é sobre a terra, sobre conexão e sobre viver na realidade, porque às vezes somos muito destrutivos com muitas coisas e agora estamos percebendo que temos uma vida e que devemos valorizar muitas coisas que damos como certas; E eu li sobre o nome do álbum e é algo relacionado a isso, certo? Eu adoraria ouvi-lo em suas próprias palavras. Explique-me o significado do nome do álbum, por favor.

Sim, levei muito tempo para encontrar um título; mas para mim, essa palavra (fossor) em forma masculina significa "aquele que escava a terra", o escavador. Eu sei que isso soa estranho; mas "Fossora" é a forma feminina disso. Usamos essa palavra principalmente para coisas como fósseis, para pessoas que procuram fósseis; ou para animais que cavam na terra ou para lagartos ou para mamíferos ou aqueles que são chamados de animais fossoriais, que são os que têm uma grande garra com a qual cavam a terra. E acho que, para mim, parecia unir o sentimento feliz que eu estava descrevendo para você: poder estar na Islândia por dois anos e realmente curtindo e relaxando com minha família ao meu lado, de alguma forma me firmando na terra.  

Então, é claro, há duas músicas no álbum sobre minha mãe: ela faleceu há três anos; então é também sobre o lado mais triste e mórbido de se cavar a terra, que é dizer adeus aos nossos ancestrais, dizer adeus a uma mãe, que é algo que todos nós aparentemente temos que passar em algum momento de nossas vidas. Esse foi um tema muito novo para mim, foi uma surpresa. Acredito que esse título, "Fossora", fala daquele que está aninhado na terra com seus entes queridos, de uma forma muito feliz e desfrutando de todos os cogumelos; mas também fala sobre cavar a terra e preparar o ritual de despedida''. 

- Isso é incrível! Estou muito emocionado que você me diga isso, porque devo dizer que também perdi minha mãe em 2020, dois meses antes do início da pandemia, e acho que é um dos sentimentos mais profundos que um ser humano pode sentir. Ter uma perda desse tamanho faz a gente ver a vida de uma forma diferente, porque então sabemos que as coisas nunca mais serão as mesmas. E esse filtro provavelmente simplifica muitas coisas porque surgem sentimentos muito complexos; mas também acredito que um novo nível de compreensão pode ser alcançado para tudo ao nosso redor.

Sim, eu também acho isso! Penso que também mal notava ao entrar em uma livraria ou loja de filmes ou qualquer outra coisa, que tipo 10% dessas histórias são sobre dizer adeus. Eu nunca tinha percebido! Na verdade, acabei de dar uma entrevista para o... não sei se você conhece o poeta... Ocean Vuong!

- Sim, eu conheço!

Bom, ele escreveu sobre se despedir de sua mãe de uma maneira tão bonita. Ele é americano vietnamita, e foi muito muito lindo! Tivemos uma conversa sobre quando entramos em uma livraria e lá há quase como uma categoria sobre perda, sobre dizer adeus à mãe. É uma parte tão grande de nós como humanos e sempre achamos que sabemos como vamos nos sentir, mas quando acontece, realmente não entendemos.

- Estou de acordo! As culturas ancestrais aqui na América do Norte e Central dizem que a dor, o que sentimos naquele momento, é provavelmente um dos momentos mais sábios que se pode alcançar em vida, porque o ego dorme. Ao perder algo tão grande em sua vida, não se pensa a partir do ego. A gente começa a pensar e agir com a certeza de que nada é para sempre, e que o que nos cerca deve ser apreciado; então, pelo menos por um momento, durante o período de luto, surgem novas maneiras de entender a vida e de explorar quem somos.

Uau! Eu adorei isso, é lindo, eu realmente adorei! O ego dorme porque de alguma forma o colocamos em pausa. 

Fotos: Santiago Felipe.

- Sim, totalmente! Quero te lembrar de uma coisa: nós já nos conhecíamos, porque conversamos sobre outro de seus álbuns.  

[Por causa da] "Björk Digital"!

- Isso!

Sim! Eu já ia te agradecer por todo esse trabalho!

- E então começamos a exposição no México, depois na Colômbia e na Argentina... Me lembro que quando fui aos bastidores, Arca estava tocando merengue e você estava dançando. Então você me pegou pelas duas mãos e dançamos um pouco. Daí me abraçou e disse algo como: "Finalmente estamos nos conhecendo". Eu nunca, nunca vou esquecer disso porque foi muito, muito especial para mim te conhecer, porque tenho acompanhado o seu trabalho há muito tempo e estivemos envolvidos nesse projeto da exposição. Também notei que você é muito aberta à música. Eu te vi dançando merengue como uma profissional! E tenho certeza de que agora com seu novo single, há controvérsia no México. Nós da Warp decidimos dizer que é uma mistura de reggaeton e techno, provavelmente; e muitas pessoas responderam: "O que? O que estão dizendo? Björk nunca faria reggaeton!". Mas eu sei que você gosta de música em geral; então te pergunto: Há alguma influência de Arca, da música latina ou de reggaeton em "Atopos"?

Quero te agradecer por todo o seu trabalho na "Björk Digital", e espero que possamos continuar em todo o mundo com a turnê "Cornucopia". Vou tentar continuar com isso de alguma forma e incluir tudo, mas isso é uma outra história... A propósito, foi muito divertido dançar com você! E sobre o reggaeton ou se foi influenciado pela Arca: não sei... Claro que ela me inspira de mil maneiras; mas a verdade é que acho que foi mais porque eu estava em casa ouvindo muito afrobeat. 

E ao longo do COVID, ouvi afrobeat que tem um ritmo semelhante ao reggaeton, porque pertencem à mesma árvore genealógica. Eu também ouvia muito Afrobeat da Nigéria, mas também música da África Oriental, e também de Uganda e tudo mais. Isso foi o que mais me inspirou! Aliás, programei os beats de reggaeton que aparecem em "Ovule" e "Atopos", e não sou uma programadora muito boa. Houve uma época em que eu ia para Barcelona trabalhar com Arca, ou ela ia para a Islândia trabalhar comigo; mas o COVID parou tudo. Foi um grande momento para as duas! Nós conversamos muito online e somos irmãs que apoiam muito o trabalho uma da outra. Mas talvez tenha sido bom que esse encontro não tenha acontecido em Barcelona ou na Islândia, porque era hora de seguir em direções diferentes. Acho que nós duas nos sentimos muito saudáveis [em fazer isso].

Em relação ao reggaeton, devo dizer que quando estava fazendo o "Biophilia", morei em Porto Rico por um ano e aquele ano foi quando o reggaeton explodiu novamente. Isso para mim foi incrível! Saíamos muito para dançar em San Juan, eram tempos muito emocionantes; então, para mim, o reggaeton faz parte da minha vida há muito tempo. Porém, vou ser honesta com você, Alejandro - com a mão no coração - acho que o ritmo reggaeton que programei foi mais inspirado no Afrobeat; embora eu possa entender a relação porque é como eu te disse: eles são da mesma família. 

- Sim, totalmente, a estrutura é muito semelhante!
 
Mas eu não sou uma programadora muito boa, quero deixar isso claro.

- Bom, você fez um ótimo trabalho. Esta é provavelmente a minha última pergunta: percebi que as máquinas melhoraram muito. Não é a primeira vez que aparecem em sua música, mas notei algumas vibrações techno. Provavelmente, é por isso que é um álbum que te ancora, que realmente coloca nossos pés na terra, no chão. Me fale sobre o processo de encontrar os sons... Você já usou muita tecnologia na sua música e agora você mesma programou. Eu acho isso muito legal! Então me conte mais sobre o som, especificamente sobre a vibe techno que podemos ouvir em "Fossora". 

Bom, eu venho fazendo meus próprios beats há muito tempo; mas o que eu costumo fazer, por exemplo no "Vulnicura", é que eu adiciono beats bem básicos. É tipo: "Ok, aqui está o bumbo e aqui está o laço dele". Eu não decidi a produção para aquele disco até muito depois, e até então eu apenas tinha pegado o padrão do som. Aí a Arca entrou no "Vulnicura", pegou toda essa informação e ainda por cima fez a sua própria produção sonora. E é claro que assim ela o levou para o outro lado. Esse processo é algo que eu sempre fiz. Acho que "Utopia" foi diferente para mim, porque era onde Arca e eu trabalhávamos de igual pra igual. Há também algumas músicas que co-escrevemos juntas desde o início. Para mim, essa foi uma exceção, porque eu não trabalhava dessa maneira desde o "Post". 

Eu diria que "Homogenic", "Vespertine", "Medúlla", "Volta", "Biophilia", "Vulnicura" e "Fossora" foram feitos do jeito que eu faço a primeira leva de beats, apenas sem marcador, kick, snare, tons e assim por diante. Mais tarde, substituo o "design" do som. Eu sinto que cada álbum tem um BPM (batidas por minuto) diferente. Isso se tornou muito evidente depois de escrever a maior parte de "Fossora", que foi muito inspirado pela pandemia no sentido de que estávamos todos presos em casa, trabalhando em casa e depois recebendo amigos para jantar ou cozinhar, fingindo que nossa casa era um restaurante. Naquela época, eu ouvia muito Kappa (gênero tradicional africano), principalmente da África Oriental, particularmente de Uganda. Dançávamos como loucos durante uma hora, e depois nos sentávamos e tomávamos outra bebida. Nós nem saíamos para bares. Tivemos esses momentos de Kappa na nossa sala em casa.

E eu acho que a forma como isso se manifestou no álbum, é que muitas das músicas começam bem quietas e baixas nos primeiros 4 minutos, e então, de repente, no último minuto, a batida dobra e tudo explode! Ou elas vão de 90 BPM para 180, que é basicamente o BPM de Kappa. Existem várias pessoas que fazem esse tipo de trabalho, pessoas como Jaylin, em Chicago e, obviamente, Bamba Pana de Uganda; mas também Gabber Modus Operandi, a quem convidei. Kasimyn, ele faz os beats da dupla. Então eu ouvia todos esses tipos de músicas muito, muito calmas, e aí havia um momento em que elas iam em velocidade dupla. Isso é bem diferente de quando se tem um beat do House, que vai para 120 BPM o tempo todo, por exemplo. E para a produção, eu queria que fosse algo mais ligado a terra. No final, aliás, como não pude me juntar a ele pessoalmente na Indonésia por causa do COVID, optamos por ele me enviar alguns beats e fui eu que os adicionei. Ele me deu muitos beats na verdade, e eu estava apenas fazendo a curadoria: "Oh, o beat sete eu vou colocar na música oito e o beat nove eu vou colocar na música dois".

Eu começava com meu beat inspirado na percussão afro-latina e depois adicionava um bumbo nele, porque eu queria algo desse tipo de "momento Kappa". Acho que para mim, o Kappa é muito emocional e catártico. Acho que todos sentimos isso na pandemia: ficar quietos em nossas casas e depois ter uma tarde em que bebemos demais até enlouquecer. Precisávamos de qualquer tipo de liberação [daquela situação], e é por isso que vai tão rápido por tão pouco tempo [nas músicas]. É apenas em um minuto, e então tudo volta para o baixo e começa a próxima canção. Acredito que é por isso que elas têm essa proporção. Isso faz sentido?

- Totalmente! Isso também aconteceu na minha casa. Eu entendo perfeitamente. Desculpe, mas já está acabando o nosso tempo. Fiquei muito feliz em falar com você! Estou muito feliz em ver suas colaborações, em ver que James Merry está trabalhando de perto com você. Quero muito agradecer pelo seu tempo. É incrível que você esteja de volta com este novo álbum. Espero que possamos nos ver em breve!!!

Espero o mesmo! Vou para a América do Sul e obviamente não é o México; mas estarei lá por um mês, em novembro, então, espero, não sei... Talvez eu possa fazer uma parada por aí, quem sabe.

- Isso seria incrível. Eu sei que você já conhece a Cidade do México. Ou talvez possamos te alcançar em algum lugar na América do Sul. Fiquei muito feliz em conversar contigo, Björk! Senti sua falta durante esses anos! E agora estamos nos reconectando, estou muito feliz!

Muito obrigada! Obrigada por suas belas perguntas. Todas foram muito inteligentes e instintivas, com inteligência emocional. Muito obrigada!

- Entrevista para Alejandro Franco, publicada em outubro de 2022.

Foto: Vidar Logi.

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