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Björk anuncia vinil de remixes e faz livestream no Instagram


Sexta-feira de grandes novidades! No dia 1º de novembro, Björk irá lançar um novo vinil limitado de 12'', o Country Creatures. A tracklist inclui novas versões de Features Creatures por The Knife e Fever Ray, que também aparecerão no Utopia Bird Call Boxset. A capa, que é uma mistura das dos discos Utopia e Plunge, foi criada por M/M Paris.

O LP está em pré-venda na loja oficial da islandesa. Para garantir o seu clique AQUI. As faixas já estão disponíveis nas plataformas de streaming e download, bem como o remix e vocais adicionais feitos pela artista para a faixa This Country Makes It Hard To Fuck da carreira solo de Karin Dreijer, que faz parte da dupla.

A arte dos singles é de Martin Falck:




Para comemorar, Björk esteve ao vivo na tarde de hoje no Instagram. Ela usou um filtro especial no aplicativo com uma máscara desenhada por James Merry. Para assistir ao bate-papo completo mediado por Anna Cafolla, editora do Dazed, clique AQUI e AQUI. Quer usar o Björchid também? Saiba mais acessando o perfil dele.


A cantora respondeu algumas perguntas dos fãs. Ela falou sobre o processo criativo e de cura do Vulnicura VR, que já se encontra na loja online da Steam e Viveport. A grande produção, inclusive, chegará em outras plataformas (como o PlayStation) no natal. Ao longo dos últimos anos, os vídeos passaram por várias mudanças na edição lidando com avanços tecnológicos. Ela acredita que tais restrições foram tão libertadoras quanto as novas ferramentas: “Começamos tudo isso com uma câmera em 360º na praia. Realmente tentamos celebrar o ângulo da realidade virtual. Queríamos usar a tecnologia para estabelecer um contato mais íntimo com os ouvintes. Fiquei tão empolgada com essa tecnologia de som. As coisas ali se movem em círculos: as cordas, a voz, tudo. Mas isso fez com que algumas pessoas se sentissem enjoadas, então aprendi (a reajustar) da maneira mais difícil".

Björk explicou que a experiência em realidade virtual é exclusiva de Vulnicura, e que não teria funcionado com nenhum de seus outros álbuns: “Meus álbuns são muito diferentes. Para algumas pessoas, soam todos iguais”, ela disse rindo. “Mas para mim são muito distintos, e eu só poderia ter feito isso com o Vulnicura, pois trata do assunto e formato mais antigos de tudo o que já discuti, o coração partido. Talvez a indústria da música sempre quis que eu virasse esse papel clichê no qual as mulheres desempenham a autodestruição, para que não sejam mais uma ameaça. Sempre me afastei disso a vida toda porque pensei que era unilateral, mas no Vulnicura acabei escrevendo um álbum desse jeito, onde na verdade sou a vítima. É o único disco no qual existe uma cronologia dos fatos. Compus músicas antes, durante e depois do desgosto. É de carne e osso, então pensei que poderia anexar a ele algo tão esotérico como o conteúdo de VRS, que ainda não havia sido produzido. Me senti confiante de que já tinha uma estrutura emocional que fazia sentido para mim".

Sobre as críticas à realidade virtual, que ainda não é algo tão aberto a todos, ela usou como exemplo as supostas limitações de mídias em vinil e CDs: "Tivemos que ir ao extremo antes que pudéssemos pensar em como democratizá-los e torná-los acessíveis a todos os ouvintes".

Na conversa, uma curiosidade: O álbum VR foi parcialmente inspirado nas consequências da crise financeira da Islândia, que aconteceu alguns anos antes: "Tirei meio ano de folga para trabalhar em questões ambientais no meu país e depois disso ele faliu por inteiro". Ela então explicou melhor dizendo que tal situação a encorajou e fez ver que não é preciso dinheiro para ter uma "economia verde", e que usar a tecnologia como aliada para trabalhar não significa ir contra a natureza.

Family é o vídeo que a cantora mais se identifica no projeto: "A letra dessa música literalmente descreve qual foi a minha sensação física durante o processo de desgosto. Acredito que as pessoas que sofrem uma perda podem sentir como se um de seus braços tivesse sido arrancado, mas quando explicam a seus amigos, eles não conseguem ver nada, ainda que lhe pareça uma realidade. Testemunhei muito cedo, quando estava testando a realidade virtual em outros indivíduos, que era uma ferramenta que tinha o potencial de fazer acontecer coisas emocionais e invisíveis que sentimos com nossos corpos. A maneira como descrevi no moving cover meu coração partido foi com uma grande ferida no peito, em seguida fazendo quase como um 'movimento' de ioga. E todo o sangue nas minhas veias na cor preta simbolizando toda a minha tristeza, que se endureceu em uma escultura. Depois da cura, com a minha ferida costurada, me livrei da bagagem e dor terrenas e, por um momento, seria um ser mais leve. O VR de Family começa comigo em uma caverna em um submundo. Os controles do VR permitem que os ouvintes tenham a sensação de costurarem suas próprias feridas. Durante o solo de violoncelo no meio da música, eles podem então perfurar um buraco desse lugar até a superfície, agora se tornando essa 'luz' de três metros de altura, com um tipo de caminho que os atravessa".

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Aliás, alguns convidados especiais foram sorteados através das redes sociais da islandesa para uma festa no OTHERWORLD, uma espécie de 'bar' com óculos VR, em Londres. Cada um deles teve uma cabine especial para si para conferir os vídeos em realidade virtual. Em entrevista ao Digital Arts Online, James Merry falou sobre o projeto: "Não tínhamos uma plano geral para tudo isso. Não era do tipo: "Ah, isso está na moda agora, vamos tentar!". Foi mais como algo acumulativo. Stonemilker, por exemplo, foi criado antes mesmo de uma câmera 360º completa. A reação de Björk à tecnologia é sempre bastante instintiva e emotiva. Eu considero que essa experiência visual de Vulnicura combina com os tons grandiosos e sombrios do disco. É uma chance de entrar em um mundo digital meio claustrofóbico dando vida a esta ópera do coração partido. Na Austrália, havia pessoas chorando ao assistirem. Algumas gritavam, dançavam e até mesmo tentavam agarrar a Björk. Todo mundo tem reações diferentes a cada vez. Para esse tipo de conteúdo e o assunto do álbum, era importante acertarmos esse lado. 

Fizemos alguns ajustes ao longo do caminho que ajudaram a aumentar qualquer sentimento ou emoção que estávamos tentando transmitir para as músicas: alegria, tristeza, claustrofobia, euforia... Por exemplo, Björk passou algum tempo redimensionando a caverna do vídeo de Black Lake, propositadamente para torná-la bastante desconfortável. No final de Notget, ela estava clara de que era algo eufórico e explosivo, um triunfo do amor. Após a morte (dita na canção), vemos o avatar se expandir, crescer e explodir em um show de luzes. Ela realmente se certificou de que o som fosse o mais surpreendente possível em VR. Basicamente, tivemos que inventar novas maneiras de dominá-lo na mixagem. Normalmente, aparecem meio que em tempo real, mas isso iria ferrar com toda a masterização que a Björk havia feito no álbum. Então, Mandy Parnell, a engenheira de masterização, e Martin Korth, passaram meses e meses com ela mixando na Islândia. 

Em duas dimensões, assistimos o olhar do ponto de vista cinematográfico. Mas no caso dos VRs, acredito que o som seja o verdadeiro editor. Penso que quanto mais coisas forem feitas em realidade virtual, mais esse tipo de design de som interativo será importante. Não consigo passar tanto tempo com a tecnologia VR sem me incomodar. É por isso que acho que um videoclipe é o meio ideal. Um trabalho de alta definição, de três a quatro minutos, no qual somos inseridos e rodeados por outro mundo, sabendo que, no final, é possível tirarmos o equipamento e acabarmos com aquilo".

Até 1º de janeiro de 2020, os VRs estarão disponíveis lá. Ideal para experiências com um grande número de pessoas, que podem alugar juntas o espaço.


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Durante a live, Björk revelou que Features Creatures é o quarto single de Utopia. E o melhor de tudo: um novo álbum está em produção, mas deve demorar: “Estou sempre escrevendo, mas sou muito lenta. Vocês já devem ter percebido que lanço álbuns quase que a cada três anos, mas estou constantemente trabalhando em algo em segundo plano. Sou cuidadosa nos primeiros dois anos de criação, porque não quero descrever (o meu novo trabalho) e transformá-lo em algo visual. Tento não deixar a parte mais analítica do meu cérebro assumir o controle. Geralmente, tem um momento em que termino um álbum e então me sento para ouvir o que tenho de novo. Costuma ser o oposto do que estou fazendo no momento, porque fico entediada, embora, de certa forma, seja também uma continuação. Mas agora estou muito longe de músicas novas".

18 anos após Dançando no Escuro, a performance de Björk como atriz nunca foi esquecida. Sempre perguntada sobre quando voltará ao cinema, ela declarou: “Eu não sei! Fico lisonjeada por ainda ser questionada sobre isso. Gostaria que houvesse cinco versões de mim para executar todas as ideias que quero realizar. Uma coisa que estou aprendendo é que sou bastante idiossincrática. Quando faço as coisas de acordo com o meu mundo da música, funciona, mas não tenho certeza quanto a diferentes campos. Mas... nunca diga nunca!".

A artista revelou que seu item no guarda-roupa mais precioso são suas botas de caminhada, o que faz sentido, pois garante que o momento em que se sente mais contente é quando está na natureza, e acompanhada de seus amigos: "Eu realmente gosto de cozinhar direto em fogueiras agora".

A musicista encerrou a live com uma mensagem direta à jovem ativista climática Greta Thunberg e ao governo escandinavo: "Gostaria de comemorar que Greta Thunberg chegou de barco a Nova York. Quero também incentivar os primeiros ministros dos países escandinavos a anunciarem uma situação de emergência e lidarem com o aquecimento global".


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