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Björk fala sobre processo criativo e a necessidade de declarar uma emergência climática

A artista conversou com a estação de rádio RÚV/Rás 1. Confira a tradução dos destaques do bate-papo.

A produção de material durante a pandemia:
Já são cinco anos desde que Björk lançou "Utopia". "Há várias razões para isso", ela explica. "Eu gostei muito de estar em casa na Islândia [durante a pandemia] e de sair com amigos e familiares, de não estar com pressa [para entregar um álbum novo]. Apenas trabalhei devagar e pulei para fora da linha de montagem".

Nas últimas décadas, Björk viajou por todo o mundo apresentando sua música em concertos suntuosos e elegantes. Ela achou que seria bom fazer uma pequena pausa nesse tipo de trabalho enquanto as restrições estavam em vigor. Assim, "desacelerou" sua vida. "Achei uma loucura! Tenho quase vergonha de dizer isso, mas foi um dos três melhores anos da minha vida, a pandemia".

Ela lembra, no entanto, que os islandeses se divertiram muito enquanto a pandemia atingiu o resto do mundo em comparação com outras nações. "Ainda nos divertimos muito aqui. Não estávamos presos em um bloco de apartamentos sem poder sair por alguns meses, como algumas nações".

Em ritmo mais lento em casa na Islândia, ela não ficou de braços cruzados. Teve até um pequeno papel no filme do diretor Robert Eggers, "The Northman", gravou 20 horas de material para um podcast e trabalhou no novo álbum "Fossora".

A madrinha de The Northman:
"Foi apenas um pequeno papel. Algo que levei um dia para filmar". Ela não atuava no cinema desde que interpretou o papel principal em "Dançando no Escuro", que saiu em 2000, mas decidiu arriscar e aparecer nesse novo longa, porque foi através dela que o diretor Robert Eggers e o escritor Sjón se conheceram. "Temos um amigo em comum, eu e Robert Eggers, e ele veio aqui e eu o convidei para minha casa para comer truta, e decidi chamar também Sjón".

O encontro resultou em uma amizade entre os dois que deu frutos. Eles escreveram o roteiro do filme "The Northman" juntos. "Então eles me disseram: "Já que você é realmente a madrinha do projeto", palavras deles e não minhas, "você não estaria disposta a estar no filme também?". Björk diz que geralmente quer se concentrar na música, mas decidiu aceitar. "Sjón e eu temos um acordo secreto. Se ele me pede alguma coisa, eu digo que sim. Se eu lhe pedir algo, ele diz que sim. Ele disse "sim" tantas vezes ao longo da minha vida. Eu só queria agradecer".

O mundo de Fossora:
O novo álbum de Björk se chama "Fossora". Ao explicar a inspiração por trás desse projeto, ela começa falando sobre o álbum anterior, "Utopia". "Quando estou explicando esse álbum, muitas vezes começo a falar sobre o anterior, que sinto que é como uma cidade nas nuvens". Ela se refere ao mundo sonoro de "Utopia" como algo sonhador e fluido. "Eram doze flautas e os beats que fiz com Arca, e realmente não havia baixo ou um background com um som tão "rápido". Era como uma história de ficção científica que se passava nas nuvens. "Fossora" é exatamente o oposto! É um álbum muito realista que se passa na Terra e tem muito baixo". Um novo sexteto de clarinetistas chamado Murmuri é bastante presente no disco, junto aos ritmos que são composições da própria Björk. Além disso, inclui colaborações com Sideproject, Gabber Modus Operandi e El Guincho.  

Sobre a inspiração para o álbum, Björk diz que seu senso de humor desempenha um papel importante no processo. "Tenho um senso de humor muito "especial" e, às vezes, faço esses tipos de piadas que ninguém entende, exceto eu e meus cinco melhores amigos. Era uma espécie de piada a ideia de todos nós cavarmos no chão um buraco aconchegante, enquanto nos divertíamos muito e talvez assim estivéssemos nos conectando melhor com todas as pessoas que estão mais próximas de nós na vida".

Durante os ensaios com o sexteto de clarones, Björk deu o tom para a atmosfera do álbum. "Eu estava tentando descrever vibratones para clarinetes quando estávamos ensaiando e lhes dizia: "Imaginem que vocês estão em um clube de jazz em 2050". Essas instruções valeram a pena e os músicos perceberam que o álbum deveria ser pesado e fundamentado. "Então eu descrevi este álbum também com um pouco de humor: 'Será como o livro "When the Robbers Came to Cardamom Town" para adultos'". 

Podcast - um pesadelo absoluto em editar 20 horas de conversas:
Björk foi convidada muitas vezes para fazer um documentário ou um livro sobre sua carreira, mas ela nunca aceitava, pois não achava que tinha vivido o suficiente para um documentário. Mas um grande aniversário em específico colocou sua vida em um novo contexto. "Aquela coisa linda que acontece quando você faz cinquenta anos, você se vê esquecendo de tudo". Ficou claro para ela que havia chegado a hora de olhar para trás. "Então eu pensei: "Eu não fui feita para um documentário sobre mim, eu fico tonta só de pensar nisso! Também não fui feita para um livro. Mas estou disposta a conversar com meus amigos"".

Assim nasceu a ideia de "Sonic Symbolism", um podcast onde Björk fala com a escritora Oddnýja Eir e o editor musical Ásmund Jónsson. Ela queria que a conversa fosse em pé de igualdade. "Minha intenção é que a gente discuta nosso amor pela música, por sentimentos, por escrever letras, por ideias. Não é algo do tipo: "Björk, o ídolo, o ícone em um pedestal"". Eles trabalharam nos episódios durante a pandemia. Foram para uma casa de veraneio, tomaram muito café e reuniram cerca de 20 horas de material ao longo de dois anos. "Depois de tudo, foi um verdadeiro pesadelo editar tudo isso! Fizemos em parceria com Anna Gyda, que veio muitas vezes até aqui. Ela é campeã mundial em edição". 

Cada episódio se concentra em um álbum e no momento em que a obra foi criada. "Não é um trabalho biográfico. Isso não é sobre todos os meus colegas [que trabalharam nos discos]. É sobre uma musicista e sua relação com o próprio trabalho, com suas notas e letras". No podcast, Björk e seus colaboradores decidiram focar no ofício e na arte ao invés de uma autobiografia: "Farei isso quando tiver oitenta anos".

Lembranças da mãe e a colaboração com os filhos no novo álbum:
Em "Fossora", a música "Ancestress" foi escrita para a mãe de Björk. No clipe de "Ancestress", Björk se despede de sua mãe de forma simbólica. O vídeo foi gravado em um vale onde a mãe dela costumava coletar ervas. No curta, um grupo de artistas se despede da matriarca em uma cerimônia significativa onde sua vida é homenageada. A obra tem uma "faixa irmã", que é chamada de "Sorrowful Soil". Sindri, o filho da cantora, canta na versão final que aparece no disco. Ele era muito próximo da avó: "Ela tinha apenas 40 anos quando ele nasceu, então ele queria agradecer e fez também os arranjos do vocal". 

A filha Ísadora também cantou junto de Björk, mas na faixa "Her Mother's House". É a primeira vez que os dois participam de algo do tipo com ela: "Ambos são adultos, então podem dizer "não" se não quiserem". Ela diz que sempre quis proteger seus filhos da fama e deixá-los ter uma vida independente: "Acho que, às vezes, é um pouco difícil ser filho de gente famosa, já que a pessoa quer fazer algo em seus próprios termos". Quando a própria Björk era uma apenas uma garotinha, ela lançou um álbum e experimentou a fama: "Quando se é jovem, dizemos "sim" a algo, como eu que tentei fazer um álbum aos 11 anos de idade, e de repente todo mundo sabia quem eu era no ônibus. Não é brincadeira ser uma pessoa famosa quando criança".

Em uma conversa publicada no Morgunblaðið, Björk disse que percebeu ainda muito jovem que tinha a opção de fazer um tipo de música que seria muito popular ou não: "Para mim, minha música sempre levou em conta várias coisas. Percebo perfeitamente que não sou a número um no rádio às 6hrs de uma sexta-feira, mas esse nunca foi o objetivo, nunca foi! Eu como musicista sou algo um pouco mais idiossincrática.

Quando eu estava crescendo em Reykjavík, havia cerca de oitenta mil pessoas aqui e era como um modelo de mundo. Acho que percebi muito novinha que como humana, eu tinha a opção de fazer música que seria tocada o dia todo em cada estação de rádio ou escrever canções que seriam tocadas em apenas um programa de rádio nas noites de quinta-feira às 9 da noite. Descobri que sou desse tipo, mas existem prós e contras. No entanto, acho que há mais vantagens, especialmente quando se quer compor música para o resto da vida. Além disso, eu mesma ouço músicas classificadas como "excêntricas" ou "nerds", e sempre foi assim. Isso sempre foi muito claro desde o início e, ao mesmo tempo, simplifica muitas coisas em colaboração com as pessoas", disse Björk.

Além disso, ela comentou que planeja se apresentar na Islândia no ano que vem: "Nós tentamos muito levar a turnê "Cornucopia" para a Islândia, mas é muito difícil de financiá-la. O show já havia sido adaptado para o Listahátíð/Reykjavík Arts Festival, mas aí veio o coronavírus. Já tentamos de tudo, mas infelizmente não deu certo! Talvez tenha sido legal porque agora eu posso colocar "Fossora" no show, e então as pessoas poderão ver as flautas e o clarinete. Como a situação está agora, pretendemos nos apresentar na Islândia em 2023", explicou.

No The Zane Lowe Show, ela falou mais sobre a agenda de 2023: "Vou para a Austrália em março e para o Japão. Não sei... Provavelmente vou acabar parando em algum lugar [além desses] no caminho, ainda não planejei. Então estarei no Pacífico no primeiro semestre de 2023, levarei "Cornucopia" para lá e incluirei... vou estrear algumas músicas novas do álbum".

Na entrevista para RÚV, Björk falou também sobre outros tópicos:

Outras nações do mundo na fronteira entre a natureza e a modernidade:
Björk sempre trabalhou muito com outros artistas. No novo álbum, ela colabora com o músico Kasimyn da dupla Gabber Modus Operandi da Indonésia. Durante a entrevista, a cantora explicou que gosta de procurar o que ela chama de "música de outro mundo". Então não significa que seja uma música de "primeiro mundo" ou de "terceiro mundo", mas sim a música daquelas culturas que estão livres do pensamento ocidental. "Nós, islandeses, somos o que chamo de "país de outro mundo". Estamos muito bem e nos divertimos muito aqui, temos a natureza, mas não nos tornamos um país moderno até menos de um século atrás". Ela diz que países como Islândia, Brasil, Tailândia, Indonésia e outros têm uma relação com a natureza diferente dos países que muitas vezes são chamados de "países de primeiro mundo". E isso também se reflete na música dessas regiões.

Björk acha importante se conectar com outros povos com um mundo de experiências semelhantes a dos islandeses. "Eu me sinto mais honesta quanto a isso". Quando começou sua carreira, diz ter sido confrontada por um tipo de atitude da geração anterior, que geralmente pregava que a arte islandesa deveria ser produzida na Islândia com islandeses, pois caso contrário seria uma farsa. "Eu me senti um pouco trancada!". A artista então falou sobre como acredita pertencer a uma geração que tinha autoconfiança o suficiente para acreditar que sua arte poderia ser local, mesmo que fosse feita em uma colaboração internacional. "Eu venho da década de 1980 em um momento na [construção da cena cultural da] Islândia, onde era importante não apenas estar no país e falar sobre elfos, era necessário estar envolvido na cultura, no que estava acontecendo no agora".  

Álbuns ligados entre si:
O próprio podcast de Björk, onde ela entra em detalhes sobre cada um de seus álbuns de estúdio, atraiu muita atenção e abriu uma nova perspectiva sobre o que é a sua arte. Durante as conversas, ela contextualiza o período por trás dos processos criativos: "Em determinado álbum algo dramático acontece, um desgosto, o fim de uma era, com muito drama". Já no disco seguinte, ela pode aparecer cheia de esperança sobre um futuro brilhante: "Muitas vezes, a gente fica tão feliz em apresentar um manifesto ou alguma ideia de paraíso". Porém, eventualmente, a reconciliação com a realidade se faz necessária e a vida cotidiana assume o controle.  

Björk diz que ao longo dos anos, ela se apegou a um tema para cada álbum e sempre esteve muito ocupada ficando dentro desses limites. Durante a série de shows realizados na Islândia em 2021, que foram transmitidos ao vivo para todo o mundo, ela conseguiu reunir um grande grupo de instrumentistas no palco e viu seu repertório sob uma nova luz. "Aquilo se abriu dentro de mim, tipo: "Ei, não fique tão presa em alguns conceitos". Ela então decidiu, em vez disso, oferecer a cada música o que ela precisava. Assim, se deu maior liberdade em "Fossora": "Acho que talvez tenha me soltado um pouco, não ficando tão presa a ideias fixas, porque na verdade os conceitos são mais como uma ajuda. Cada canção deve ter o que merece".  

Embora as letras de Björk sejam sobre temas pessoais, também têm referências maiores relacionadas a questões sociais. Ela diz que as pessoas gostam de tirar outras conclusões sobre as letras, mas não acha que sejam as piores: "Muitos compositores falam sobre isso. Dizem que é sempre como se todas as músicas que cantam, [aos olhos do público] fossem canções de amor". No entanto, nem todas as músicas são sobre o amor romântico: "Às vezes, a gente está cantando sobre um carro ou uma tia". 

Ações climáticas imediatas e a colaboração com Greta Thunberg: 

Björk tem se preocupado com questões ambientais e discute essa luta no novo álbum. "Talvez "Fossora" também esteja falando sobre o fato de que as soluções em questões ambientais não são apenas um manifesto, mas coisas que precisam ser feitas". Ela diz que o tempo de apenas fazer planos já acabou e que agora é preciso agir. "Atingimos outro patamar em questões ambientais. Nem isso está disponível, temos que agir agora, não só globalmente, mas também localmente! Temos que iniciar leis de emergência e todos os tipos de soluções".

Na turnê "Cornucopia", ela exibiu um discurso de Greta Thunberg sobre ações ambientais. Ela e Greta trabalharam juntas e iriam realizar uma coletiva de imprensa em Nova York, em 2019. Ao mesmo tempo, Katrín Jakobsdóttir, a primeira-ministra da Islândia, estava na cidade junto com os outros primeiros-ministros dos países nórdicos para participar da Cúpula de Ação Climática da ONU. "O que aconteceu foi que naquele outono, quando Greta estava cruzando o Atlântico e havia muitas pessoas esperando por ela em Nova York, Katrín estava no comando dos primeiros-ministros dos países nórdicos e nós sabíamos que ela faria um grande discurso lá nos Estados Unidos".  

Björk e Greta decidiram entrar em contato com Katrín e informá-la sobre a coletiva de imprensa planejada, onde desafiariam o primeiro-ministro dos países nórdicos a declarar um estado de emergência sobre as questões ambientais. "Eu disse a Greta: "Eu tenho experiência com as minhas lutas contra as Fábricas de Alumínio na Islândia. Não é bom só brigar com políticos. Apenas vai resultar em uma briga suja e não vai sair nada disso. Eu não deveria falar com ela e pedir para ela fazer isso conosco?".

Björk conseguiu o telefone de Katrín e mandou uma mensagem. "Eu mandei uma mensagem para ela e disse: "Escute, eu só queria que você soubesse antes de fazer seu discurso, que Greta e eu vamos fazer uma coletiva de imprensa. Eu planejei isso e vamos pedir ao primeiro-ministro dos países nórdicos que declare uma emergência ambiental. Você não quer se juntar a nós nisso? Você não precisa declarar estado de emergência nem nada, mas apenas o desafie e diga que está trabalhando nisso".  

Não houve respostas de imediato. "Ela então respondeu depois, mas o que acho que talvez tenha sido um pouco desonesto da parte de Katrín, é que talvez ela devesse ter me dito algo como: "Sabe, isso é um pouco ousado demais para mim. O governo e eu não vamos aderir, mas boa sorte" ou algo assim. O que ela disse foi: "Olha, você pode cancelar essa coletiva de imprensa. Vocês não precisam fazer, porque eu vou declarar isso de qualquer maneira no meu discurso nas Nações Unidas".  

Björk e Greta cancelaram a coletiva de imprensa. "Depois esperei o discurso e ela não disse nada!". Ela diz que acha que Katrín foi desonesta: "Deveria ter apenas confessado e dito: "Não, não vamos fazer isso", e então poderíamos ter mantido nossos planos".  

Björk conta que antes do incidente com a coletiva de imprensa em Nova York no outono de 2019, ela conseguiu entender que a posição de Katrín dentro do atual governo era complicada. "Mas então eu poderia estar do lado dela e entender que ela teve um relacionamento difícil com este e aquele partido e assim por diante, mas acho que eles [os políticos] não fizeram nada [para mudar a situação do clima] nos últimos anos".   

A cantora acredita que a falta de ações climáticas é vergonhosa: "A quantia que está atualmente em questões ambientais, no fundo climático, é apenas uma piada!". Na opinião dela, o que parece é que os recursos do tesouro nacional estão sendo gastos em ajudar a produção de carne no país, como em um "fundo alimentar": "A terra está queimando, é simplesmente ridículo!". 

Björk diz que a lição pode ser aprendida com a experiência da pandemia de que, quando um estado de emergência é declarado, os fundos necessários vão para um fundo de emergência. "Então todos os recursos são destinados. Muito mais recursos fluem automaticamente para muitas categorias, e então a gente pode reagir de maneira mais rápida. Além disso, em 1997, as nações já declararam estado de emergência. Todos os países nórdicos, exceto Noruega e Islândia. Então, eu simplesmente não entendo por que ainda não fizemos isso!".

Para o Morgunblaðið, a artista também disse que ela e Greta Thunberg estão de alguma forma considerando uma colaboração. A intenção das duas é chamar a atenção para as questões climáticas, embora ainda não saibam qual será exatamente a natureza do projeto: "Vou fazer [decidir] algo com Greta no final do mês. Vamos fazer algo juntas, mas ainda não decidimos o que será. O ambiente mudou e a cada ano novos problemas precisam ser enfrentados. Por isso, precisamos reagir de forma diferente. Ainda acho que devemos declarar uma emergência climática".

Foto: Nick Knight.

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