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Björk e a construção de um mundo matriarcal em Fossora

Em seu fascinante 10º álbum de estúdio, Björk faz um balanço do mundo que ajudou a criar – e, mais uma vez, evoca outro totalmente novo. Ela conversou com o The Atlantic sobre o disco de inéditas "Fossora" e uma série de assuntos. Confira a tradução completa do bate-papo:

Ao meio-dia de uma segunda-feira em Reykjavík, capital da Islândia, Björk entrou em um café e me deu um enigma. Naquela manhã, nossa entrevista foi remarcada para uma hora antes do planejado originalmente, para que pudéssemos viajar até um local desconhecido para mim. Ao chegar ao café cheio de plantas onde combinamos de nos encontrar, Björk me agradeceu por minha flexibilidade quanto ao horário. "Tivemos que acertar nosso relógio na maré", disse ela, alegremente, como se eu soubesse o que isso significava.

Björk parecia muito Björk, o que quer dizer que ela não se parecia com ninguém neste planeta. Seu penteado de Cleópatra tinha sido tingido com tiras de branco, rosa e "azul mofo", e os enfeites pendurados em seu sobretudo eram estampados em laranja e cinza-esverdeado. Todo o visual parece um "fúngico chique", refletindo a estética de seu novo álbum, "Fossora", que será lançado no final deste mês. Mas ela atravessou o café movimentado sem ser incomodada, até mesmo sem ser encarada pelos outros clientes. "Islandeses", explicou Björk (com sarcasmo): "são muito esnobes".

No entanto, aos 56 anos de idade, tendo passado três décadas como uma das figuras mais importantes da música, Björk dificilmente passou despercebida em seu país natal. Quando fiz o check-in no meu hotel em Reykjavík – uma cidade de 135.000 habitantes que mistura as vibrações de um acampamento base de alpinismo e um porto boêmio – uma música dela estava tocando no saguão. O Icelandic Punk Museum, um pequeno labirinto em uma espécie de "banheiro público convertido", é em parte um santuário para The Sugarcubes, a banda de rock que trouxe Björk à fama internacional no final dos anos 80. Em um bar próximo dali, conversei com um homem de meia-idade que disse que Björk tomou conta dele quando era criança.

Sua influência também é inevitável em todo o mundo. Começando com seu álbum solo de 1993, "Debut", e continuando com seu aclamado trabalho da última década, ela pavimentou um caminho com sua voz gutural, melodias contraintuitivas, instrumentação ousada, letras sábias, visuais surreais e tecnologia alquímica. Muitos observadores ficaram confusos com esta mistura, mas para outros, Björk é um conforto, uma afirmação de sua própria originalidade inalienável. As estrelas femininas e queer com visão de futuro – tão variadas quanto Rosalía, SZA, Solange, Perfume Genius e Lizzo – tendem a saudá-la como uma antepassada. No caos animado do hiperpop de Billie Eilish, você pode ver um interesse crescente na busca de longa data de Björk: provar que qualidades supostamente suaves – vulnerabilidade, carinho, admiração – são formas de coragem e força.

O novo álbum solo de Björk é seu 10º, e o número redondo é adequado para um momento em que ela está avaliando de onde ela veio e o que ela realizou. Seu novo podcast, "Sonic Symbolism", revisita a criação de cada um de seus álbuns. "Fossora" aborda o legado e a ancestralidade de uma maneira diferente, com algumas de suas composições mais vivas e arranjos mais ousados ​​até hoje. Enquanto os sopros de madeira aveludados respiram em meio a batidas fortes, Björk examina seu lugar em uma linhagem de educadores, pacificadores e solucionadores de problemas. Em nossas quatro horas juntos, ela descreveu o funcionamento da “música matriarcal” – um termo que define tanto o ethos de Björk quanto uma corrente mais ampla e agora fortalecida na cultura pop.

Primeiro, porém, tivemos que falar sobre correntes reais. O plano secreto de Björk era nos dirigirmos ao farol de Grótta, localizado em um ponto de rocha negra a noroeste de Reykjavík. Ela tem ido lá periodicamente para gravar música. Quando a maré enche, o lugar fica inacessível indo a pé, o que faz parte da diversão. "Às vezes, estou trabalhando em uma música por algumas horas, e fico tipo: "ou eu saio agora ou trabalho mais seis horas nisso", disse ela. "A gente tem que escolher".

Sua assistente nos levou ao estacionamento da praia, e então fizemos uma caminhada por seixos vulcânicos e depósitos de algas perfumadas. O dia de agosto era típico do verão islandês. Mas o vento soprava ferozmente, achatando a grama costeira, ondulando as folhas do casaco de Björk e contribuindo para minha sensação de que estávamos marchando para um portal no fim da Terra. Ao nos aproximarmos de uma robusta torre branca, Björk soltou um suspiro: "Ah, sim! O sentimento!".

Nosso destino acabou não sendo o farol, mas um prédio perto da base. Sua assistente destrancou a porta, revelando uma sala de reuniões com vigas de madeira clara e uma cozinha com azulejos azuis. Este era, a meu ver, um local de almoço limpo e arrumado para viagens de campo da aula de ciências. Mas, para Björk, havia camadas de história: obras-primas foram feitas aqui; amigos dormiram aqui; aniversários e festas de Natal foram feitas aqui. A mistura de exterior indomável e interior ordenado do local também pareceu muito Björk. Quando começamos a discutir sua música e o mundo que ela reflete, um som alto ecoou pela sala. "Siiim, você vai pegar o vento islandês em sua gravação" [da entrevista], ela me disse, interrompendo a si mesma. Ela então inclinou o olhar para o universo. "Obrigada!".

A natureza sempre apareceu no trabalho de Björk, e a paisagem emocional de "Fossora" é inspirada no reino dos cogumelos, mas a artista enfatiza que ela não estava pensando nos cogumelos vermelhos e brancos dos desenhos infantis.

"Elfos e todo essa merda! As pessoas realmente tentaram jogar isso em mim por toda a minha carreira", disse a islandesa se referindo a leituras da impressa sobre ela como uma figura do tipo Peter Pan, ingênua e mística. "O "Fossora" canaliza o lado adulto, sensual e delicado dos fungos, onde eles agem como centros nervosos das florestas. Um tipo de energia techno".

Conexão, enraizamento, delírio – esses sentimentos dominaram os primeiros dias de COVID-19 de Björk, que ela passou em casa na Islândia, tocando DJsets na sala de estar para seus amigos. Para uma musicista em turnê mundial de uma nação no meio de uma ilha e com baixas taxas de infecção, renunciar à viagens significava finalmente aproveitar "uma vida de aldeia", ela diz. "Acordar, caminhar até um café, encontrar os amigos, ir para a piscina". Para evocar esse aconchego na música, ela pediu a um sexteto de clarones que imaginassem que haviam bebido "um copo e meio de vinho tinto – não mais que isso!" em algum bar de jazz do norte da Escandinávia no ano de 2050. Em algumas faixas, ela acrescentou explosões percussivas que soam como uma prancha sendo martelada centenas de vezes por minuto.

O que Björk realmente amava na vida de "casulo" no lockdown da pandemia era que "a gente ia mais longe com cada amigo ou parente, ia mais fundo". "Fossora" vai fundo, surpreendentemente fundo, da mesma maneira. Seus dois filhos crescidos cantam no álbum, e duas faixas falam de sua mãe, que morreu em 2018 aos 72 anos. Várias músicas celebram algum namorado desconhecido ("sua capacidade de amar é enorme!"). A música de Björk sempre teve um lado pessoal, mas uma veia mineral parecia se abrir em suas composições com "Vulnicura" de 2015, uma obra-prima dolorosa sobre o fim de um relacionamento. Agora ela investiga sua identidade como filha e mãe.

O fato de Björk ser mãe desde antes de ser famosa internacionalmente tem sido uma parte fundamental, embora às vezes incompreendida, de sua história. Em 1986, como uma cantora de 20 anos de uma banda punk underground, ela causou indignação na Islândia ao se apresentar na TV com a barriga de grávida exposta. Ela deu à luz seu filho, Sindri Eldon Þórsson, no mesmo dia em que o Sugarcubes foi formado (o guitarrista era o pai da criança). Quando ela agrediu uma jornalista na Tailândia em 1996, ela disse que era porque a repórter estava incomodando seu filho. Outro incidente lendário, no qual ela usou um vestido em forma de cisne e derrubou ovos no tapete vermelho do Oscar de 2001, pretendia ser uma declaração sobre fertilidade. No ano seguinte, ela deu à luz sua filha, Ísadora Bjarkardóttir Barney.

A mídia e o público ouvinte raramente têm sido respeitosos com artistas que são mães jovens – a implosão de 2007 da imagem de Britney Spears, por exemplo, estava ligada ao escrutínio de sua maternidade (Na época, Björk escreveu a Spears uma carta solidária). Mas Björk disse que nunca sentiu muita tensão entre ser musicista e ser mãe. Quando ela foi para a estrada com The Sugarcubes, ela raciocinou que o jovem Sindri adoraria viajar ou não – e se ele não gostasse, ela se lembra de ter pensado: "Vou apenas escrever minha própria música e viver em um farol ou algo assim". Os colegas de banda concordaram em dividir o custo de uma babá (para o filho de Björk), para que ela pudesse entrar em turnê, uma iniciativa que ela credita à cultura da Islândia sobre o que é a família, algo notavelmente liderado por mulheres.

Uma espécie de inspiração prática, amável, mas de aço, há muito tempo permeia seu trabalho. Você pode ouvir isso em seus sermões de reclamação ("Army of Me"), celebrações de altruísmo ("Pleasure Is All Mine") e hinos sobre inteligência emocional ("Mutual Core"). "Fossora" torna esses temas especialmente viscerais, apresentando o amor como uma espécie de trabalho. Em "Victimhood", o clima de névoa evoca a escuridão de alguém se afogando em autopiedade, uma qualidade que Björk costumava se orgulhar de não ter. Mas a artista conta que recentemente percebeu que tende a colocar as necessidades de outras pessoas na frente das dela, e que depois se sente mal por isso: "É um tipo de problema matriarcal. A gente tem que apenas tomar o controle e dizer: "Sim, eu faço esse sacrifício!".

Com Ísadora agora com 19 anos, "Fossora" encontra Björk sem uma criança sob seus cuidados pela primeira vez em sua carreira – um marco observado no final emocionante do álbum, "Her Mother's House". "Quanto mais eu te amo, mais forte você se torna, e menos você precisa de mim", ela canta, e sua filha eventualmente responde, em uma cadência graciosa, com sua própria poesia. Björk deu a Ísadora um bom tempo para pensar se ela queria estar na música. A cantora sente que sua própria entrada no centro das atenções aos 11 anos, por meio de um álbum que sua mãe e padrasto ajudaram a gravar, foi prematura. Mas Ísadora já havia começado a seguir uma carreira nas artes (tanto ela quanto Björk atuaram no épico viking deste ano, "The Northman"). "Ela é como eu porque prefere fazer algumas coisas e que elas sejam preciosas", disse Björk. "Estou muito orgulhosa dela dessa maneira".

A aparição de Sindri no álbum também faz uma declaração. No ano passado, as pessoas circularam nas redes sociais uma declaração de anos atrás em que ele, um artista de indie-rock, escreveu que é um compositor e letrista melhor do que 90% dos músicos islandeses, incluindo sua mãe". Ele se retratou, e Björk ficou surpresa que as pessoas levassem tão a sério o que obviamente era uma piada. "Eu estava realmente pensando [sobre isso] outro dia, sentindo um pouco por ele", disse ela. Aos 36 anos, e como pai, Sindri é um indivíduo "muito autossuficiente, muito saudável, emocionalmente", mas às vezes ele foi submetido à suposição de que "filhos de mulheres bem-sucedidas… devem ser perdedores ou algo assim", ela disse. "Bom, isso é uma besteira total!".

Ele empresta sua bela voz para "Ancestress", uma faixa de sete minutos, carregada de cordas, que fala sobre a falecida mãe de Björk, Hildur Rúna Hauksdóttir. Björk disse que escreveu essa música e "Sorrowful Soil" como uma réplica a uma canção islandesa secular que lista os meros fatos da vida de um homem morto ("que patriarcal!", disse ela). Essas canções, ao contrário, formam um "obituário biológico ou emocional", com cenas impressionistas: Hildur cantando canções de ninar para Björk quando criança, Hildur perdendo a coerência em seu leito de morte. Em "Sorrowful Soil", Björk e um coral cantam, em uma cadência "gaguejante", dizendo: "Você se saiu bem!". Ela disse que essa é a mensagem que tentou "espremer" de sua mãe fria e avessa a elogios em seus últimos dias.

Mas Björk realmente não queria falar sobre sua mãe comigo. Durante a maior parte de nossa entrevista, ela falou em frases confusas ilustradas por gestos de mão decisivos, o que fez com que o material de couro do quimono que ela usava sob o casaco "rangesse". Depois de alguns minutos discutindo bastante sobre "Sorrowful Soil", ela disse: "É como se houvesse fumaça saindo do meu cérebro". Ela então perguntou se poderia ir ao banheiro para limpar a cabeça.

Quando ela voltou, me explicou que os outros jornalistas com quem conversou recentemente a interrogaram sobre sua mãe, assunto de apenas duas das 13 faixas de "Fossora". "As pessoas pensam que esse álbum inteiro é um álbum de luto, Acho que você receberá um artigo mais interessante se seguirmos em frente". Então nós fizemos isso!

Para ser honesto, eu queria aprender mais sobre Hildur, mas principalmente entender o que há muito tempo tornou a visão de mundo de Björk – e a arte – tão difícil de definir. Ativista que já fez greve de fome para se opor ao desenvolvimento industrial não sustentável na Islândia, a mãe de Björk tinha uma natureza intransigente que, de acordo com entrevistas que Björk deu no início da carreira, fez com que sua filha se sentisse ambivalente em relação ao "feminismo hardcore". Björk, ao longo dos anos, passou a endossar totalmente o empoderamento das mulheres – mas "Fossora" deixa claro que – os "ismos" ainda a fazem se contorcer.

O título do álbum é o feminino do termo latino para "escavador", e eu queria saber se ela o escolheu para fazer uma declaração sobre gênero. "Sim", ela disse hesitante. "Tento não falar muito sobre isso, mas praticamente nos últimos 10 anos, é o que tenho feito. Eu quero equilíbrio. Eu amo caras e machos alfa e tudo mais, mas eu só quero 50-50. Na primeira metade da minha vida, eu estava trabalhando mais "por dentro", sabe? Eu quase não quero dizer isso. Está tão cansativo! Mas dentro do patriarcado, ou seja lá o que for... E talvez eu não entendesse totalmente, porque eu era muito jovem".

Em "Fossora", a busca por nuances parece urgente, até angustiante. A estrondosa abertura do álbum, "Atopos", apresenta Björk cantando, em tom agonizante, que "insistir em justiça absoluta em todos os momentos, bloqueia a conexão". Sua mensagem é tanto pessoal quanto política, um apelo para que os lares desfeitos resolvam as coisas. Eu disse a ela que nos Estados Unidos, o partidarismo extremo fez com que ter compromisso parecesse ser algo fantástico. "Vocês começam a falar sobre os filhos um do outro", ela sugeriu. ""O que você quer para eles?" Acho que é mais sobre o futuro e para onde estamos indo. Tire o calor do momento, porque é insolúvel".

A música, ela disse, também foi inspirada nas consequências do #MeToo. Ela se alinhou ao movimento em 2017, alegando publicamente que havia sido abusada em um set de filmagem (de "Dançando no Escuro"). Mas ela se preocupa que "as campanhas de nome e vergonha" nem sempre sirvam à cura e à compaixão. "Se você cancelar todos, isso não é uma solução", disse ela. "Especialmente com os homens mais jovens, eles precisam ter a oportunidade de evoluir, crescer e aprender".

Acontecimentos recentes a testaram nessa questão. Um de seus principais colaboradores em "Fossora" foi o duo indonésio Gabber Modus Operandi. Uma acusação de abuso sexual que surgiu online neste verão levou um dos integrantes, Ican Harem, a emitir um pedido público de desculpas e entrar em hiato. Björk editou a voz de Harem da faixa-título de "Fossora" e removeu takes dele do vídeo planejado de "Atopos". Mas quando conversamos, ela ainda estava debatendo se também deveria apagar do álbum o criador de beats do duo, Kasimyn, que não foi acusado de nada. "Quero ter coragem para estar na zona cinzenta/turbulenta", ela me disse. Uma semana depois da nossa entrevista, o vídeo de "Atopos" estreou, com takes apenas de Kasimyn tocando na rave na floresta.

As forças que impulsionaram o #MeToo também estão remodelando a cultura musical de uma maneira mais básica, sugeriu Björk. Em um post no Facebook de 2016, ela lamentou que a sociedade pressione as musicistas para "cortar nosso peito e sangrar por causa dos homens e crianças em nossas vidas". Ela não está mais preocupada com essa expectativa, graças aos últimos cinco anos de mulheres compartilhando suas histórias em público. Em "Fossora", ela transita livremente entre abstração e confissão, cautela e revelação. "Quando a gente tem um bom momento em uma música, é quando superamos a contradição entre o universal e o pessoal. Se torna a mesma coisa", disse ela. "Esse é o ponto fraco que todos nós desejamos".

Discutindo o tema da abertura emocional em compor, Björk trouxe à tona sua longa admiração por Kate Bush, cuja música sempre teve uma "corrente de generosidade" passando por ela. Como uma compositora, que produziu seu próprio material, e que cantou sobre sua vida interior, Bush "não era uma convidada no mundo dos homens", disse Björk. "Ela fez o mundo matriarcal. Tudo isso!". O exemplo que Bush deu foi além das letras. No primeiro episódio do podcast "Sonic Symbolism", Björk citou Bush enquanto traçava o caminho falando sobre como sintetizadores e beats eletrônicos têm sido um refúgio para mulheres e pessoas queer alienadas pelo rock and roll "macho".

Björk apontou que é claro que, nos anos 80 e início dos anos 90, alguns gatekeepers do sexo masculino tratavam Bush como uma "mulher maluca/tola de terceira classe". Muitos ouvintes, por sua vez, sentiram vergonha de abraçá-la abertamente. Assim, o ressurgimento mundial deste ano do antigo sucesso de Bush, "Running Up That Hill (A Deal With God)", pode representar uma mudança radical. "É a Geração Z! Eles têm espaço para música matriarcal", disse Björk. "Não é como se fossem bruxas malucas, velhinhas, [fazendo] 'oooh'" – ela faz um som apropriadamente assustador – "com gatos e vassouras".

Ela vê apreço pelo matriarcado em outras partes da música hoje em dia também, especialmente na popularidade de rappers femininas se expressando em termos ferozmente femininos. Mas quanto à fama cultural de Björk, ela disse que tenta ignorar a maior parte das conversas sobre ela. No dia em que "Fossora" foi anunciado, ela se permitiu espiar a reação online. Ela não podia acreditar no entusiasmo que viu por um álbum de clarinete e techno sobre fungos. "Eu me senti muito grata que as pessoas realmente se importam", disse ela. "Quando se trata de pessoas fazendo um esforço e me entendendo, acho que tive muita sorte".

Depois de mais de três horas na Ilha Grótta, a maré estava subindo e era hora de fugir. Saímos de volta ao vento, e Björk me deu um high five. Na caminhada, ela disse que estava feliz por termos falado sobre "Ovule", um destaque empolgante de "Fossora" com trombone. A música descreve a teoria dela de que cada um de nós carrega três "ovos" acima da cabeça, cheios de ideais, realidades e escuridão. É também sobre a maneira como a visão de Björk sobre a conexão humana se transformou desde sua infância, quando ela sonhava apenas com um romance de conto de fadas. "Você percebe, à medida que envelhece, que isso não é tão preto e branco", ela disse. "O amor está em muitos mais lugares. E é tão forte quanto. Apenas vive em outras formas!".

- Spencer Kornhaber, The Atlantic, setembro de 2022.

Foto: Vidar Logi.

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